Como se traduz por aí

Há sempre pior

      «Roz tinha entrevistado pessoas suficientes para saber que isso significava muitas vezes que estava prestes a ser contada uma verdade, ou uma meia-verdade» (Crime no Expresso de Natal, Alexandra Benedict. Tradução de Nuno Carvalho e revisão de Maria Ferro. Lisboa: Guerra & Paz, 2023, p. 172). É erro que se repete. Não, o «had interviewed» do original não tem nada que ver com entrevistar, mas com interrogar. Roz é polícia, não uma jornalista metediça de microfone em punho. E nem sequer estamos perante uma subtileza semântica que exija grandes investigações: basta abrir um dicionário de inglês. Qualquer um. Podia ser pior? Podia, mas também se encontra nesta tradução: «— A única coisa que o posso aconselhar a fazer é selar o compartimento para que as provas não sejam adulteradas e colocar o Grant noutro compartimento se for possível. Não é provável que vá fugir. O mais certo seria apanhar uma hipotermia se o fizesse, mas temos de nos assegurar de que ele fica aqui, pronto para ser questionado quando a polícia chegar» (idem, ibidem, p. 131).
[Texto 23 771]
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