Definição: «planeta»

Não acertam nos requisitos


      Jared Isaacman, administrador da NASA, durante uma audiência no Senado norte-americano na terça-feira passada, disse que era convictamente da equipa Make Pluto a Planet Again. Na sequência dessa afirmação, vários meios de comunicação pegaram no assunto e relembraram os três requisitos para se considerar que estamos perante um planeta. Na formulação do terceiro nem todos acertam. Como tão-pouco acertam os nossos dicionários. A Porto Editora, por exemplo, define assim planeta: «corpo celeste sem luz própria e com gravidade suficiente para ter uma forma quase esférica, que se move numa órbita elíptica em redor de uma estrela, não tendo outros corpos celestes na sua vizinhança orbital». Se estou a ver bem as coisas, nenhum planeta «não tem» outros corpos na vizinhança; a Terra, por exemplo, tem asteróides próximos. O critério da União Astronómica Internacional, datado de 2006, não é de ausência, mas de domínio gravitacional. Está bem, já que insistem: não é só isso, a definição apresenta outros problemas. Todas as órbitas são elipses em sentido lato, mas a definição da União Astronómica Internacional não exige essa especificação. Assim, proponho ➜ planeta ASTRONOMIA corpo celeste que orbita uma estrela, sem emissão significativa de luz própria por fusão nuclear; possui massa suficiente para atingir o equilíbrio hidrostático, adquirindo forma aproximadamente esférica; exerce domínio gravitacional na sua órbita, tendo removido, capturado ou subordinado dinamicamente a maioria dos corpos de massa comparável na sua vizinhança orbital.

[Texto 22 916]

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