Latim universitário
16.10.26
Ainda ninguém reparou
Parece que as universidades portuguesas descobriram uma maneira de complicar o que era simples: em vez de «antigo aluno» e «antiga aluna», preferem agora recorrer a designações de origem latina, importadas do inglês, que lhes deu o sentido institucional hoje em voga. Até aqui, nada de especialmente grave, embora não se perceba a necessidade de ir buscar a uma língua estrangeira o que o português diz com expressões perfeitamente adequadas. O problema começa quando nem sequer dominam as palavras que adoptam. A Universidade de Lisboa chama alumni à escritora Lídia Jorge, enquanto outra instituição universitária chama, e bem, alumnus ao engenheiro Eduardo Peixoto. Ora, alumnus é, em latim, o masculino singular. E as restantes formas? São alumna (feminino singular), alumni (masculino plural) e alumnae (feminino plural). Assim, Lídia Jorge é uma alumna, não uma alumni. É verdade que, em inglês, alumni se generalizou como designação colectiva dos antigos alunos de uma instituição de ensino, mas o próprio inglês reserva alumnus e alumna para o singular, pelo que nada justifica que se aplique alumni a uma única pessoa. Se as universidades querem importar palavras latinas por via do inglês, ao menos que aprendam a decliná-las. Afinal, não é pedir demasiado a quem se dedica ao ensino superior.
[Texto 23 708]
edit
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