«Eldorado»

Olha quem fala!

      «Há quem acredite que, com jeito, o país pode tornar-se um centro mundial de tecnologia, há quem acredite que a agricultura tem condições para garantir a auto-suficiência em produtos básicos como os cereais, há quem acredite que no mar pode estar o eldorado que durante séculos os portugueses não foram capazes de descobrir em terra firme» («Um olhar inteligente sobre o mar», Público, 20.06.2011, p. 34).
      Se se argumenta que deve ser grafado em itálico porque vem do castelhano — então milhares de outros vocábulos teriam de passar a ser grafados da mesma forma. E logo no Público, que até o negregado media grafa sem aspas nem itálico, nem mais. «Eldorado» é português, não precisa por isso de ser grafado em itálico.

[Texto 189]

Uso do itálico

Latins

      O uso do itálico também intriga. Alguém tem alguma teoria? Há latim e latim... «Assim, os seres humanos são classificados (ironicamente, segundo alguns) como a espécie Homo sapiens, do género Homo, pertencente à família Hominidae, superfamília Hominoidea, da infra-ordem Catarrhini, subordem Anthropoidea, ordem dos Primatas, subclasse Eutheria, classe dos mamíferos, superclasse dos tetrápodes, que é membro do subfilo dos vertebrados, filo dos cordados, no reino animal, domínio dos eucariontes no império dos organismos» (O Dedo de Galileu, Peter Atkins. Tradução de Patrícia Marques da Fonseca e Jorge Lima. Revisão de Ana Isabel Silveira. Lisboa: Gradiva, 2007, p. 16).

[Post 4753]

Itálico

Mais, mas no sítio certo

      O Público anda a usar mais itálico — mas será no sítio certo? É o que vamos ver. O Banco de Portugal (agora referido pela absurda abreviatura BdP) publica todos os meses um boletim estatístico. Será então o Boletim Estatístico do Banco de Portugal. E como referimos o mês? Bem, parece-me simples: Boletim Estatístico do Banco de Portugal referente ao mês de Abril. Por exemplo. Ou edição de Abril do Boletim Estatístico do Banco de Portugal.
      «De acordo com o Boletim Estatístico de Abril, só nos últimos três meses, o total confiado aos bancos atingiu 875 milhões de euros, ou seja, mais do que o valor canalizado para os CT [certificados de aforro], apesar das elevadas taxas que este último produto, associado à evolução da dívida pública, está a oferecer» («Poupança dos portugueses está a fugir do Estado para os bancos», Rosa Soares, Público, 22.04.2011, p. 18).
[Post 4720]


Itálico

É pena


      «Segundo a mitologia nórdica, Erik, o Vermelho, foi o primeiro a pisar a Gronelândia e o seu filho, Leif Eriksson, o primeiro a chegar à América, por volta do ano 1000 d.C. Teria sido ele, ou alguém próximo, a trazer a ameríndia, cujos genes se encontram hoje nas quatro famílias estudadas. Em 1960, foram encontrados na Terra Nova (Canadá) vestígios de um acampamento típico dos viquingues. Alguns acreditam tratar-se de Leifsbúoir, descrito na famosa Saga de Erik o Sanguinário» («Viquingues trouxeram uma ameríndia para a Europa há mil anos», Diário de Notícias, 18.11.2010, p. 27). «As Três Graças, um pequeno quadro no qual três jovens nuas exibem a sua luminosidade jovial sobre um fundo sombrio, é da autoria do alemão Lucas Cranach, o Velho (1472-1553), cuja obra passou sobretudo pelo retrato e pela representação de temas religiosos» («Louvre pede um milhão para comprar quadro», J. E. M., Diário de Notícias, 18.11.2010, p. 50).
      Falta uma visão de conjunto, o olhar de alguém que vele pela aplicação uniforme das regras.

[Post 4098]

Revisão

Concordo


      «Em 1901, aceitou outro pretendente e tornou-se lady Lytton» (Uma Introdução à Vida de Churchill, John Keegan. Tradução de Jorge Palinhos e revisão de Paulo Salgado Moreira. Lisboa: Tinta-da-China, 2007, p. 54).
      Concordo com a regra usada em algumas editoras: lady e sir só são grafados em itálico se não antecederem um nome; de contrário, serão grafados em redondo e em caixa alta. Logo, neste caso, Lady Lytton.

[Post 4091]

Itálico e «moto-serra»

Coisas novas e coisas velhas


      «A antiga Rol — como é conhecida nas Caldas da Rainha, há 50 anos — está a produzir para os seus mercados habituais (Europa, Estados Unidos e Brasil) cerca de 80 por cento da produção. O maior cliente é alemão. A BSH Bosch und Siemens Hausgerate incorpora rolamentos made in Portugal nos seus electrodomésticos (desde máquinas de lavar a secadores de cabelo), bombas de água e moto-serras» («Fábrica das Caldas passa de regime de lay-off para novos recordes de produção», Carlos Cipriano, Público, 18.2.2010, p. 19).
      Duas questões diferentes. Primeira: porque é que grafam o nome da empresa alemã em itálico? Por ser um nome estrangeiro? Ridículo! Na página anterior, num artigo intitulado «Argentina reforça controlo de barcos para as Malvinas», escreveram Foreign Office e não grafaram em itálico. «A resposta britânica a esta decisão surgiu através de um comunicado do Foreign Office, em que é referido que “as regras em vigor nas águas territoriais argentinas são da competência das autoridades argentinas”, mas “isso não afecta as águas territoriais das ilhas Falkland, que são controladas pelas autoridades da ilha”.» Esta é, valha a verdade, uma tontice a que são atreitas algumas editoras de livros. Segunda: se há quem defenda o uso do hífen com o pseudoprefixo moto-, nunca vi a forma usada, moto-serra, atestada num dicionário.

[Post 3158]

Uso do itálico

Ainda?


      «Todas as tropas iraquianas e muito do seu armamento tinham desaparecido e começavam a fervilhar receios de que um movimento de guerrilha ba’athista bem armado estivesse a ganhar forma aqui mesmo em Mossul» (Fim de Tarde em Mossul, Lynne O’Donnell. Tradução de Ana Saldanha. Queluz de Baixo: Editorial Presença, 2008, p. 11).
      Grafar em itálico o vocábulo destacado é puro disparate. Este vocábulo, e já o vimos aqui com outros, resulta de um processo híbrido de formação de palavras. Sendo formado com o sufixo –ista, é tão português como «disparate».

[Post 3071]

Como citar o «Diário da República»

Pormenores

      «O Tribunal Constitucional (TC) entende que as concessionárias das auto-estradas têm a obrigação de provar que a presença de animais na faixa de rodagem não lhe é de todo imputável. Esta posição foi expressa em dois acórdãos publicados esta semana em Diário da República e aprovados pelos conselheiros do TC, no passado 18 de Novembro, e que negaram provimento a dois recursos da Brisa, que se não conformou com as indemnizações a que foi condenada pelo atravessamento de uma das faixas da A4 por uma raposa e um cão de grande porte» («Brisa vai mesmo ter de indemnizar donos de viaturas que chocaram com animais na A4», António Arnaldo Mesquita, Público, 26.12.2009, p. 8). Oportunidade para dizer, caro Luís M., que a tal professora de Técnicas de Revisão estava enganada, pois a própria Lei n.º 74/98, de 11 de Novembro (o que não é, bem sei, determinante, mas apenas mais uma fonte de esclarecimento), que regula a publicação, identificação e formulário dos diplomas legais, estabelece que aquele jornal oficial deve ser referido em itálico, e, já agora, que a numeração das séries se faz com numeração árabe (1.ª e 2.ª séries) e não romana, como todos os dias se lê por aí.

[Post 2938]

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