Léxico: «burkeano»

O tal erro


      «Edmund Burke (1729-1797) é talvez um dos mais marcantes actores e autores políticos — conjuntamente com Winston S. Churchill (1874-1965) — que expressaram e defenderam o espírito pluralista e não-revolucionário (nem contra-revolucionário) que tem sustentado a democracia liberal do Ocidente (ou, como prefere justamente dizer meu amigo Tim Garton Ash, do Mundo Livre)» («Elogio ‘Burkeano’ das eleições autárquicas», João Carlos Espada, Observador, 20.10.2025, 00h17). 

      Mas então, João Carlos Espada, é referente a Edmund Burke ou não? É? Então, esqueça as aspas. E lá está o adjectivo próprio — que nós não temos, mas do que jornalistas, autores, tradutores apressados se esquecem, se é que sabem. A relevância de Edmund Burke no pensamento político ocidental, como crítico da ruptura revolucionária e defensor do gradualismo e do pluralismo institucional, justifica plenamente a dicionarização do adjectivo «burkeano». 

[Texto 22 921]

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1 comentário:

Helder Guégués disse...

O vocábulo burkeano foi hoje registado no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Ficou assim: «adjectivo POLÍTICA relativo ao escritor, filósofo e político irlandês Edmund Burke (1729-1797) e/ou ao seu contributo para o desenvolvimento do conservadorismo liberal britânico | nome masculino estudioso e/ou admirador do pensamento político de Burke».

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