Léxico: «ciclogénese»

Talvez não seja assim

      «Mas o que marcou janeiro foram os ventos que por todo o País arrancaram milhares de árvores. A tempestade ocorreu “devido a uma depressão centrada a oeste da Corunha, que sofreu um processo de ciclogénese explosiva”, explica o IPMA no boletim climatológico sobre o inverno, sendo que ocorreram rajadas superiores a 100 km/hora em quase todo o território e 140 km/hora no Cabo Carvoeiro» («Inverno que acaba hoje foi mais frio do que o normal», Patrícia Jesus, Diário de Notícias, 20.03.2013, p. 16).
      De acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, «ciclogénese» — que é o «processo de desenvolvimento ou intensificação de um ciclone» — é termo usado no Brasil. Talvez não seja. E, curiosamente, não está no Dicionário Houaiss.
[Texto 2705]
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Como se escreve nos jornais

Apesar do título

      «A notícia segundo a qual o jovem “baleado” na Bela Vista (Setúbal) não foi afinal baleado, confirmada em comunicado pela Procuradoria-Geral da República, é um twist interessante, que aproxima o caso de uma narrativa de ficção. O problema é que, com as narrativas de ficção, nunca está definitivamente esgotada a possibilidade de novo twist» («‘Come on, let’s twist again’», Joel Neto, Diário de Notícias, 20.03.2013, p. 52).
     Qual é o objectivo — não ser compreendido pela maioria dos leitores? Força, está no caminho certo.

[Texto 2699]
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Como se escreve nos jornais

O culminar

      «Falhas só mesmo as palavras que o jogo [Apalavrados] não reconhece e que se espera que o concurso de TV admita. “Não assume interjeições e há expressões que aceita e não sei bem porquê. Nesse aspeto não é perfeito”, colmata a jornalista [Rita Marrafa de Carvalho]» («Da Internet à televisão: acorrentados às palavras», Ana Filipe Silveira, Diário de Notícias, 20.03.2013, p. 51).
      Se a primeira jornalista, a entrevistada, errou ao dizer que o jogo «não assume interjeições», a segunda, a entrevistadora, não acertou quando confundiu «colmatar» com «rematar».
[Texto 2698]
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Sobre o verbo «explodir»

Quão moderno?

      «Quinze minutos antes, aparentemente os mesmos dois assaltantes chegaram de moto à estação de serviço da Galp na Estrada da Torre, em Cascais, e explodiram com a ATM» («Explodiram ATM e fugiram de moto», R. C., Diário de Notícias, 20.03.2013, p. 26).
      Embora haja dicionários, e não são poucos, a dizerem o contrário, para mim o verbo «explodir» é apenas intransitivo, pelo que diria «fizeram explodir a ATM». (Anota Rebelo Gonçalves no seu Vocabulário da Língua Portuguesa: «Inexacta a forma explosir, empregada por Camilo.» Mas explosir é de etimologia popular, e alguns estudiosos da língua não condenaram o seu uso. Agora, porém, nada disto interessa, porque já ninguém conhece esta variante.)
[Texto 2697]
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«Léxico cinco vezes inferior»

Vamos ler para confirmar

      «Este livro está muito bem escrito. Porque é tão raro ler-se esta qualidade atualmente?», pergunta, na entrevista hoje publicada no Diário de Notícias, João Céu e Silva a Francisco José Viegas, que responde: «Tal como o cinema busca a imagem certa em cada fotograma, também na literatura deveria haver mais preocupação com a língua e com as possibilidades que dá. Assusta-me comparar o Mau Tempo no Canal com um romance contemporâneo, onde o léxico é cinco vezes inferior. Nemésio não diz árvores, refere que são pinheiros ou plátanos. Perdeu-se vocabulário e até a noção do que é um romance clássico português. Parece que a nossa literatura não tem história e que vem diretamente de Faulkner ou de Gogol» («“É o diabo quando acordamos o moralista que existe em nós”», Francisco José Viegas entrevistado por João Céu e Silva, Diário de Notícias, 20.03.2013, p. 49).
     Numa caixa, ainda se lê: «Para o autor, O Colecionador de Erva (Porto Editora) pode ser uma paródia ao policial, mas é um livro em que o leitor vai reencontrar a arte de escrever bem a língua portuguesa e a exigência de ler 305 páginas de uma só vez.»
[Texto 2696]
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AOLP90 à força

Distracções inoportunas

      «Por razões que não vêm muito ao caso, nem têm qualquer importância especial, tive de passar o fim de semana em regime de internamento hospitalar. Isso permitiu-me ler de fio a pavio uma série de jornais, revistas e suplementos e pensar com um pouco mais de antecedência no meu artigo habitual para esta coluna. Na verdade, só me costumo premeditar de indignação quanto se trata do Acordo Ortográfico...» («‘De amicitia’», Vasco Graça Moura, Diário de Notícias, 20.03.2013, p. 54).
      No fim da crónica, pode ler-se: «Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico». Mas não foi suficiente para o malvado do revisor deixar de aspar os hífenes. Agora outra coisa: não é estranha aquela construção ali: «só me costumo premeditar de indignação»?

[Texto 2695]
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Sr. Vírgulas

Malogrou-se-me a oportunidade

      «Segundo a edição digital do próprio diário, a entrevista do jovem André Fontaine, na altura com 26 anos, foi feita pelo rigoroso chefe de redação Robert Gauthier, conhecido como “Sr. Vírgulas”» («O diretor que salvou o ‘Le Monde’ da crise financeira», M. R., Diário de Notícias, 19.03.2013, p. 43).
      Gostava de ter trabalhado com o Sr. Vírgulas («redoutable “Monsieur virgules”», lê-se no Le Monde). Trabalhou com ele o malogrado jornalista. Eu só trabalhei com o revisor antibrasileiro.
[Texto 2694] 
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«Malogrado jornalista»

Infeliz jornalista

      Sobre André Fontaine: «Ligado à publicação durante 60 anos da sua vida, o malogrado jornalista, que morreu este domingo em Paris, com 91 anos, desempenhou as mais variadas funções no jornal, desde os cargos de repórter, chefe de redação e até... diretor» («O diretor que salvou o ‘Le Monde’ da crise financeira», M. R., Diário de Notícias, 19.03.2013, p. 43).
      «O malogrado jornalista»... Era para escrever «foda-se», mas vá: c’um caraças! Morreu com 91 anos e é «o malogrado jornalista»? «Malogrado» é para os que morrem jovens, não para os que partem com quase um século. Haja decoro.
[Texto 2693]
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Sobre «pálio»

Como é?

      «O cardeal protodiácono Jean-Louis Tauran traz o pálio — usado por cima das vestes em redor do pescoço — e o anel do Pescador, símbolos do líder da Igreja Católica» (Diário de Notícias, 19.03.2013, p. 27).
      Enganam-se: não vou desancar no «líder». O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista para pálio «distintivo eclesiástico (faixa branca de lã com cruzes pretas) que o papa concede aos arcebispos e a alguns bispos». Mas o pálio é o distintivo litúrgico típico do sumo pontífice. Que avancem os vaticanistas e nos expliquem.
[Texto 2692]
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«Electrão livre», versão escatológica

Com a verdade m’enganas

      Não sei se vos chegou algum eco do lapso — ou da ignorância ou que merda foi — da actriz francesa Véronique Genest, agora lançada na política, que num programa de televisão em directo, o C à Vous, declarou que era «une sorte d’étron libre» — em português, «uma espécie de cagalhão livre».

[Texto 2691]
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«Associé», de novo

Subtilezas ou a sua ausência

      «“Ele tinha a paixão de defender, era um dos melhores para defender os outros, mas não para se defender dos seus próprios demónios. É triste que alguém tão talentoso como ele não tenha conseguido encontrar os recursos para se defender a si próprio de si próprio”, afirmou ao Le Monde Emmanuel Marsigny, sócio de Metzner» («‘Advogado dos gangsters’ encontrado morto na sua ilha», Elisabete Silva, Diário de Notícias, 19.03.2013, p. 23).
      Ainda se lembram de aqui termos falado de sócios e de associados dos escritórios de advogados? Pois, desta vez, é por «sócio» que o termo francês foi traduzido. Emmanuel Marsigny é «avocat associé co-fundateur» da Metzner Associés.
[Texto 2690]
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Sobre «grilo»

Entre greta e grosso

      «Na segunda sessão do julgamento (ontem), que decorre no Tribunal de Braga, uma sobrinha da arguida, professora, sustentou a tese da acusação, dissertando sobre a conotação sexual da palavra “grilo”, nome pelo qual entre outros é conhecida a vagina, e fazendo a interpretação da letra, defendendo que esta sugere que Miguel Costa manteve um relacionamento sexual com a tia. Uma convicção que manteve mesmo depois de confrontada com certos textos de Gil Vicente ou mesmo com a A Garagem da Vizinha [sic], de Quim Barreiros, para aferir do eventual tom de brincadeira da canção» («‘Grilo da Zirinha’ deixa Padim da Graça em alvoroço», Sérgio Pires, Diário de Notícias, 19.03.2013, p. 18).
      Gostava de ter ouvido a professora a dissertar. Quanto ao grilo, o que sei é que entre «greta» e «grosso», no Dicionário do Palavrão, de Orlando Neves e Carlos Pinto Santos (Lisboa: Editorial Notícias, 2001), nada há. Delmira Maçãs (Os Animais na Linguagem Portuguesa. Lisboa: Instituto para a Alta Cultura, 1951, p. 215) é que, «para pudendum hominis ou infantis», regista «grilo». Reparem: para pudendum hominis, não para pudendum mulieris. Uma diferença de vulto.
[Texto 2689]
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«Mau-estar»!

Também sem desculpa

      «O encontro, que aconteceu apesar de todas aquelas polémicas que a imprensa relatou, sobretudo a imprensa da Argentina, de que havia um mau-estar entre os dois, uma vez que o cardeal Bergoglio, até era um forte opositor a algumas das medidas de Cristina Kirchner, sobretudo o casamento entre homossexuais» (repórter Ana Santos, Jornal da Tarde, 18.03.2013).
      Nem queremos acreditar que uma jornalista se exprima desta maneira, mas assim foi. Se a repórter tiver amigos entre os nossos leitores, por favor, digam-lhe.
[Texto 2688]
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«Corrector/corretor»

Sem desculpa

      «Morreu um dos advogados franceses mais célebres. O corpo de Olivier Metzner foi encontrado a boiar ao largo da ilha da qual era proprietário na região da Bretanha. A polícia descobriu na casa do advogado uma carta de despedida. Olivier Metzner, de 63 anos, foi uma figura controversa. Esteve envolvido nos principais processos dos últimos anos. Defendeu o ex-ditador do Panamá, Manuel Noriega, e o ex-corretor da Société Générale, Jérôme Kerviel, que perdeu na bolsa cinco mil milhões de euros. Representou ainda o ex-presidente da petrolífera Elf, acusado de corrupção, e o ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin» (jornalista Hélder Silva, Jornal da Tarde, 18.03.2013).
      E como é que o jornalista leu a palavra «corretor»? Como se fosse «corrector», como tantas vezes acontece. Agora com o Acordo Ortográfico, é como se tudo fosse igual. Claro que o jornalista não tem desculpa.
[Texto 2687]
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«Renascimento/Renascença»

Para que conste

      «Renascença. Há quem prefira Renascimento, talvez com receio ao francesismo Renaissance. Mas Renascença é palavra bem formada, e não há motivo para a sua proscrição. (D. D.)» (Grande Dicionário de Dificuldades e Subtilezas do Idioma Português, vol. 2, Vasco Botelho de Amaral. Lisboa: Centro Internacional de Línguas, 1958, p. 906).
[Texto 2686]
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Léxico: «varroa»

Fala-se muito nela

      «Amanhã seguem viagem para Ourém, vão tratar dos outros apiários. É preciso manter as colmeias limpas, fazer desdobramentos, analisar a percentagem de varroa e enviar o mel para análise, para atestar a sua qualidade» («A morte silenciosa das abelhas», Ricardo J. Rodrigues, Notícias Magazine, 17.03.2013, p. 42).
      Está noutros dicionários, não está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

[Texto 2685]
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Léxico: «lanceta»

Se estiver certo, falta

      «Junta-se a Jaime Gama e os dois olhares clínicos dão o alerta: faltam duas lancetas, “a dos pulmões e a do reboque”. Russell nem queria acreditar. Com o primeiro [sic] furavam os pulmões, para depois se encherem de água e o cachalote flutuar. O do reboque servia para enganchar no magnífico cadáver flutuante, depois puxado até à costa pelos ínfimos barcos — explica o ex-MNE» («Mestre do Pico constrói bote baleeiro em New Bedford», Marina Almeida, Diário de Notícias, 17.03.2013, p. 25).
      Se está correcto, não consta dos dicionários, que registam, isso sim, uma acepção com alguma relação: pequeno cutelo pontiagudo usado nos matadouros para abater reses.

[Texto 2684]
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Léxico: «rasta»

E mais esta

      «O principal suspeito é corpulento e usa rastas e ontem ainda não tinha sido capturado, segundo o DN apurou junto de fontes policiais» («Segurança reforçada após tiroteio à porta do restaurante», Luís Fontes, Diário de Notícias, 17.03.2013, p. 18).
      Ora, se o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista «rastafári», «rastafarianismo» e «rastafariano», não sei porque não há-de acolher também esta.
[Texto 2683]
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Léxico: «nosocomial»

Manicómios e nosocómios

      «No relatório Saúde em Números, publicado em Janeiro deste ano pela DGS, há um capítulo dedicado às infecções nosocomiais da corrente sanguínea (INCS) nos hospitais portugueses onde se conclui que a prevalência aumentou de 3,2% em 1988 para 5,9% em 2010» («Governo vai dar prioridade ao controlo das infecções», Andrea Cunha Freitas, Público, 17.03.2013, p. 9).
      Quanto mais diversidade lexical, melhor, pelo menos desde que não sejam invencionices. Esta veio do grego, através do latim. Nosocomial: relativo a hospital ou às doenças que aí tratam.
[Texto 2682]
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Tradução: «gap year»

E fazem eles bem

      «Dois anos depois de um empresário [Carlos Torres] ter desafiado dois jovens a interromperem os estudos e a viajarem pelo mundo, “para crescerem”, a discussão sobre as vantagens de uma pausa na actividade académica chega à Assembleia da República. Os ingleses, que há décadas criaram o conceito e a prática, chamam-lhe gap year. Os deputados do PS traduzem para “ano sabático” e pedem o apoio do Governo para o promover entre os alunos do ensino secundário» («Depois do 12.º ano, uma pausa para viajar», Graça Barbosa Ribeiro, Público, 17.03.2013, p. 10).
[Texto 2681]
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Como se escreve nos jornais

Já sabemos como é

      «Neste “convite insistente e convicto à oração da praça e do mundo pelo Papa”, nesta “sugestão de colegialidade”, pedia Francisco para os crentes “não o deixarem sozinho, para lhe darem aquela força que, para quem crê, deriva de Deus, mas também da convicção e da fraterna participação do povo cristão”, escreveu o jornal. Depois, Francisco calou-se e curvou-se, “na humildade de uma inclinação do sumo pontífice que nunca antes tinha sido vista na loggia” de São Pedro» («Sentido de humor, gestos simples e palavras sérias», Sofia Lorena, Público, p. 3).
      A jornalista deve pensar que não há na língua portuguesa nenhuma palavra correspondente.

[Texto 2680]
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Como falam os políticos

Falam assim

      Miguel Frasquilho, deputado social-democrata: «Estas revisões mostram também, deixam à vista de todos, que o programa original, apresentado em Maio de 2011, tinha sido mal desenhado, mal concebido, com projecções e efeitos que, sabemos agora, tinham pouca ou nenhuma aderência à realidade.»

[Texto 2679]
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«Pergunte-se cada um a si mesmo»

Outra perspectiva

      «Preguntar-se. Ensina Epifânio na Sintaxe Histórica, 102 [§ 135]: “O emprego de verbos transitivos na conjugação reflexa, sendo o pronome reflexo complemento indirecto pertence quase exclusivamente à linguagem literária: “pergunte-se cada um a si mesmo, quantos anos tem” (Vieira, Sermões, 1107)» (Grande Dicionário de Dificuldades e Subtilezas do Idioma Português, vol. 2, Vasco Botelho de Amaral. Lisboa: Centro Internacional de Línguas, 1958, p. 759).
[Texto 2678]
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Léxico: «espaldão»

Inescrutável

      «Segundo referiu ao DN o comando geral da GNR, as falhas reportavam [sic], no essencial, à existência de pneus na área de tiro[,] o que pode potenciar o risco de ricochete; à falta de proteção da parede frontal do espaldão para-balas (nas carreiras de tiro de Águeda, Macedo de Cavaleiros, Évora e Guarda) [...]» («Carreiras de tiro das polícias têm falhas de segurança», Rute Coelho, Diário de Notícias, 15.03.2013, p. 19).
      Está nos dicionários. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «entrincheiramento destinado a servir de local de tiro a uma arma». A propósito: estranho é este dicionário grafar com hífenes «carreira de tiro».
[Texto 2677]
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Para substituir «passagem»

Alternativas não faltam

      «Passagem. Não é vernáculo o emprego desta palavra na acepção de — passo (de texto), trecho, excerto, relanço (usado por Camilo em O Bem e o Mal), lugar (proposto por Francisco José Freire); episódio; texto. Verificámos que nas Lendas e Narrativas o seu autor, à pág. 131, II volume, redigiu: “um tracto daquelas grandes histórias de Frei Bernardo de Brito”. Mas na pág. 204 do mesmo volume emprega passagem, o que não é para imitar. (D. D.)» (Grande Dicionário de Dificuldades e Subtilezas do Idioma Português, Vol. 2, Vasco Botelho de Amaral, p. 622).
[Texto 2658]
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