Léxico: «colhida»

Se assim é, registe-se


      «Entre Marselha e Nice, as regras por que se rege a concessão são rigorosas. Desde logo, o índice de pontualidade tem de ser de 97,5%, sob pena de a empresa sofrer penalizações. Jean-Pierre Serrus, responsável da empresa no Sul de França, diz que este valor até é superado, já que a pontualidade tem sido de 99%. Mas — hélas! —, na prática, é de apenas 80%. O motivo da diferença é que só contam para o contrato de concessão os atrasos da exclusiva responsabilidade da Transdev. E estes mal chegam a 1%. Os outros devem-se a incidentes externos (por exemplo, colhidas) ou a problemas na infra-estrutura, da responsabilidade do Réseau Ferré de France (a Rede Ferroviária de França, que pertence à SNCF)» («Liberalização do comboio Marselha–Nice mudou tudo menos a vista», Carlos Cipriano e Ruben Martins, Público, 19.05.2026, p. 26). 

      Mais que voient mes yeux ? Des journalistes qui utilisent des termes français. Oh là là ! Voyons maintenant si la partie en portugais est correcte. Tiens, tiens... A imprensa usa sobretudo a construção adjectival/participial: «morreram colhidas por um comboio», «foi colhida por um comboio». Esta substantivação fora do campo tauromáquico estou a vê-la pela primeiríssima vez. Mas admito que possa ser gíria do meio ferroviário, e, se for colhida FERROVIA acto ou ocorrência em que uma pessoa, animal ou veículo é atingido por um comboio; atropelamento ferroviário.

[Texto 23 023]

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P. S.: Não é «Marselha–Nice», mas «Marselha-Nice»: nos encadeamentos vocabulares, é o hífen que se deve usar.


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