30.7.26
Mudem primeiro a realidade
[Texto 23 374]
Mudem primeiro a realidade
[Texto 23 374]
Não aconteceu
Podíamos ter, em vez de «sesta» (afinal, tão espanhola como chinesa), «meridiação». Costuma dizer-se que a sesta é um costume tipicamente espanhol, mas a verdade é bem menos folclórica. Dormir um pouco depois do almoço é um hábito comum a muitos povos, sobretudo nas regiões mais quentes. Os próprios Romanos já o praticavam e tinham até um nome para esse repouso do meio-dia: merīdiātiō, -ōnis (embora não seja rigoroso afirmar, como já vi, que o termo foi criado por Plínio, o Jovem, ou por Suetónio; ambos apenas o documentam). Se o português tivesse herdado esse vocábulo latino, hoje talvez disséssemos, muito naturalmente: «Vou fazer a minha meridiação.» A forma seria perfeitamente regular. A língua, porém, seguiu outro caminho. Acabámos por ficar com sesta, palavra que remonta à hora sexta romana, a hora do dia em que tradicionalmente se interrompia o trabalho para descansar. A «meridiação» nunca chegou a fazer esse percurso, mas bem podia tê-lo feito. A «meridiação» nunca chegou a nascer em português. Nem em nenhuma outra língua.
[Texto 23 359]
Novo paradigma, novas palavras
[Texto 23 353]
Uma pluralização inevitável
Hoje de manhã, na Antena 1, ao deixar o seu testemunho sobre Luís Represas, por ocasião da sua morte, Ana Sofia Carvalhêda acentuou muito enfaticamente, de modo professoral, o Trovante. Se conhecesse melhor a língua, não o faria. É conhecida a posição do fundador da banda Manuel Faria, que disse que era no singular «porque representa algo maior do que cada elemento e merecedor de respeito». Vale o que vale. Se quisessem mesmo ter mais sorte nessa vontade, que escolhessem o nome O Trovante. Não o fizeram, pelo que têm de se sujeitar à forma como, em português, e habitualmente, nos referimos ao nome de bandas ou grupos musicais — fazendo-o preceder de artigo definido plural, independentemente do traço de número do nome próprio. Logo, os Trovante. Claro que isto levanta questões linguísticas complexas e interessantes, mas não vamos agora tratar delas.
[Texto 23 328]
Que mais irão inventar?
[Texto 23 294]
Não fora a hipocrisia, seriam a maioria
No dia 24 de Junho, li no jornal El País, assinado por Caludi Pérez, um obituário — de página inteira! — de Alan Greenspan, presidente da Reserva Federal entre 1987 e 2006, completamente demolidor. Só o título já nos permitia prever o teor: «El pésimo legado del ‘Maestro’ Greenspan». Se aquela ideia absurda de que um obituário tem de ser ou costuma ser elogioso não tivesse caído antes, seria desta vez. Não foi preciso.
[Texto 23 280]
De novo, porque me apetece
[Texto 23 258]