29.7.26
Pardon, Monsieur Réard !
[Texto 23 363]
Pardon, Monsieur Réard !
[Texto 23 363]
Na verdade, acampamento
[Texto 23 358]
Vamos reagir
[Texto 23 273]
Sem esse elo, nada feito
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Ninguém o defende
A Porto Editora está claramente a navegar na maionese ao indicar «puto» como étimo de «puta». Não conheço um único estudo etimológico de referência que sustente essa derivação. E não faltam estudos: trata-se de uma palavra comum a várias línguas românicas — português, espanhol, catalão, francês, italiano, entre outras —, com uma longa história e uma forte carga social e cultural, que há muito suscita o interesse de linguistas, filólogos e historiadores da língua. A hipótese mais geralmente aceite faz remontar o vocábulo ao latim vulgar *putta («rapariga; moça»), embora a etimologia continue a ser discutida.
[Texto 23 238]
Acabamos em harmonia
«La pression monte pour que le chanteur Patrick Bruel, mis en cause par des femmes qui l’accusent d’agressions, renonce à donner des concerts. Le mot vient de l’italien concerto, qui signifie “accord”. On ne peut pas dire qu’il y en ait un autour de la question de savoir si l’artiste doit poursuivre son activité ou l’interrompre – à titre conservatoire» («Concert», Étienne de Montety, Le Figaro, 23.05.2026, p. 38).
O mesmo é dizer que temos muito por onde melhorar a nota etimológica de «concerto», sem nos limitarmos a afirmar que vem «do italiano concerto, “idem”». De facto, por detrás está a ideia de acordo, harmonia. Não temos nós, por exemplo, a locução prepositiva «em concerto com»? Lá que os dicionários não a registem é outra coisa. Assim, proponho ➠ do italiano concerto, «acordo, harmonia; composição musical», derivado de concertare, «harmonizar, ajustar, combinar», do latim concertare, «disputar; rivalizar; concertar».
[Texto 23 058]
Porque mostra
«La mise en vente d’une montre exceptionnelle a provoqué ce week-end des débordements dans certains magasins. Le mot vient du latin populaire monstrare, qui signifie désigner, indiquer. C’est pourquoi on a ainsi qualifié le cadran: il montre l’heure» («Montre», Étienne de Montety, Le Figaro, 19.05.2026, p. 32).
É como se Étienne de Montety nos estivesse a incentivar a completarmos, finalmente, a nota etimológica de «montra», Porto Editora, não achas? É o que nós fazemos assim ➠ do francês montre, «vitrina», do francês antigo mostre, derivado do latim vulgar monstrare, «mostrar, indicar».
A «montre exceptionnelle» não é um relógio excepcional no sentido relojoeiro estrito, como seria um Patek Philippe Grand Complication ou um Audemars Piguet de alta complicação, mas antes um objecto de desejo produzido em série limitada, com enorme carga simbólica e mediática. O texto explora precisamente isso: a peça torna-se uma montra social.
[Texto 23 016]
Afinal...
«Pour la deuxième année consécutive, le Paris Saint-Germain s’est qualifié pour la finale de la Ligue des champions. Le mot vient du latin finis, qui désigne la frontière : celle qui sépare une bonne équipe d’une équipe légendaire» («Finale», Étienne de Montety, Le Figaro, 8.05.2026, p. 32).
Na etimologia, a Porto Editora pensa que resolve sempre tudo com «idem». E isso é particularmente absurdo aqui, porque «final» tem uma família lexical e semântica riquíssima, perfeitamente explorável numa nota etimológica minimamente cuidada. Assim, proponho ➜ do latim finālis, e, «relativo ao fim, terminal», derivado de finis, «fim, limite, fronteira».
[Texto 22 951]