30.6.13
edit
«A Corticeira Amorim e a vidreira americana Owens-Illinois (O-I), líderes mundiais nos respectivos sectores, acabam de apresentar ao mercado global uma solução com a qual pensam acabar com a discussão entre a utilização da tradicional rolha de cortiça ou, em alternativa, das modernas tampas de rosca metálicas (popularizadas pelo termo inglês screwcap) no engarrafamento de vinhos» («Amorim cria rolha com rosca para ganhar mercado às tampas metálicas», José Augusto Moreira, Público, 18.06.2013, p. 21).
A propósito ou a despropósito, os jornalistas gostam de enfiar um ou dois termos ingleses no meio da prosa que vão produzindo. Salvo melhor opinião, ao leitor não interessa que tampa de rosca se diga screwcap em inglês. Ou é só porque está envolvida uma empresa norte-americana, a Owens-Illinois, aliás, a O-I? Popularizadas, francamente.
[Texto 2985]
Este fim-de-semana, um adolescente de 15 anos morreu afogado na ribeira do Cadouço, no concelho de Loulé. Repórter Helena Figueiras no Telejornal de ontem: «A ribeira do Cadouço nasce a norte de Loulé e passa debaixo da cidade através de um túnel. Com o Verão, o mais certo é secar, mas percebe-se o nome. “Cadouço” quer dizer esconderijo de peixes grande e profundo, uma cavidade no rochedo.»
Exactamente. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista que cadouço é um regionalismo e significa «escondeijo (de peixes) grande e profundo». Para o dicionário de Cândido de Figueiredo, é o «aloque vasto e fundo». (E «aloque» o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista.) Em castelhano existe cadozo, remoinho que fazem as águas, considerado por alguns autores o étimo do nosso «cadouço».
[Texto 2984]