Definição: «quilograma»

Mais três que dois


      «Estas coisas topológicas começaram por volta de 1979 ou 1980. Depois, Klaus von Klitzing [Nobel da Física em 1985] descobriu, também como um resultado acidental e inesperado, o efeito quântico de Hall, que é agora a base do sistema de unidades — a medição do quilograma em Paris foi substituída, essencialmente, pelo efeito quântico de Hall [em vez de um artefacto físico como até 2018]» («“Se a inteligência artificial fizer tudo por si, não saberá nada”», Tiago Ramalho, Público, 24.05.2026, pp. 22-23).

      O que Duncan Haldane, aqui entrevistado, está a fazer é a condensar numa frase curta toda a cadeia metrológica moderna. Logo, até se poderia mencionar o efeito quântico de Hall na definição de «quilograma», mas já não seria para um dicionário geral. Seja como for, a actual definição da Porto Editora tem dois erros, qual deles o maior: por um lado, afirma que o valor da constante de Planck é aproximado, quando hoje é exacto por definição; por outro, indica erradamente «joules por segundo», quando deveria dizer «joule-segundo». É que joules por segundo corresponde a potência — isto é, à quantidade de energia transferida ou consumida por segundo — e usa-se sobretudo em contextos como a electricidade, a mecânica ou a engenharia, sendo equivalente ao watt. Na verdade, três erros: o símbolo kg não se grafa em itálico. 

      Assim, proponho quilograma FÍSICA unidade de massa do Sistema Internacional (SI), de símbolo kg; corresponde actualmente à massa definida pela fixação exacta do valor da constante de Planck em 6,62607015 × 10⁻³⁴ joule-segundo, substituindo desde 2019 a definição anterior baseada num protótipo metálico conservado em França.

[Texto 23 033]

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