Definição: «abelha-carpinteira»

E os sinónimos?


      Apareceu-me aqui um simpático abelhão, que a Porto Editora regista, mas não como sinónimo de «abelha-carpinteira», cuja definição é aceitável na descrição geral, mas fica aquém do mínimo lexicográfico exigível por não registar nenhuma das designações comuns da espécie, como «abelha-carpinteira-violeta», «abelhão», «abelhão-azul» ou «abelha-negra». Para o consulente, estes sinónimos são tão importantes como a descrição morfológica, pois são precisamente os nomes por que o insecto é conhecido em textos de divulgação e na linguagem corrente. Assim, proponho abelha-carpinteira ZOOLOGIA (Xylocopa violacea) espécie de abelha solitária da família dos Apídeos, de grande porte, com corpo negro e asas de reflexos azulados ou violáceos, que constrói o ninho em galerias escavadas em madeira morta; desempenha importante papel na polinização de numerosas plantas silvestres e cultivadas; abelha-carpinteira-violeta; abelhão; abelhão-azul; abelha-negra.

[Texto 23 176]

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Léxico: «coluna seca»

Faz falta


      Estamos sempre a encontrá-las ao longo do dia, até já me perguntaram o que significa, pelo que é a candidata perfeita para ir para os dicionários. Estou a falar da ➠ coluna seca instalação fixa de combate a incêndios constituída por uma conduta vertical e respectivas ligações, mantida sem água em condições normais, destinada a permitir o abastecimento de água pelos bombeiros aos diversos pisos de um edifício durante o combate a um incêndio.

[Texto 23 175]

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Definição: «criminologia»

Esquece as ancilares, as auxiliares


      Era na rádio, na Antena 1, e citaram não sei que criminólogo. Foi esta a palavra que usaram. A Porto Editora nem se sai mal: «especialista em criminologia; criminologista». Já a definição de «criminologia» é que não me convence nem um pouco: «1. conjunto complexo de disciplinas médicas, genéticas, psicológicas, sociológicas, que consideram a criminalidade nos seus diversos aspectos; 2. filosofia do direito penal». No respeitante à primeira acepção, o que se me oferece dizer é que uma definição deve identificar a natureza do referente e o que o distingue, não os instrumentos de que se serve. Só a título de exemplo: a Astronomia recorre intensamente à Física, à Matemática e à Informática: a Geologia recorre à Química, à Física e à Biologia; a Linguística recorre à Psicologia, à Neurologia, à Sociologia e à Informática; a Arqueologia recorre à Química, à Geologia, à Física e à Genética, e, no entanto, ninguém define nenhuma destas ciências como um «conjunto de disciplinas» apenas porque utiliza métodos ou conhecimentos provenientes delas. Quanto à segunda acepção, carece de comprovação documental; na ausência de provas de uso autónomo e efectivo, recomendo a sua eliminação. 

      Assim, proponho ➠ criminologia ciência que estuda o crime e a criminalidade, as suas causas, os seus efeitos e os meios de prevenção e controlo.

[Texto 23 174]

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Definição: «solenóide»

As vantagens estão à vista


      Aqui esta personagem (não a conseguem ver, o monitor está a tapá-la) comprou um transístor usado que tinha um dos solenóides solto, e agora está a pedir ao filho do amante que vá lá a casa para o ajudar. Entretanto, ajudemos nós os dicionários que, se bem que palavrosos, se esquecem de explicar para que serve tal componente e apresentam uma definição em que não cabe quase nunca o sentido que se lhe dá, já que, quando alguém fala de um solenóide num automóvel, numa fechadura eléctrica, numa válvula ou numa máquina industrial, está normalmente a pensar no actuador electromagnético, não na bobina enquanto figura geométrica ou objecto físico. Assim, proponho ➠ solenóide 1. ELECTRICIDADE, FÍSICA 1. bobina de fio condutor enrolado em hélice que, ao ser percorrida por corrente eléctrica, produz um campo magnético 2. dispositivo electromagnético constituído por uma bobina e um núcleo móvel, utilizado para accionar mecanismos, válvulas, fechaduras, interruptores e outros componentes.

[Texto 23 173]

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Léxico: «euforizante»

Um problema muito comum


      «Le match se jouait sous la pluie, le terrain devenait gras et difficilement praticable, mais les Allemands avaient une botte secrète (enfin, deux, puisque l’on découvrira par la suite qu’ils étaient chargés à la Pervitine, un euphorisant développé pendant la guerre). A la mi-temps, Dassler dévissa les crampons pour les remplacer par d’autres, plus longs, qui permirent ensuite aux joueurs allemands de mieux tenir sur la pelouse et de renverser les Hongrois, invaincus depuis trois ans» («1954: l’innovation, mère de toutes les conquêtes», Laurent Favre, Le Temps, 11.06.2026, p. 17). 
      Isso mesmo, Porto Editora, não é apenas adjectivo. Assim, proponho ➠ euforizante nome masculino substância ou medicamento que provoca ou favorece um estado de euforia.

[Texto 23 172]

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Léxico: «erióforo»

Acabou-se a espera


      Apareceu-me numa tradução, sei que o esperas, Porto Editora, pelo que aqui vai o ➠ erióforo BOTÂNICA planta herbácea do género Eriophorum, da família das ciperáceas, característica de turfeiras e terrenos húmidos, cujas infrutescências apresentam tufos sedosos brancos semelhantes a algodão.

[Texto 23 171]

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Léxico: «substituição de gerações»

Dois conceitos diferentes


      «Está nos livros: para que a população de um país desenvolvido se mantenha estável, é indispensável que por cada duas pessoas (um casal) nasçam dois bebés. Para sermos precisos, a taxa de fertilidade óptima para que, por exemplo, Portugal continue a ser demograficamente saudável neste século é de 2,1 filhos por mulher. Chama-se a isto renovação geracional» («A teoria da substituição que o Chega não quer ver», Pedro Candeias, editorial, Público, 14.06.2026, p. 4). 
      Chama? Acho que não. Esse conceito é muito mais amplo. Pelo que vejo, «renovação geracional» é uma expressão mais genérica, usada com frequência em contextos como o mercado de trabalho, os sistemas de pensões, a sucessão em empresas, organizações ou profissões, entre outros. Embora possa ser empregada em contextos demográficos, não corresponde à designação técnica habitualmente utilizada pelo INE para o conceito segundo o qual cada geração é substituída por outra de dimensão equivalente. Para esse fenómeno, o INE usa preferencialmente a expressão ➠ substituição de gerações DEMOGRAFIA renovação de uma população mediante o nascimento de um número suficiente de filhos para que cada geração seja substituída por outra de dimensão equivalente.

[Texto 23 170]

⋅ ── ✩ ── ⋅ 


P. S.: O leitor mais perspicaz terá reparado que a definição não menciona os famosos 2,1 filhos por mulher. A omissão é deliberada. Esse valor não faz parte da definição do conceito; é apenas uma aproximação frequentemente usada pelos demógrafos para indicar o nível de fecundidade necessário à substituição de gerações em populações com baixos níveis de mortalidade.


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Léxico: «esmeriladora | esmerilhadora»

Existe e custa muito dinheiro


      «O novo equipamento representou um investimento de cerca de oito milhões de euros e vem substituir uma esmeriladora que estava ao serviço desde 1976. Segundo sublinhou a administração do ML, a máquina terá “um papel essencial na manutenção preventiva da infraestrutura ferroviária”, sendo a sua função “corrigir o desgaste natural dos carris provocado pela circulação diária dos comboios”» («Metro recebe nova esmeriladora ao fim de quase 50 anos», Rádio Renascença, 15.06.2026, 22h20). 

      Ainda pensei que seria apenas caso de acrescentar esta acepção. Nada disso: a Porto Editora nem sequer regista «esmeriladora/esmerilhadora». Assim, proponho ➠ esmeriladora/esmerilhadora 1. máquina equipada com rebolos ou outros elementos abrasivos, utilizada para esmerilar, rectificar, afiar ou polir superfícies metálicas e outros materiais; 2. FERROVIA veículo ou máquina pesada de manutenção ferroviária destinada à esmerilagem dos carris, corrigindo o seu desgaste e as irregularidades da superfície de rolamento, repondo o perfil adequado da via e contribuindo para a redução de vibrações e ruído e para o prolongamento da vida útil da infra-estrutura.

[Texto 23 169]

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Léxico: «amberina» Definição: «ambarina»

Esta é tripla


      «Ela tirou do bolso umas lascas de amberina e um fragmento de cerâmica e ofereceu-lhos.» Só que os nossos dicionários apenas registam ambarina/ambrina/ambreína, e por certo que não muito bem definido, bem longe disto ambarina QUÍMICA álcool triterpénico (C₃₀H₅₂O), principal constituinte do âmbar-cinzento, praticamente inodoro, que por oxidação origina compostos aromáticos responsáveis pelo odor característico do âmbar-cinzento, alguns dos quais utilizados em perfumaria. 

       Mas a nossa personagem tirou do bolso lascas de amberina, não de ambarina, e aqui os nossos dicionários falham. Só o VOLP da Academia Brasileira de Letras o regista. Dada a lacuna, a necessidade de o termos e o respaldo, proponho ➠ amberina tipo de vidro artístico translúcido, caracterizado por uma gradação de cores do âmbar ao vermelho, obtida por tratamento térmico durante o fabrico, e utilizado no fabrico de peças decorativas e utilitárias.

[Texto 23 168]

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Léxico: «toque»

Ora esta...


      «Queres ir ter comigo quando eu sair? Vou demorar aí coisa de uma hora. Depois dou-te um toque. Pode ser?», dizia uma senhora, ontem, no meio da rua. Ora, dá-se o caso, estranho como outros, de o dicionário da Porto Editora não acolher este toque. Homessa... O cuidado e o transtorno obsessivo-compulsivo obrigaram-me a comprovar várias vezes. Talvez possa ser a 10.ª acepção, assim toque comunicação telefónica breve; telefonema rápido ou sinal de chamada destinado a estabelecer contacto com alguém.

[Texto 23 167]

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Léxico: «linhão»

Também brasileira


      E como até já tens o verbete, Porto Editora, mais fácil se torna: «A atividade do garimpo em Curionópolis (PA), que fez o município virar notícia mundial nos anos 1980 com a Serra Pelada, agora ameaça derrubar uma das principais linhas de transmissão de energia do Brasil —o chamado linhão de Belo Monte. São tratores, escavadeiras, caminhões e outras máquinas pesadas que, neste momento, avançam ilegalmente em barrancos de terras debaixo de torres que transportam energia por mais de 2.100 quilômetros de distância, ligando a amazônia ao Sudeste» («Avanço de garimpeiros sob linhão de Belo Monte traz risco de colapso», André Borges, Folha de S. Paulo, 18.06.2026, p. A23).

[Texto 23 166]

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Léxico: «montbrécia»

Num jarro


      Têm outro nome comum? Não me parece. Encontro-as no Houaiss, em bilingues da Porto Editora, por aí... Aqui aparecem num jarro. Assim, proponho montbrécia BOTÂNICA (Crocosmia × crocosmiiflora) planta herbácea perene da família das Iridáceas, resultante da hibridação de espécies do género Crocosmia, de folhas longas e estreitas e flores alaranjadas ou avermelhadas dispostas em espiga, amplamente cultivada como ornamental e frequentemente naturalizada.

[Texto 23 165]

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Léxico: «imageamento»

Mais uma do Brasil


      «Uma ferramenta fundamental adotada pelos cientistas foi o imageamento sísmico, criando mapas detalhados em duas e três dimensões do subsolo terrestre a partir de ondas sonoras que viajam e refletem nas camadas de rocha subterrâneas. Foi por meio dessa técnica que detectaram as características de antigos canais fluviais escondidos sob o leito marinho» («Eufrates, que ajudou a nutrir primeiras civilizações, surgiu há mais de 1,6 milhão de anos», Will Dunham, Folha de S. Paulo, 16.06.2026, p. A39).

[Texto 23 164]


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Léxico: «contributividade»

E se é frequente...


      Surge abundantemente na legislação, na doutrina jurídica e no discurso dos especialistas, mas não nos nossos dicionários. Ora esta... A última vez que a ouvi foi na segunda-feira no programa Antena Aberta, da Antena 1. Assim, proponho ➠ contributividade SEGURANÇA SOCIAL princípio segundo o qual as prestações atribuídas pelo sistema previdencial da segurança social são determinadas, total ou parcialmente, pelas contribuições efectuadas pelo beneficiário durante a sua vida activa; correspondência entre o esforço contributivo e os direitos adquiridos em matéria de protecção social.

[Texto 23 163]

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Léxico: «leuconiquia | mentira»

Verdade


      «Ces petites marques blanches portent même un nom scientifique: les leuconychies. Et contrairement à la croyance populaire, elles sont le plus souvent causées par de microchocs sur la matrice de l’ongle, autrement dit, la zone où l’ongle se forme» («“Les taches blanches sur les ongles, c’est un manque de calcium”», Valentina San Martin, Le Matin Dimanche, 14.06.2026, p. 42). 

      Em português, leuconiquia, que Rebelo Gonçalves, curiosamente, ignora. Como os nossos dicionários ignoram que no Brasil há um termo informal muito usado para designar estas manchas: mentira.

[Texto 23 162]

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Léxico: «enguia-congro»

Toma lá este


      «As consequências estendem-se também ao equilíbrio dos ecossistemas marinhos. Além de predarem diversas espécies de marisco e peixes, os polvos tornaram-se uma importante fonte de alimento para focas, enguias-congro e golfinhos-de-risso. Para os investigadores, esta alteração está a provocar uma verdadeira reorganização das cadeias alimentares marinhas» («Explosão de polvos nas águas do Reino Unido chega à Escócia e preocupa cientistas», Olímpia Mairos, Rádio Renascença, 11.06.2026, 12h51).

[Texto 23 161]

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Léxico: «texel»

Nos campos, no OLX, no talho...


      Apareceram-e aqui uns malatos texel numa tradução. Vejo-os à venda no OLX. Andarão aí pelo País, de norte a sul. Vamos levá-los para onde devem ir, assim ➠ texel ZOOTECNIA diz-se de ou raça ovina originária da ilha neerlandesa de Texel, criada sobretudo para a produção de carne, caracterizada pelo porte robusto, pelo forte desenvolvimento muscular, especialmente nos quartos traseiros, e pelo elevado rendimento da carcaça.

[Texto 23 160]

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Léxico: «matrilinearidade | patrilinearidade»

Só falta apor -idade aos que tens


      «“Algumas pessoas opõem-se a isso, alegando que a sucessão matrilinear não é tradicional”, a patrilinear é que é. Significa também que o príncipe Hisahito teria de casar e de ter um filho rapaz para que a família imperial tivesse herdeiro – e assim sucessivamente, para todo o sempre. Para o investigador [Hideya Kawanishi] do sistema imperial japonês, o que está em causa é um problema mais estrutural do que a matrilinearidade ou a patrilinearidade» («Princesa para sempre», Mara Tribuna, «Revista E»/Expresso, 5.06.2026, p. 35). Só prometes o segundo, Porto Editora; precisamos dos dois.

[Texto 23 159]

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Definição: «Dormição»

Falta a explicação


      «El ataque ruso ha provocado importantes daños en la histórica catedral de la Dormición, en Kiev. [...] El Monasterio de las Grutas, cuyo nombre en verdad es el Monasterio de la Dormición de la Madre de Dios, es la fundación monástica más antigua de la Rus' de Kiev. Erigido en la proximidad de la antigua residencia de los príncipes reinantes en Berestovo, fue fundado por Antonio, un monje venido del Monte Atos» («Una bomba al corazón de la Ortodoxia Eslava», Susana Torres Prieto, La Razón, 16.06.2026, p. 22).
      Não é uma suspeita, mas uma certeza: o leigo (em ambos os sentidos da palavra) que consulte os nossos dicionários não vai ficar a saber exactamente do que se trata. Quando um ortodoxo fala da «Dormição da Mãe de Deus» (Koímēsis tês Theotókou), não está a pensar primariamente na Assunção, mas no acontecimento completo: a morte santa de Maria, o seu «adormecimento» e a sua glorificação por Cristo. Valha a verdade que a definição do Houaiss até se aproxima ao esclarecer que a morte de Maria foi apenas um sono, mas estraga um pouco as coisas ao começar por afirmar que foi um intervalo de tempo. Ainda assim, porém, vai mais longe do que outros dicionários. 
      Tudo visto, e aproveitando toda a estrutura da definição da Porto Editora, proponho ➠ dormição RELIGIÃO [com maiúscula] na tradição dos cristãos orientais, morte da Virgem Maria, entendida como um adormecimento no Senhor e seguida da sua glorificação e elevação ao Céu; Assunção.

[Texto 23 158]

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Definição: «interpolação»

Na Índia sabem


      «This is called an extrapolation problem: that is, Al is great at interpolating, or predicting things within the range of what it has seen, but it struggles to predict things far outside of its training data» («Al falls short on extreme weather forecasting», Vasudevan Mukunth, The Hindu, 16.06.2026, p. II). 
      Interpolação e extrapolação. Ora bem, todos temos uma ideia aproximada do que é, sobretudo esta última. Se quisermos saber mais exactamente o que significa a primeira e usarmos o dicionário da Porto Editora, os nossos intentos vão sair frustrados: «MATEMÁTICA processo de achar o valor de uma função entre dois valores conhecidos por um processo diverso da lei que é dada pela própria função». Ena, «por um processo diverso da lei que é dada pela própria função». E o que significa isso? Se perguntarmos a um matemático o que distingue interpolação de extrapolação, ele responderia quase certamente que interpolação consiste em estimar dentro do intervalo dos dados conhecidos e extrapolação, estimar fora desse intervalo. Porque é que um dicionarista quererá complicar isto? 
      Sendo assim, proponho ➠ interpolação MATEMÁTICA processo de achar aproximadamente o valor de uma função para um valor da variável situado entre outros valores da mesma variável para os quais se conhece o valor da função.

[Texto 23 157]

⋅ ── ✩ ── ⋅ 


P. S.: Exemplo simples de interpolação: se às 10h00 a temperatura era de 20 °C e às 11h00 tinha subido para 24 °C, pode estimar-se que às 10h30 rondaria os 22 °C, uma vez que o instante considerado se situa entre dois pontos de referência conhecidos.


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Léxico: «rádio-leitor»

Faz aqui falta


      «Do outro, a ganga preta dos blue collars, da laranjinha e do chinquilho, o rádio-leitor de cassetes no requinte supremo de um qualquer Casal Ventoso circundante longínquo à tal catedral de exposição cornuda, a espreitar ciganas inquietas, a venderem camisolas baratas de lagarto nada original, por Lacoste impenitente» (Quarto Minguante, António Carvalho Martins. Coimbra: Coimbra Editora, 1990, p. 66).

[Texto 23 156]

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Léxico: «gnaisse lewisiano»

Ainda se fosse da Luisiana


      Procuramos «lewisiano» no dicionário da Porto Editora, mas só nos aparece «luisiano», «brevemente disponível». Não tenham pressa, só diz respeito a Luisiânia, no Estado de S. Paulo, ou o que é seu natural ou habitante. Nem sequer todos os dicionários e vocabulários brasileiros o acolhem. Mais falta faz, como subentrada, em «gnaisse», isto  gnaisse lewisiano GEOLOGIA variedade de gnaisse de idade arqueana e paleoproterozóica, considerada uma das rochas mais antigas da Europa, característica das Hébridas Exteriores da Escócia, especialmente das ilhas de Lewis e Harris.

[Texto 23 155]

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Léxico: «avunculado, avunculato»

Pensar em inglês, escrever em português


      «Não é a primeira vez que Gary Oldman fez “Krapp’s Last Tape”, nem é o único Krapp imperdível. Nas últimas décadas tivemos pelo menos três Krapps marcantes em Londres, todos entretanto falecidos. Tive a sorte de ver um deles, Michael Gambon, apropriadamente no dia do meu aniversário (pois na peça Krapp faz anos, ou, como ele diz, “completa” tantos anos). Não vi o Krapp de John Hurt, nem o de Harold Pinter, que o fez certamente como homenagem ao seu amigo Sam. Gambon era “avuncular”, palavra em desuso, fisicamente ameaçador, decrépito» («Oldman Krapp», Pedro Mexia, «Revista E»/Expresso, 5.06.2026, p. 68). 
      Em desuso, isso é certo, mas o problema aqui não é esse. Em português, os dicionários registam apenas a acepção ligada ao parentesco («relativo ao tio» ou «relativo à relação entre tios e sobrinhos»), ao passo que o inglês moderno desenvolveu também a acepção figurada de «afável, protector, com maneiras de tio». Por todos, veja-se o Cambridge Dictionary: «friendly, kind, or helpful, like the expected behaviour of an uncle». Só estaria certo, sem mácula, se Pedro Mexia escrevesse, já não digo toda a crónica, mas pelo menos a frase toda em inglês: «Gambon was avuncular (a somewhat old-fashioned word), physically threatening, decrepit.» 

[Texto 23 154]

⋅ ── ✩ ── ⋅ 


P. S.: Dá-se o caso, para mim, quase sempre feliz, de a Porto Editora não acolher avunculado, avunculato ANTROPOLOGIA sistema de parentesco em que o tio materno ocupa posição de autoridade privilegiada em relação ao sobrinho, sendo frequentemente considerado seu protector, mentor ou herdeiro principal.


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Léxico: «pitom/ pitão/ trava»

Então, são três


     «A la mi-temps, Dassler dévissa les crampons pour les remplacer par d’autres, plus longs, qui permirent ensuite aux joueurs allemands de mieux tenir sur la pelouse et de renverser les Hongrois, invaincus depuis trois ans» («1954: l’innovation, mère de toutes les conquêtes», Laurent Favre, Le Temps, 11.06.2026, p. 17). 
      Também usamos o termo crampom/crampão, mas reservámo-lo para o calçado de montanhismo. Nós usamos pitom/pitão, mas a Porto Editora esqueceu-se de registar o primeiro, seguramente o mais usado, além de que define mal o segundo: «peça cónica ou pontiaguda existente na ponta da frente de alguns sapatos desportivos». Muitos pitons modernos não são cónicos nem pontiagudos: existem modelos cilíndricos, laminares, triangulares, elípticos, em forma de seta, etc. Logo, a forma não é o traço distintivo. Por outro lado, os pitons distribuem-se pela sola. Há pitons na parte anterior e na parte posterior da chuteira. Aliás, os do calcanhar são essenciais para a estabilidade e a tracção. Já quanto a ser «de alguns sapatos desportivos», a formulação parece-me demasiado vaga. O uso normal refere-se sobretudo a chuteiras. Além disso, a expressão «sapatos desportivos» faz pensar em ténis de corrida, de basquetebol ou de ténis, nos quais não se usam pitons. Acresce que, não apenas não acolhe, como vimos, «pitom», como também esquece o sinónimo «trava». 
      Assim, tudo visto e ponderado, proponho para esta acepção ➠ pitom/pitão/trava DESPORTO cada uma das saliências fixadas ou moldadas na sola de algumas chuteiras para aumentar a aderência ao terreno.

[Texto 23 153]

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Léxico: «pteruges»

O equipamento completo


      Fez muito bem aqui um tradutor, e um dos mais criteriosos, em escrever pteruges, assim mesmo, sem itálico. Porque é usado noutros textos, sobretudo de cariz histórico, em português, porque a sequência inicial pte-, embora rara, não nos é desconhecida, e porque faz falta. No nosso imaginário, e talvez ainda mais no meu, que estudei Latim, tinha os manuais, a gramática, os textos de apoio, há três elementos imediatamente associados ao soldado romano: o capacete, as cáligas e os pteruges. Assim, proponho pteruges nome masculino plural HISTÓRIA conjunto de tiras protectoras, geralmente de couro, suspensas da cintura ou dos ombros da armadura dos soldados da Antiguidade, sobretudo romanos, destinadas a proteger as virilhas, as ancas e a parte superior das coxas sem restringir os movimentos.

[Texto 23 152]

⋅ ── ✩ ── ⋅ 


P. S.: Porto Editora, agora, para tudo estar bem, tens de levar a nova definição de «almadraba» para o verbete de «almadrava».


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Léxico: «fotóstato»

Antes das fotocópias


      «Eram fotóstatos de fraca qualidade. A máquina fora ligada com pouca definição, os originais tinham sido enfiados lá dentro à pressa e tortos.» Pois, Porto Editora, não o tens. Assim, proponho ➠ fotóstato 1. aparelho de reprodução fotográfica de documentos, antecessor das modernas fotocopiadoras; 2. cópia fotográfica de um documento ou desenho obtida por meio desse aparelho.

[Texto 23 151]

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Definição: «fasciolose»

Até para se saber do que se trata


      Apareceu-me aqui um carneiro com fasciolose e morreu. Numa tradução, valha-me Deus, não cá em casa. Cá em casa, só tenho o meu gato, prestes a fazer seis anos e agora menos selvagem. Que tem problemas recorrentes na pele, é verdade, mas acaba sempre por se curar. Ora, Porto Editora, se a fasciolose é muito mais frequentemente tratada como problema veterinário do que como problema médico humano, é melhor, até para dizermos mais do que o estrito mínimo, assim ➠ fasciolose MEDICINA, VETERINÁRIA doença parasitária do fígado e das vias biliares causada por tremátodes do género Fasciola.

[Texto 23 150]

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Definição: «cepticismo/pirronismo»

Qualquer assunto não, caramba


      «El primer gran escéptico fue Pirrón de Elis o Élide, que planteó las dificultades del conocimiento, el problema del juicio y muchas otras cosas más de forma pionera. Fundador de esta corriente de larga duración, es una figura fundamental para la escuela escéptica, que pone en duda el criterio y el juicio, y llega a suspenderlo para llegar a la tranquilidad o ataraxia, de manera semejante al estoicismo y al epicureísmo. A lo que anima el escéptico Pirrón es a carecer de turbación y pasiones en un legado que luego reivindicará Sexto Empírico en la edad romana» («Pirrón: que la vida te sea indiferente», David Hernández de la Fuente, La Razón, 15.06.2026, p. 46).
      Tão fundamental, de facto, que «cepticismo» é sinónimo de «pirronismo». Sinónimos, mas se consultarmos os verbetes no dicionário da Porto Editora, vemos que não dizem o mesmo, e a diferença não é formal, mas substancial: em «pirronismo», não encontramos a estranha referência às duas teses opostas. Um pirrónico não diria que duas teses opostas são ambas verdadeiras; diria antes que dispomos de razões de força equivalente para sustentar uma e outra, precisamente o que conduz à suspensão do juízo. A formulação da Porto Editora simplifica excessivamente a doutrina. O núcleo do pirronismo, segundo os especialistas, é a equipolência dos argumentos e a consequente suspensão do juízo, pelo que tem de estar explícito na definição. Mais: não é «sobre qualquer assunto», demasiado absoluto, o que os faria parecer mais totós do que filósofos. Os pirrónicos suspendiam o juízo sobretudo sobre questões não evidentes. 
      Tudo visto, proponho, com remissões mútuas no corpo da definição, ➠ cepticismo/pirronismo FILOSOFIA doutrina do filósofo grego Pírron de Élis (c. 365-275 a. C.), que preconizava a suspensão das opiniões e dos julgamentos perante a dificuldade de alcançar um conhecimento seguro da realidade; fundamenta-se na ideia de que, relativamente a uma mesma questão, podem ser apresentados argumentos de força equivalente em defesa de posições opostas, o que impede uma decisão definitiva sobre a verdade das coisas.

[Texto 23 149]

⋅ ── ✩ ── ⋅ 


P. S.: Também recomendo vivamente que no verbete de «pirrónico» apareça alguma referência ao cepticismo, para o leitor não ter de tentar adivinhar. Podia ser assim: ➠ pirrónico FILOSOFIA relativo a Pírron de Élis (c. 365-275 a. C.), filósofo grego, ou à sua doutrina, o pirronismo ou cepticismo.


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Léxico: «agnático»

Temos de fazer o mesmo


      «Tal como acontece noutras monarquias, o Japão ainda tem a chamada sucessão agnática (que exclui as mulheres do trono). O enredo complica-se porque o país já teve imperatrizes reinantes no passado: oito mulheres soberanas ocuparam o trono até que surgisse um herdeiro masculino, e duas delas repetiram a proeza. Isso foi, porém, entre os séculos VI e XVIII, ou seja, o Japão nunca teve uma imperatriz moderna, nomeadamente nos 79 anos em que a atual Constituição esteve em vigor» («Princesa para sempre», Mara Tribuna, «Revista E»/Expresso, 5.06.2026, p. 33). 
      Se nos ficássemos pela consulta do dicionário da Porto Editora, concluiríamos que estava errado: «relativo a agnatia (ausência congénita do maxilar inferior)». E, efectivamente, dantes não se dizia senão «sucessão agnatícia». Agora, porém, já não é assim, e nos dicionários brasileiros uma das acepções de «agnático» remete para «agnatício». Temos de fazer o mesmo.

[Texto 23 148]

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Léxico: «polvo-comum»

Se é comum, não temos


      «A espécie em causa é o polvo-comum (Octopus vulgaris), nativa das águas britânicas, embora habitualmente observada em números reduzidos. Os especialistas explicam que a conjugação de invernos mais amenos e primaveras mais quentes favorece a sua reprodução, tendência que se tem intensificado devido às alterações climáticas» («Explosão de polvos nas águas do Reino Unido chega à Escócia e preocupa cientistas», Olímpia Mairos, Rádio Renascença, 11.06.2026, 12h51). 
      É verdade que no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora podemos ver um verbete de polvo-vulgar (tradução directa do nome científico), que também está correcto, mas temos de acolher todos os nomes comuns.

[Texto 23 147]

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Definição: «pedra seca»

Chegou a ocasião propícia


      «A arte da construção dos muros de pedra seca, tradicional no Maciço de Sicó, já faz parte do Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI). De acordo com despacho publicado em Diário da República, a inscrição desta técnica foi aprovada pelo Património Cultural, Instituto Público» («Muros de pedra seca no património nacional», Diário de Coimbra, 7.06.2026, 14h01). 
      Como veremos de seguida, «pedra seca» designa duas coisas distintas mas relacionadas, mas na sua definição no dicionário da Porto Editora não se acerta em nenhuma delas: «pedaço de matéria rochosa aplicada sem argamassa na construção de muro, parede, etc.». O nome designa quer a técnica quer o resultado, não o elemento construtivo utilizado. Assim, proponho  pedra seca técnica construtiva que consiste na justaposição e no encaixe de pedras, sem recurso a argamassa ou outro material de ligação, utilizada sobretudo na construção de muros, paredes e estruturas de suporte; construção assim realizada.

[Texto 23 146]

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Léxico: «linha»

Alguma vez tínhamos de olhar para isto


      «É, actualmente, um tratamento de segunda linha, aplicado após o tratamento com imunoterapia contra o cancro urotelial metastático. As recomendações publicadas pela equipa de André Mansinho indicam que devem ser aplicados painéis de testes genéticos o mais cedo possível, mas que, dado ser um tratamento de segunda linha, pode ser avaliado após a primeira linha terapêutica, desde que a resposta seja rápida» («Pode um teste genético acelerar o tratamento do cancro da bexiga?», Tiago Ramalho, Público, 27.05.2026, p. 27). 

      Inglês escondido com rabo de fora, mas, como a ouvimos há décadas e as palavras até são portuguesas, ninguém diz nada — nem os dicionários. Veio claramente do inglês (first-line treatment), mas naturalizou-se com tal facilidade, que já poucos lhes estranham a construção. Está no limbo, como tantas outras. Fazemos uma tentativa? Assim ➠ linha MEDICINA em expressões como «tratamento de primeira linha», «de segunda linha», etc., cada um dos níveis sucessivos de uma estratégia terapêutica, definidos segundo a ordem preferencial de utilização dos tratamentos, medicamentos ou abordagens clínicas disponíveis para determinada doença ou situação médica.

[Texto 23 145]

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Léxico: «marquesano»

Não compramos o anacronismo


      «En el lecho de la agonía lo cuidaban unas jóvenes polinesias y a su lado estaba uno de los antropófagos llorando desconsolado, quien al verlo ya muerto le mordió una pierna para que su alma volviera al cuerpo, según sus ritos. Los indígenas rodearon la cabaña. Vistieron el cadáver a la manera maorí. Lo untaron con perfumes y lo coronaron de flores. Un obispo misionero rescató los despojos para enterrarlos en un cementerio católico. Bajo el jergón Gauguin había dejado solo doce francos en moneda suelta. Eso sucedió en Atuona, el 8 de mayo de 1903, a sus 54 años» («La gloria entre los cocoteros», Manuel Vicent, El País, 13.06.2026, p. 43). 

      O papel do cronista moderno deveria ser o de iluminar o mito de Gauguin, e não o de baralhar a geografia e a antropologia para o leitor: os habitantes são os Marquesanos, não Maoris. E não creio que se possa invocar a licença poética. Isso era o que se pensava e afirmava no tempo de Gauguin, não no tempo de Vicent, que é o nosso, século XXI.

[Texto 23 144]

⋅ ── ✩ ── ⋅


P. S.: Ofereço-to, Porto Editora, com muita amizade ➠ marquesano adjectivo de 2 géneros relativo aos Marquesanos ou às ilhas Marquesas | nome de 2 géneros indivíduo natural das ilhas Marquesas | nome masculino LINGUÍSTICA língua polinésia oriental da família austronésia, falada pelos Marquesanos das ilhas Marquesas, na Polinésia Francesa. | Marquesanos nome masculino plural ETNOLOGIA povo polinésio indígena das ilhas Marquesas, arquipélago da Polinésia Francesa, cuja presença no território remonta a vários séculos antes da chegada dos Europeus. 

      Quanto à etimologia, vem de Marquesas + -iano, sob influência do francês marquisien, «idem».


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Léxico: «justiça transicional / de transição»

Não é por falta de abonações


      «Longtemps journaliste (y compris pour Le Temps), Pierre Hazan s’est par la suite forgé un nom dans la médiation des conflits armés. Œuvrant notamment au sein du Centre pour le dialogue humanitaire, basé à Genève, son travail quotidien consiste à essayer si possible de faire taire les armes, ou à tout le moins d’encourager des formes de justice post-conflit. Une justice “transitionnelle” dans le jargon, susceptible de cicatriser au mieux les plaies afin de ramener de nouvelles chances de coexistence dans des contextes meurtris» («Contre “l’effacement” des Juifs arabes», Luis Lema, Le Temps, 13.06.2026, p. 41).
      Não faltam textos em língua portuguesa em que podemos ler a locução, e por isso está na hora de dicionarizar justiça transicional/ de transição DIREITO conjunto de medidas judiciais e extrajudiciais destinadas a lidar com as consequências de conflitos armados, regimes autoritários ou violações graves dos direitos humanos, promovendo o apuramento da verdade, a responsabilização dos responsáveis, a reparação das vítimas e a reconciliação social.

[Texto 23 143]

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Léxico: «descartabilidade»

Homenagem ao Papa Francisco


      «O momento, embora breve, parecia carregado de simbolismo político quase mítico. Xi e Putin caminhavam em direção à Praça Tiananmen, o centro cerimonial da superpotência emergente e um lugar associado à repressão brutal da dissidência pelo regime chinês. Em 1989, num breve momento de euforia, pareceu que o comunismo chinês poderia fazer parte do passado, abrindo espaço ao nascimento de uma nova possibilidade democrática. Depois chegaram os tanques, anunciando o poder eterno e indivisível do Estado e a total descartabilidade da vida dos seus súbditos» («Quem quer comprar a eternidade?», Mark O’Connell, tradução de Joana Henriques, «Revista E»/Expresso, 5.06.2026, p. 16).

[Texto 23 142]

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O desgraçado verbo «evacuar»

Por exemplo


      O correspondente do Linguagista na cidade do Porto teve de ir ao Hospital de Santo António. Numa sala de espera (ou seria de subespera, que os dicionaristas continuam a ignorar?), reparou que num aviso afixado numa parede com instruções em caso de incêndio usavam erradamente o verbo «evacuar». Lembrou-se de que o assunto já aqui foi tratado várias vezes — mas não as suficientes. Os responsáveis do hospital devem ter seguido os exemplos errados que a Porto Editora indica no respectivo verbete: «Evacuaram da frente os feridos./ Evacuaram-nos para a retaguarda.» Não se evacuam pessoas (embora os prepotentes, os arrogantes que nos querem comer, se o conseguissem, se deixássemos, tivessem de nos evacuar), evacuam-se espaços. O que podemos fazer com as pessoas é transferi-las, mandá-las para outro lado. No caso dos arrogantes, dos prepotentes, mandá-los prò caralho dar uma volta ao bilhar grande.

[Texto 23 141]

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Definição: «bilionário» Léxico: «dongue»

O segredo está na equivalência


      «Elon Musk, el fundador y presidente de Tesla, se convertirá hoy en la primera persona en la historia moderna en acumular un patrimonio superior al billón de dólares gracias al debut en Bolsa de SpaceX» («La salida a Bolsa de SpaceX convierte a Elon Musk en el primer billonario», Jesús Sérvulo González, El País, 12.06.3036, p. 26). 
      Só depois de lermos duas vezes a definição da Porto Editora é que percebemos onde está o erro. Mas erro há. Ora vejamos: «que ou aquele que tem fortuna na ordem dos biliões (de euros, dólares ou outra unidade monetária)». Não resiste à análise. À primeira vista, parece uma definição irrepreensível. Mas basta aplicá-la a uma moeda de grande circulação para surgirem os problemas. Um japonês com um bilião de ienes possui, efectivamente, uma fortuna «na ordem dos biliões» da sua unidade monetária. No entanto, esse montante corresponde apenas a cerca de seis milhões de euros. Ninguém classificaria tal pessoa como bilionária. E o problema torna-se ainda mais evidente se recorrermos ao dongue, a unidade monetária oficial do Vietname. Um bilião de dongues corresponde actualmente a cerca de 33 000 euros. Pela definição da Porto Editora, uma pessoa com um montante equivalente ao preço de um automóvel familiar novo seria bilionária, uma vez que possuiria uma fortuna «na ordem dos biliões» da sua unidade monetária. Absurdo. Logo, a definição é demasiado ampla. 
      Assim, proponho bilionário ECONOMIA que ou aquele cuja fortuna é avaliada em valor equivalente a pelo menos um bilião de euros ou dólares.

[Texto 23 140]

⋅ ── ✩ ── ⋅ 


P. S.: Ah, sim, vamos precisar do dongue ECONOMIA unidade monetária oficial da República Socialista do Vietname desde 1978, representada pelo símbolo ₫.

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Léxico: «dambo | manganja | Manganjas»

Até é mais nosso


      «“Os cientistas não se deixaram abalar pelos atrasos – sempre que ficávamos presos, aproveitavam a oportunidade para pesquisar dambos (campos sazonalmente alagados), florestas pantanosas e zonas húmidas nas proximidades” [Rob Taylor, coordenador da expedição]» («Esta aranha brilha azul e ninguém parece saber porquê (e há mais espécies incríveis para conhecer)», Tom Page, CNN Portugal, 3.06.2026, 10h01). 
      Temos de o acolher, assim dambo GEOGRAFIA depressão pouco profunda, geralmente coberta por gramíneas, juncos e ciperáceas, sujeita a encharcamento ou inundação sazonal, característica de regiões da África Central e Austral, frequentemente situada nas cabeceiras de linhas de drenagem ou em fundos de vale, desempenhando importante papel na alimentação de cursos de água e na conservação da biodiversidade. 
      Quanto à etimologia, vem do inglês dambo, de origem banta, provavelmente do manganja dambo, «zona húmida sazonal; depressão alagadiça».

[Texto 23 139]

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P. S.: Exactamente, Porto Editora, do manganja LINGUÍSTICA dialecto do nianja falado pelos Manganjas ETNOLOGIA povo banto da África Austral, estabelecido tradicionalmente no actual Maláui e em regiões vizinhas de Moçambique, Zâmbia e Zimbabué, historicamente ligado às rotas comerciais do vale do Zambeze e cuja língua pertence ao grupo nianja-cheua.


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Léxico: «joyciano | dantiano | tainiano»

Calmex


      «O humor do joyciano Beckett nunca renegou a vulgaridade, a escatologia, nem o vaudeville, como aquelas calças que caem sem cinto, em “Godot”, mesmo que o cinto tinha sido tirado por razões trágicas» («Oldman Krapp», Pedro Mexia, «Revista E»/Expresso, 5.06.2026, p. 68). 
      Muito curioso... Alguns dicionários, entre os quais o da Porto Editora, prometem dicionarizar brevemente o termo. É uma informação sempre actual: ainda que outro leitor a encontre daqui a seis meses ou a tenha encontrado há três meses. O que estamos habituados a encontrar, e quase todos os dicionários registam, é a variante «joyceano». Mas não temos nós, por exemplo, de Dante «dantiano», e de Comte «comtiano», e de Shakespeare «shakespeariano», e de Taine «tainiano», e de Sade «sadiano»? Pois é. Então, fiquem com esta: o criteriosíssimo VOLP da Academia Brasileira de Letras apenas regista «joyciano».

[Texto 23 138]

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Definição: «almadraba»

Nem uma pálida ideia


      «À frente da Tunipex está Alfredo Poço, figura-chave na recuperação da almadraba em Portugal, uma das mais antigas formas de pesca do Mediterrâneo. Depois do desaparecimento desta tradição no Algarve nos anos 70, Alfredo liderou um projeto que combinou o saber ancestral português com tecnologia e conhecimento japonês, devolvendo a armação de atum ao mar português» («Tunipex», João Rodrigues, «Revista E»/Expresso, 5.06.2026, p. 72). 
      A Porto Editora limita-se a dizer que é a «armação para a pesca do atum», com o que não ficamos propriamente esclarecidos. Dispomos de estudos, mas a própria legislação já é mais elucidativa do que os dicionários. Assim, proponho ➠ almadraba/almadrava PESCA armação fixa constituída por um conjunto de redes fundeadas e compartimentadas, destinadas a interceptar e encaminhar os atuns migradores para um compartimento de captura.

[Texto 23 137]

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Léxico: «rope-jumping»

Tão previsíveis...


      «Uma jovem de 21 anos morreu, este sábado, em São Paulo, depois de ter sido lançada de uma altura de 40 metros durante um salto bungee jumping sem o equipamento de segurança» («Jovem de 21 anos morre após ser lançada sem cordas em “bungee jumping”», Beatriz Pereira, Rádio Renascença, 14.06.2026, 15h14, itálicos meus). 
      Esta era fácil prever: a imprensa, a nossa, pelo menos, ia confundir as coisas. Na realidade, foi rope-jumping. Como já tens aquela, Porto Editora, ficas com esta rope-jumping DESPORTO modalidade que consiste em lançar-se de uma estrutura ou local elevado preso por cordas de escalada ancoradas a um sistema de segurança, descrevendo geralmente um movimento pendular; distingue-se do bungee-jumping por não utilizar uma corda elástica.

[Texto 23 136]

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Léxico: «guilhermino | guilherminismo»

Nos dicionários, nem rasto


      Aqui num romance aparece a descrição de um prédio — feio, pesado, fuliginoso — de arquitectura guilhermina, em Berlim. Os nossos dicionários ainda não chegaram lá, mas não podemos deixar os leitores, os falantes, desamparados, por muito habituados que estejam. Assim, proponho ➠ guilhermino 1. HISTÓRIA relativo ou pertencente ao reinado do imperador alemão Guilherme II (1888-1918) ou ao período histórico, cultural e artístico a ele associado; característico do guilherminismo; 2. ARQUITECTURA diz-se do estilo arquitectónico característico da Alemanha do final do século XIX e do início do século XX, marcado por tendências historicistas, neobarrocas e monumentais.

[Texto 23 135]

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Léxico: «soroneutralização»

Eis uma aplicação


      Fala-se, por exemplo, de microtécnica a propósito da ➠ soroneutralização IMUNOLOGIA técnica laboratorial baseada na neutralização de agentes infecciosos, especialmente vírus, por anticorpos presentes no soro, utilizada para detectar ou quantificar anticorpos neutralizantes.
[Texto 23 134]
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Léxico: «microtécnica | macrotécnica»

Em várias áreas


      «La fédération d’entreprises Acrotec, née il y a 20 ans dans le Jura, est une référence dans les domaines de l’horlogerie et de la microtechnique. Le nouveau directeur, Didier Deltort, arrivé en début d’année, rassure: le bas du cycle semble avoir été atteint» («“Les premiers signes de confiance sont là”», Stéphane Gachet, Le Temps, 11.06.2026, p. 13).
      Termo que nós também temos e usamos em várias áreas, evidentemente, mas que os dicionários ignoram. Assim, proponho microtécnica 1. ramo da engenharia e da indústria dedicado à concepção, fabrico e controlo de componentes, mecanismos e sistemas de reduzidas dimensões e elevada precisão, abrangendo áreas como a micromecânica, a relojoaria, a instrumentação e outras tecnologias miniaturizadas; 2. técnica experimental realizada com pequenas quantidades de amostras e reagentes, geralmente em recipientes ou dispositivos de reduzidas dimensões, utilizada em análises microbiológicas, virológicas, imunológicas e afins.

[Texto 23 133]

⋅ ── ✩ ── ⋅


P. S.: Como também existe a macrotécnica técnica experimental realizada segundo procedimentos laboratoriais convencionais, com quantidades relativamente elevadas de amostras e reagentes; opõe-se a microtécnica.


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Como se escreve por aí

Valha-nos Deus...


      Ao que isto chegou, esta forma de escrever: «Justiça coloca à solta cabecilha do PCC e a mulher» (Magali Pinto, Correio da Manhã, 28.05.2026, p. 14).

[Texto 23 132]

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Léxico: «reichsmark»

E isso de que serve?


      Aqui numa tradução, cuja acção decorre quase toda na Alemanha, vejo o termo reichsmark, que a Porto Editora promete dicionarizar brevemente. Assim sendo, proponho reichsmark ECONOMIA unidade monetária oficial da Alemanha entre 1924 e 1948, subdividida em 100 reichspfennigs. 
      Quanto à etimologia, vem do alemão Reichsmark, «marco do Reich», de Reich, «império; Reich», + Mark, «marco».

[Texto 23 131]

⋅ ── ✩ ── ⋅


P. S.: O Dicionário de Alemão-Português da Porto Editora acolhe o termo Reichsmark: «[moeda alemã em vigor de 1924 a 1948]». Mas então um dicionário bilingue não serve para estabelecer equivalências entre duas línguas? Ora, apresenta uma explicação enciclopédica mínima, mas não uma verdadeira tradução nem uma equivalência lexical. Bastava assim: «Reichsmark s. f. marco do Reich (moeda alemã em vigor de 1924 a 1948).»

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Léxico: «chefe-adjunto | bandeira roxa»

Dupla calha


      Nem fui eu, mas uma tradutora, que precisou aqui de um chefe-adjunto («deputy head», lia-se no original), e acertou em tudo, até na hifenização. Ora, calha bem porque o vejo na calha para ser dicionarizado.

[Texto 23 130]

⋅ ── ✩ ── ⋅ 


P. S.: Oh, Porto Editora, então a época balnear começou no mês passado e ainda não tens todas as bandeiras? Valha-me Deus, que imprudência. Mais uma, a ➠ bandeira roxa (praia) bandeira de cor roxa que indica a presença de organismos marinhos potencialmente perigosos, nomeadamente medusas, alforrecas ou caravelas-portuguesas.


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Léxico: «jejuante»

Toma este


      «O recife surgia logo ali diante. Para lá de um areal feito desse coral, triturado pelos tempos. Vindas da imensidão do Oceano Pacífico, nuvens carregadas e velozes ameaçavam a tranquilidade e a resplandecência matinal. Demasiado ocupados com instalarmo-nos na cabana que nos calhava e, logo, a recuperar energias do despertar ensonado e jejuante, fazemos-lhes pouco caso» («Uma maré, em pleno mar de coral», Marco C. Pereira, «Versa»/Nascer do Sol, 22.05.2026, p. 30).

[Texto 23 129]

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Léxico: «petrino»

É outro Pedro


      «O Papa rezou o terço junto da antiga e famosa Imagem da Virgem com o Menino. No final da oração, manifestou a sua alegria por ter vindo aos pés da Virgem negra “confiar-lhe o meu serviço petrino e a missão da Igreja no mundo que clama pedindo justiça e paz”» («Abadia de Monserrat: Papa confia à Virgem o seu serviço petrino e a missão da Igreja pela paz», Aura Miguel, Rádio Renascença, 10.06.2026, 12h55).
      Só te esqueceste do czar Pedro, o Grande (ou, como também é possível e por vezes uso, Pedro-o-Grande). Assim, proponho ➠ petrino 3. HISTÓRIA relativo a Pedro I da Rússia, dito Pedro, o Grande (1672-1725), ao seu reinado ou ao conjunto das reformas políticas, administrativas, militares, económicas e culturais por ele promovidas no processo de modernização e ocidentalização do Estado russo.

[Texto 23 128]

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Mais um deus, e David Hockney

Talvez o dos cientistas


      «Mas este é o primeiro mundial da era da Inteligência Artificial (IA) generativa. Os vários modelos, que há quatro anos estavam a nascer, como o ChatGPT, o Gemini e o Claude, têm sido usados das mais diversas maneiras para prever os resultados. Baseiam-se nas séries de dados estatísticos de cada equipa, olhando sobretudo para o comportamento recente («Quem vai ganhar o Mundial?», Carlos Fiolhais, Correio da Manhã, 9.08.2026, p. 2). 
      Um novo deus, a IA, e por isso até um cientista lhe grafa o nome em maiúsculas. É o que temos.

[Texto 23 127]

⋅ ── ✩ ── ⋅ 



P. S.: E por falar em Deus: acabei de saber que David Hockney, uma das figuras mais influentes da arte contemporânea, morreu ontem, em Londres, aos 88 anos. Vejamos o que diz a Infopédia, que ainda não actualizou a entrada: «Artista plástico inglês, nascido em 1937, em Yorkshire, na Inglaterra, associado à fundação da Arte Pop britânica. Na primeira metade dos anos 60 adotou a fotografia como meio de expressão artística. Nesta linha, as imagens de Hockney são compostas por colagens de diversas fotografias instantâneas (Polaroids) em painéis, criando obras que utilizam elementos cubistas. Hockney vive em Londres e Los Angeles, onde mantém ainda uma intensa atividade artística.»
      Hockney quase reduzido à fotografia e às colagens fotográficas, quando ele foi um dos artistas mais influentes da segunda metade do século XX e do início do século XXI? Não pode ser. Falhei a exposição dele na Fundação Louis Vuitton, no ano passado, mas incentivei a minha filha a ir. Uma entrada não muito mais extensa mas mais precisa diria qualquer coisa como isto: «David Hockney. Artista plástico britânico, nascido em 1937, em Bradford, Yorkshire, e falecido em 2026, considerado uma das figuras mais importantes da Arte Pop britânica e da arte contemporânea. Ficou conhecido pelas suas pinturas de cores vivas inspiradas na Califórnia, em particular as célebres representações de piscinas, bem como pelos retratos e paisagens. Trabalhou igualmente em desenho, gravura, fotografia, cenografia e arte digital, destacando-se pela experimentação técnica e pela reflexão sobre a representação do espaço e da perspectiva. É considerado um dos artistas britânicos mais influentes da segunda metade do século XX e do início do século XXI.»

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Blá-blá-blá, blá, blá, blá

Porque não é o mesmo


      Vejo muitas vezes, sobretudo em traduções, «blá, blá, blá», quando os dicionários só acolhem o nome «blá-blá-blá». Mas estarão os lexicógrafos a ver bem? Considere-se esta frase: «Tendo em conta a posição preeminente do camarada do partido ***, blá, blá, blá, o caso foi reclassificado como um assunto de segurança interna.» Pretende ser o resumo de uma conversa que alguém teve. Ali, não significa «conversa inútil, sem grande conteúdo» (na definição da Porto Editora), «palavreado», nem desempenha nenhuma função sintáctica nominal. O narrador está simplesmente a omitir uma parte do discurso burocrático, substituindo-a por uma imitação depreciativa do que foi dito. É claramente uma zona cinzenta da língua que ninguém quis tratar até hoje. Uma área crítica. Se fosse fácil, já estava feito. Ou não, dado o incalculável número de omissões que aqui temos comprovado e procurado sanar. Não é, contudo, por ser difícil que vamos ficar de braços cruzados. Assim, proponho blá-blá-blá nome masculino conversa ou discurso considerado vazio, enfadonho, repetitivo ou desprovido de conteúdo relevante; palavreado; 2. interjeição (geralmente grafada «blá, blá, blá») usada para representar, resumir ou omitir ironicamente um discurso, uma explicação ou uma sequência verbal considerados irrelevantes, enfadonhos ou previsíveis.

[Texto 23 126]

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Léxico: «calmex»

Até é mais usado


      «O meu pai resmungou qualquer coisa que eu não percebi, perguntou se o jantar estava pronto, ao que a minha mãe respondeu “calmex, que ainda agora aqui cheguei” e ele acabou por se sentar no sofá, murmurando que odeia que a minha mãe diga “calmex”, porque lhe faz lembrar o “simplex”, que eu acho que é uma coisa que o governo fez para simplificar a vida mas que parece complicá-la ainda mais» (A Vida nas Palavras de Inês Tavares, Alice Vieira. Alfragide: Editorial Caminho, 2010, p. 62).
      Custa a crer que não esteja no dicionário da Porto Editora, quando lá encontramos, por exemplo, o malcriado «fónix», que eu jamais usei. «Calmex», ainda hoje.
[Texto 23 125]

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Definição: «enfermeiro-mor»

Que não era enfermeiro


      Pergunta-me o leitor R. A. se não acho a definição de «enfermeiro-mor» do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora demasiado pobre. Respondo que sim, pois diz assim: «antiquado responsável pela administração e gestão de certos hospitais». É fácil pensar que o enfermeiro-mor foi uma figura desaparecida há séculos, sobretudo quando a Porto Editora classifica o termo como antiquado. Na realidade, trata-se de um cargo de evolução histórica complexa, documentado desde o século XVI no Hospital Real de Todos-os-Santos, em Lisboa, e que subsistiu, com diferentes atribuições e enquadramentos institucionais, até à década de 1970. Embora a designação possa sugerir uma função ligada à prestação de cuidados de enfermagem, o enfermeiro-mor era, em regra, a principal autoridade administrativa e dirigente do hospital. O último titular do cargo foi Carlos George (1893-1978), médico e administrador hospitalar, pai de Francisco George, antigo director-geral da Saúde. 
      Tudo visto, proponho ➠ enfermeiro-mor HISTÓRIA dirigente máximo de certos hospitais de Lisboa, responsável pelo seu governo, administração e fiscalização; principal autoridade hospitalar.

[Texto 23 124]

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Léxico: «paladiano | palladiano»

Grande lacuna


      «El testamento era extraordinario. Dejó dinero a St. Bartholomew’s Hospital de Londres, a la University College, a familiares y conocidos. Y cuarenta mil libras para que se construyera en Oxford una biblioteca. Los fideicomisarios tardaron más de veinte años en ponerse de acuerdo sobre el diseño y la ubicación. El encargo recayó en James Gibbs, que levantó la primera biblioteca circular de Inglaterra, una obra de arquitectura paladiana que hoy es el símbolo visual de Oxford por encima de cualquier otro edificio. Desde 1861 funciona como sala de lectura de la Bodleian Library» («John Radcliffe y la biblioteca del hombre que no leía», Sonsoles Costero-Quiroga, La Razón, 9.06.2026, p. 68). 
      Aparece em bilingues da Porto Editora, mas não onde deve estar, por isso, proponho ➠ paladiano ou palladiano ARQUITECTURA relativo ou pertencente a Andrea Palladio (1508-1580), arquitecto renascentista italiano, à sua obra ou às teorias arquitectónicas por ele formuladas; relativo ou pertencente à corrente arquitectónica inspirada nos seus princípios.

[Texto 23 123]

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Léxico: «santarrão»

No cerne, a hipocrisia


      «Os protagonistas da obra [A Scandal in Königsberg] são Johann Wilhelm Ebel e Georg Heinrich Diestel. Ambos eram pregadores luteranos que atuavam em Königsberg. Eram figuras carismáticas, mas que flertavam com uma religiosidade mais popular, na linha do pietismo. A “intelligentsia” prussiana via esse tipo de movimento com desconfiança. Seus seguidores ganharam o apelido de Muckers, palavra alemă que pode ser traduzida como santarrões» («Um escândalo em Königsberg», Hélio Schwartsman, Folha de S. Paulo, 7.06.2026, p. A3).
      É mais ou menos assim: Mucker não implica necessariamente hipocrisia, ideia que está no cerne do nosso «santarrão». Mas esse não é problema nosso. O objectivo deste texto, Porto Editora, é chamar-te a atenção para o facto de «santarrão» ser adjectivo e substantivo.

[Texto 23 122]

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Definição: «subproletariado»

Já se autonomizou


      Aqui em certo texto, Simone Weil fala no subproletariado, que a Porto Editora define assim: «POLÍTICA, SOCIOLOGIA segundo a doutrina marxista, camada social do proletariado que vive na miséria e que se caracteriza pela ausência da consciência de classe». 
      Não concordo nada, nadinha mesmo, pois que o termo já circula em textos sociológicos, jornalísticos e até políticos sem dependência explícita dessa moldura. Assim, proponho ➠ subproletariado POLÍTICA, SOCIOLOGIA camada social situada abaixo ou à margem do proletariado, caracterizada por condições de vida precárias, inserção instável ou inexistente no mercado de trabalho e fraca integração económica e social; por extensão, conjunto de indivíduos em situação de marginalidade ou exclusão estrutural. 
      Em certos contextos teóricos, em especial de tradição marxista, aproxima-se do conceito de «lumpenproletariado», podendo incluir a ideia de ausência de consciência de classe.

[Texto 23 121]

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Definição: «tigre-da-tasmânia»

Pois, mas porquê tigre?


      «El último tigre de Tasmania murió en el zoológico de Hobart, Australia, en 1936. Fue hace 90 años. [...] Fue el carnívoro marsupial más grande del mundo. Lo llamaron tigre por las rayas en la parte posterior de su cuerpo, su linaje estaba emparentado con el de los canguros, aunque su cráneo era parecido al del lobo» («El tigre de Tasmania», Javier Cancho, La Voz de Galicia, 7.06.2026, p. 37). 

      Esta é uma das características relevantes que os nossos dicionários omitem. Uma, não a única. Assim, proponho ➠ tigre-da-tasmânia ZOOLOGIA (Thylacinus cynocephalus) espécie de marsupial carnívoro, a maior dos tempos modernos, outrora distribuída pela Austrália, Nova Guiné e Tasmânia, de aspecto semelhante ao de um cão ou lobo, com cauda longa e rígida e pelagem castanho-amarelada, apresentando na região posterior do dorso listas escuras semelhantes às de um tigre; o último exemplar conhecido morreu em 1936; lobo-da-tasmânia, tilacino.

[Texto 23 120]

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Léxico: «peelista»

Se existe, temos de o acolher


      «Em geral, quando PL e PT se colocam do mesmo lado numa matéria legislativa, estamos diante de uma conspiração contra o interesse público. O que mais frequentemente motiva a união das duas legendas antagônicas são as pautas corporativistas. Testemunhamos isso alguns dias atrás, quando peelistas, petistas e deputados de siglas do centrão se juntaram para aprovar na Câmara um projeto que alivia punições a partidos políticos que cometeram irregularidades. Mas “em geral” não é sinônimo de “sempre”» («Uma aposta improvável», Hélio Schwartsman, Folha de S. Paulo, 27.05.2026, p. A5).

[Texto 23 119]


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Léxico: «ribamourês | sassarês»

Um já nós temos


      «A terceira edição do Festival Internacional de Teatro em Línguas Minoritárias (Língua) vai decorrer de 05 a 07 de julho, em Barcelos, com apresentações em mirandês, minderico, ribamourês, basco e asturiano, foi hoje anunciado. [...] Nas duas primeiras edições do Língua, passaram por Barcelos espetáculos em mirandês, galego, estremenho, sassarese, crioulo cabo-verdiano, darija e língua gestual portuguesa» («Em Barcelos vai falar-se mirandês, minderico, ribamourês, basco e asturiano», O Minho/Lusa, 27.05.2026, 11h52).

[Texto 23 118]

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Definição: «astrologia»

A receita aplicada à homeopatia


      «A astrologia deveria estar em museus e livros de história, não no dia a dia das pessoas. A avaliação é de Carlos Orsi, 55, autor do livro “What Science Says About Astrology” (o que a ciência diz sobre astrologia), lançado neste mês em inglês nos EUA. [...] No livro, Orsi afirma que a astrologia está ligada a uma forma de pensar que minimiza o papel da lógica, da evidência e do pensamento crítico, deixando pessoas vulneráveis à manipulação e à exploração. Além de motivar decisões importantes com base em afirmações falsas, a astrologia tem propiciado o surgimento de formas de discriminação» («Astrologia é pseudociência e não deveria estar no dia a dia das pessoas, diz novo livro», Ramana Rech, Folha de S. Paulo, 31.05.2026, p. A35). 
      Ora, a Porto Editora, e não é a única, apresenta assim a astrologia: «estudo das posições e características dos astros no sentido de determinar a sua influência no destino e no comportamento das pessoas, bem como em fenómenos naturais». Uma coisa é um dicionário não emitir juízos de valor; outra é adoptar, sem distância crítica, a autodescrição de um movimento, doutrina ou prática. Não precisamos de lhes chamar aldrabões: hoje em dia, muitos dicionários de referência já incorporam essa informação. Por exemplo, vários dicionários ingleses usam expressões como «belief that...», evitando apresentar a astrologia como um conhecimento validado. 
      Podemos e devemos ser ainda mais claros, assim ➠ astrologia crença e conjunto de práticas baseadas na alegada influência dos astros sobre a personalidade, o destino e os acontecimentos humanos, recorrendo à interpretação das suas posições e movimentos para formular previsões ou caracterizações; considerada uma pseudociência pela comunidade científica.

[Texto 23 117]

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Léxico: «princípio de Peter»

Todos conhecemos exemplos


      «El libro confirma que la animadversión entre los políticos tories nunca llegó a superarse. Johnson, que presenta a May como el mejor ejemplo del principio de Peter —según el cual las personas tienden a ser ascendidas hasta alcanzar su nivel de incompetencia—, critica su decisión de convocar elecciones generales en el 2017, apenas unos meses después de la consulta del brexit» («Boris Johnson reaparece tras 10 años del «brexit»,  Juan Francisco Alonso, La Voz de Galicia, 7.06.2026, p. 27).
      É talvez a formulação mais elegante e memorável do princípio de Peter: a ideia de que «as pessoas tendem a ser promovidas até atingirem o seu nível de incompetência». Encontra-se há décadas em obras de gestão, sociologia, economia, administração pública e até no discurso jornalístico. Merece claramente estar nos dicionários, o  princípio de Peter SOCIOLOGIA DAS ORGANIZAÇÕES teoria segundo a qual, numa hierarquia, cada indivíduo tende a ascender até atingir o seu nível de incompetência.
[Texto 23 116]

P. S.: O conceito foi formulado pelo pedagogo e especialista em administração canadiano Laurence J. Peter (1919-1990), em colaboração com Raymond Hull (1919-1985), e divulgado na obra The Peter Principle (1969).


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Léxico: «transportador»

Todos transportam


      «Um foguetão da Blue Origin explodiu esta quinta-feira à noite, no Centro Espacial Kennedy, na Florida. A empresa de Jeff Bezos faz parte dos planos da NASA para a exploração da Lua, e foi escolhida para a primeira fase da construção de uma base lunar. A empresa afirmou ter sofrido “uma anomalia” durante o teste aos motores realizado na plataforma de lançamento. Ninguém ficou ferido, mas o local terá sofrido danos graves — indica o Financial Times —, incluindo em equipamentos cruciais como o transportador dos foguetões para a plataforma e a torre da plataforma» («Foguetão da Blue Origin sofre “anomalia” explosiva. Planos da NASA para a Lua em risco», João Pedro Quesado, Rádio Renascença, 29.05.2026, 11h28). 
      Pois, não está é nos dicionários. Então não é o famoso crawler-transporter, de que eu, quando era pequeno, queria vir a ser condutor? Olha, Porto Editora, o transportador da tua 2.ª acepção é que ninguém lhe põe os olhos em cima há muito tempo. Não sei se chegou aos anos 2000. Pior: esse profissional era designado litógrafo-transportador, não meramente transportador. Bem, para os amigos, lá em casa, talvez. Na folha de vencimento, lá vinha a categoria ➠ litógrafo-transportador ARTES GRÁFICAS profissional da litografia responsável pela preparação de chapas fotográficas e pela transferência de matrizes ou positivos fotográficos para chapas de impressão por processos químicos ou por exposição luminosa; executa ainda operações de revelação, fixação, retoque e correcção das chapas, podendo, nos processos tradicionais, trabalhar sobre pedra litográfica. 
      Quanto ao da notícia, é este ➠ transportador equipamento móvel destinado ao transporte de cargas de grandes dimensões no interior de instalações industriais, portuárias, mineiras ou aeroespaciais.

[Texto 23 115]

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Definição: «bólide»

À luz da ciência

 

      «Experts often call these objects bolides. A bolide is an exceptionally bright meteor that breaks apart or explodes in the earth’s atmosphere. These objects are originally small pieces of rock or metal in space that, after a close encounter with the earth, enter the atmosphere as meteors. As such a meteor falls, the air in front becomes compressed and heated, causing it to glow and produce a bright streak of light across the sky. Most meteors are very small and burn up completely before reaching the ground. However, larger ones can survive for longer. If they become bright enough, they become fireballs. And if they fragment violently and release a large amount of energy, astronomers often call them bolides» («Bolides: fireballs going boom», Vasudevan Mukunth, The Hindu, 3.06.2026, p. II).
      Bólide, que a Porto Editora define assim: «1. ASTRONOMIA grande bloco de matéria cósmica que se fragmenta na atmosfera terrestre e origina aerólitos, meteoritos ou uranólitos, que caem para a Terra, na forma de globos brilhantes que por vezes deixam um rastro luminoso; 2. ASTRONOMIA estrela-cadente que chega muito próximo da superfície terrestre». Não me perguntem porque tem duas acepções. Não encontrei nenhum dicionário a distinguir duas acepções astronómicas separadas, como faz a Porto Editora. Pelo contrário, tratam «bólide» como um único fenómeno astronómico. Não acrescenta nada de útil e, pior, introduz uma ideia errada: um bólide não é um meteoro que «chega muito próximo da superfície terrestre». O critério definidor é o brilho excepcional. Tanto pode extinguir-se a 80 km de altitude como explodir a 30 km ou produzir meteoritos que atinjam o solo. Podíamos analisar um a um os problemas de que padece a definição, mas refiro apenas o primeiro e mais grave, que é confundir o bólide com o objecto material.
      Assim, proponho  bólide ASTRONOMIA meteoro excepcionalmente brilhante, produzido pela entrada na atmosfera terrestre de um meteoróide relativamente grande, podendo fragmentar-se ou explodir durante a sua passagem e, por vezes, originar meteoritos.
[Texto 23 114]

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Léxico: «narratologista»

Lido e ouvido

 

      Então, assim que me esteja a lembrar, a última vez que ouvi a palavra «narratologista» foi na penúltima quinta-feira à noite, no programa O Que é um Clássico?, que contou com Álvaro Gonçalves, tradutor de Kafka, e Gonçalo M. Tavares. Falaram sobretudo de Kafka. Disse Álvaro Gonçalves: «Não sei se conhecem aquele famoso narratologista americano, Wayne C. Booth, que criou o conceito de reliable e unreliable. E esta germanista inglesa utiliza essa expressão, unreliable. Portanto, de repente, o narrador acaba por ser não confiável. Portanto, não se pode confiar. Aliás, Kafka é conhecido por ter produzido narradores em quem não se pode confiar.» 
      Foi, de facto, Booth (1921-2005) quem cunhou o termo unreliable narrator no seu livro de 1961 The Rhetoric of Fiction. A citação mais referida encontra-se nas páginas 158-59 da segunda edição: o narrador é considerado reliable (confiável) quando fala ou age de acordo com as normas da obra, e unreliable (não confiável) quando não o faz.
[Texto 23 113]
 

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Léxico: «montenegrino»

Também nome da língua

 

      O nosso primeiro-ministro esteve na semana passada na estância balnear de Tivat, no Montenegro, onde decorreu mais uma cimeira entre a União Europeia e os Balcãs Ocidentais. Não sabemos é se Luís Montenegro sabe que o montenegrino também é o nome da língua. Os dicionários omitem-no. Independentemente da discussão linguística sobre ser uma língua autónoma ou uma norma nacional de uma língua policêntrica, montenegrino enquanto nome de língua existe, é oficial e é usado em legislação, ensino, censos e organismos internacionais. Assim, proponho  montenegrino LINGUÍSTICA língua eslava meridional, oficial do Montenegro desde 2007, escrita nos alfabetos latino e cirílico; constitui a norma-padrão usada naquele país e assenta no mesmo sistema dialectal que deu origem ao sérvio, ao croata e ao bósnio.
[Texto 23 112]

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