Léxico: «clique | coda»

Se queremos acompanhar a ciência


      «Sperm whales communicate using short sequences of clicks known as codas, which they exchange while coordinating within their groups. Scientists have long classified these sequences using the number of clicks and the timing between them» («Sperm whale clicks' have complex patterns similar to human speech», Anirban Mukhopadhyay, The Hindu, 21.05.2026, p. II). 

      Nem sequer «clique», nesta acepção, está nos nossos dicionários, e andamos a encontrá-lo há décadas, quanto mais «coda». Há quem possa argumentar que «clique» corresponde, no caso do dicionário da Porto Editora, à 1.ª acepção, «ruído curto e seco». Nesse caso, replico que a acepção relativa à Linguística também ficava abrangida e se tornaria desnecessária. Mas não, porque é uma acepção concreta, com especificidades — como a relativa aos cetáceos. Assim, proponho clique ZOOLOGIA som breve e seco produzido por certos animais, especialmente cetáceos, usado na ecolocalização e na comunicação.

      Quanto ao outro termo, defini-lo-íamos assim coda ZOOLOGIA sequência estruturada de cliques produzida por cachalotes, cuja organização temporal varia entre grupos e indivíduos e que desempenha funções de comunicação social.

[Texto 23 057]

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3 comentários:

Helder Guégués disse...

Esta acepção do vocábulo clique foi hoje registada no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Ficou assim: «ZOOLOGIA som breve e seco produzido por certos animais, em especial cetáceos, usado na ecolocalização e na comunicação».

Helder Guégués disse...

Esta acepção do vocábulo coda foi hoje registada no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Ficou assim: «ZOOLOGIA sequência estruturada de cliques produzida por cachalotes, com funções de comunicação entre grupos e/ou indivíduos».

Helder Guégués disse...


Agora já os jornalistas podem escrever assim e toda a gente perceber: «A investigação analisou centenas de gravações recolhidas entre 2003 e 2021 nas águas da Fossa Helénica, na Grécia, e em redor das Ilhas Baleares, em Espanha. Os cientistas concluíram que os grupos matriarcais das duas regiões utilizam padrões rítmicos distintos nas suas sequências de cliques (codas), funcionando estes como verdadeiros dialetos» («Cachalotes do Mediterrâneo têm dialetos próprios, conclui estudo científico», Olímpia Mairos, Rádio Renascença, 26.06.2026,17h07).

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