«São-tomense/santomense»

Ambos correctos

      No verbete «santomense», o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora remete para «são-tomense». Há prontuários, por sua vez, que apenas registam «santomense». O contrário do que faz a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira (agradeço ao leitor E. P. a oferta dos 40 volumes, que começo agora a citar com mais frequência), que só regista «são-tomense» (vol. 27, p. 654), com este acrescento: «Em Portugal também sã-tomense, forma dialectal.)»
[Texto 2030]
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«Florida/Flórida»

Andam a ver como é melhor

      «A Universal Studios no Japão, em parceria com a Warner Bros. e a Universal Parks & Resorts, anunciou ontem a construção de um novo parque temático dedicado ao universo do feitiçeiro [sic] Harry Potter. A nova atração japonesa é a terceira a ser anunciada, depois de o primeiro parque ter aberto em Orlando, na Florida em 2010» («Novo parque temático», Diário de Notícias, 11.05.2012, p. 49).
      «Já na terça-feira, no início da convenção republicana em Tampa, na Flórida, o partido voltou a enfatizar estar contra o matrimónio entre homossexuais» («Ann Romney convidada para oficializar casamento ‘gay’», Ana Filipe Silveira, Diário de Notícias, 31.08.2012, p. 47).
[Texto 2029]
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«Centro de saúde»

Muito divertido

      «Saúde. São hoje inaugurados os centros de saúde de Portel e Redondo, anunciou a Administração Regional de Saúde do Alentejo. O centro de Portel vai servir cerca de 6540 utentes e o do Redondo 7000, após um investimento de 3,9 milhões de euros» («Portel e Redondo têm novos postos», Diário de Notícias, 31.08.2012, p. 14).
      Só para dizer isto: na esmagadora maioria das vezes, quando se usa a locução centro(s) de saúde, sem se referir a nenhum em concreto, é grafada em maiúsculas iniciais. Farto-me de rir.
[Texto 2028]
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Tradução: «parish»

Só para confundir

      «Uma das zonas mais afetadas foi Plaquemines, onde as águas passaram por cima de um dique e chegaram aos 3,6 metros de altura. O Isaac “atingiu-nos com mais força do que pensávamos”, disse Billy Nungesser, o presidente desta paróquia (como são conhecidas as regiões administrativas na Luisiana), citado pela CNN» («Nova Orleães passa primeiro grande teste pós-‘Katrina’», Susana Salvador, Diário de Notícias, 30.08.2012, p. 23).
      Sim, mas isso não interessa para nada. Parish também se traduz por freguesia, única correspondência com a realidade administrativa portuguesa que para o caso interessa. É óbvio que não podem escrever o mesmo todos os dias, mas hoje já se esqueceram: «Em Tangipahoa Parish, os responsáveis locais temiam que o rio Tangipahoa, já com um caudal engrossado pelas chuvas intensas provocadas pelo furacão, pudesse transbordar para as áreas de fronteira com o estado do Mississípi» («Nova Orleães sobrevive ao ‘Isaac’ e celebra a preceito», Diário de Notícias, 31.08.2012, p. 25).
[Texto 2027]
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Tradução: «shuttle»

Já não se chama vaivém?

      «Muita música foi já emitida da Terra para astronautas em órbita. Numa ocasião em que as nuvens e a chuva impediam a reentrada do shuttle, a NASA acordou os astronautas com Hold Back the Rain, dos Duran Duran» («O dia em que a Terra ouviu uma canção que veio de Marte», Nuno Galopim, Diário de Notícias, 30.08.2012, p. 43).
[Texto 2026]
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Nomenclatura científica

Peixe médico

      «O conceito de colocar os pequenos peixes Garra Rufa a fazer manicure e pedicure em centros comerciais era desconhecida por cá e o jovem empresário ainda recorda a estranheza dos primeiros dias» («A sua pele é o almoço dos peixes esfoliadores», Ana Bela Ferreira, Diário de Notícias, 30.08.2012, p. 15).
      Caríssima Ana Bela Ferreira: trata-se do nome científico do peixe, logo escreve-se Garra rufa. (E lá está o omnipresente «colocar».)
[Texto 2025]
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Deixou de haver chefes

Nem os índios escapam

      Já nem chefes índios há — só líderes! «Iaualapiti é uma tribo indígena brasileira que mantém uma forte relação com a natureza e recusa a modernidade citadina. No Parque Nacional de Xingu, no estado do Mato Grosso, estes índios realizam todos os anos festejos em honra de uma personalidade morta que tenha sido importante para a tribo. O ritual em honra da morte tem o nome de quarup’ e dura vários dias. Este ano, os escolhidos foram um índio Iaualapiti, considerado um grande líder, e Darcy Ribeiro, um famoso autor, antropólogo e político, conhecido pelos seus esforços em melhorar a relação dos nativos com a restante população» («Iaualapiti. Rituais tribais no Brasil», Diário de Notícias, 30.08.2012, p. 6).

[Texto 2024]
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«Há/à»

Ah, pois

      «O The Times também avança que uma das causas para a queda [de Carlisle Brigham Champalimaud] teria sido uma enorme mala de mão que a terá levado a desequilibrar-se. Antes de morrer, a jovem tinha estado num casamento. Depois disso terá ido a um bar com um amigo onde, segundo o The Times, foi vista “bastante embriagada”. Carlisle Brigham estava separada à nove meses do marido, que se encontra a trabalhar em Inglaterra» («Carlisle estaria embriagada quando caiu», Diário de Notícias, 30.08.2012, p. 21).
      Confundir a contracção da preposição a com o artigo definido no feminino singular a com a formal verbal do verbo «haver» é coisa que eu só julgava possível na escola primária.
[Texto 2023]
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«Paraolímpicos»

Chavões coxos

      «Os Jogos Paralímpicos de Londres 2012 começaram oficialmente ontem, um dia antes do início das competições. À semelhança da vertente olímpica, os atletas do desporto adaptado tiveram direito a uma receção com pompa e circunstância, dirigida pelos autores Jenny Sealey e Bradley Hemmings, na qual Stephen Hawking foi um dos protagonistas» («Stephen Hawking deu as boas-vindas a 4200 atletas», Rui Frias e Sarah Saint-Maxent, Diário de Notícias, 30.08.2012, p. 38).
      Bem se pode perder tempo a argumentar que paraolímpicos é mais correcto. E eu pensava que os jornalistas evitavam o uso da expressão, já tão gasta e vazia, «pompa e circunstância».
[Texto 2022]
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Como se escreve nos jornais

«Ques» a mais

      «A investigação que levou a esta descoberta, que foi realizada por investigadores alemães, canadianos, americanos e italianos, e que foi coordenada por David Grimaldi, do Museu de História Natural de Nova Iorque, implicou a análise de mais de 70 mil gotas de âmbar com uma dimensão entre os dois e os seis milímetros, até que finalmente os investigadores puderam gritar eureka – quando deram com os insetos» («Insetos mais antigos de sempre em âmbar», Diário de Notícias, 30.08.2012, p. 27).
[Texto 2021]
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«Zona-tampão»

Sendo assim

      «No dia em que os rebeldes afirmaram ter bombardeado, com dois tanques, o aeroporto militar de Taftanaz (entre Idleb e Alepo), destruindo cinco helicópteros, e a televisão do Estado garantiu que as forças armadas destruíram “os quartéis-generais dos líderes dos grupos terroristas nos bairros de Chaar e Sakhour”, o Presidente sírio reapareceu em público para reafirmar a vontade decidida de vencer os rebeldes. Bachar al-Assad admitiu, em entrevista à televisão privada Ad-Dounia [sic] (considerada como favorável ao regime), que a vitória levaria ainda algum tempo. De caminho, rejeitou a ideia (francesa) de criar zonas tampão para proteger os milhares de deslocados, em fuga desesperada dos combates constantes» («Assad rejeita zonas tampão», A. M., Diário de Notícias, 30.08.2012, p. 26).
      Vasco Botelho de Amaral condenou esta expressão, mas, se se persiste em usá-la, pelo menos escreva-se correctamente: zona-tampão.
[Texto 2020]
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«Tratar-se de»

Já tínhamos saudades

      Jornalista João Fernando Ramos no Jornal da Tarde de ontem: «Os sítios de Internet de várias embaixadas portuguesas foram alvo de ataques de piratas informáticos. Foram atacadas as páginas das embaixadas da República Checa, Irão, Reino Unido, Alemanha, Moçambique e também Espanha. Segundo o sítio Websegura.net, trataram-se de dois ataques separados.»
[Texto 2019]
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«Pára/para»

Vai demorar

      «Mas pára, de parar, passa a para com o novo AO?», perguntam-me de uma editora. Ainda vai passar muito tempo até que deixe de causar estranheza. Mas já há, como se sabe, quem tenha resolvido a questão de forma expedita: não segue esta regra do Acordo Ortográfico de 1990. É a ortografia democrática. Bem pode no texto do acordo argumentar-se que é assim por coerência com a abolição do acento gráfico já consagrada pelo Acordo Ortográfico de 1945 e que o contexto sintáctico permite distinguir claramente as homógrafas, neste caso pára/para. Certo é que não é raro ler-se nos jornais disparates como «páram» e semelhantes.
[Texto 2018]
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«Graus centígrados/Celsius»

Quem disse que isto já não se via?

      Então vejam: «María Bermúdez de Castro [sic], codiretor das escavações arqueológicas de Atapuerca, confirmou que entre os vestígios havia dentes de uma criança de seis anos. É impossível recolher amostras de ADN, já que os corpos terão sido queimados a mais de 800 graus centígrados, destruindo essas provas. A justiça pediu entretanto uma quarta perícia» («Polícia confundiu restos mortais de crianças com vestígios de roedores», Susana Salvador, Diário de Notícias, 28.08.2012, p. 23).
[Texto 2017]
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Incongruências

Têm de se entender

      «Uma mulher de 46 anos morreu na sexta-feira à noite em Matosinhos após ter sido atacada pelo cão do filho, um animal cruzado de pitbull e leão da Rodésia, duas raças consideradas perigosas e potencialmente perigosas na legislação nacional. Cabe ao Ministério Público abrir um inquérito para averiguar as circunstâncias, sendo que a legislação prevê responsabilidades criminais» («Dono de cão garante cumprir lei», Diário de Notícias, 28.08.2012, p. 21).
      «Para que não haja dúvidas, explica: as pessoas “continuam a mantê-los por uma questão de status, independentemente das condições que tenham para lhes dar”. Ainda que lamentando o desfecho dramático, diz que “a própria situação em si é um erro. Um animal possante não devia viver naquelas condições” – segundo os vizinhos, o cão raçado de leão-da-rodésia e pitbull “raramente saía de casa”, “pequena para um animal daquele porte”» («Fiscalização de cães perigosos é “mínima”», Joana de Belém, Diário de Notícias, 26.08.2012, p. 14).
[Texto 2016]
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Veio mesmo para ficar

Sem comentários, já disse

      «Um copo entornado e uma rapariga envolvida numa discussão entre dois grupos de jovens, um deles de origem africana e o outro de franceses, segundo apurou o DN, estão na origem de problemas iniciados no interior da discoteca Black Jack, localizada no Casino Vilamoura, no concelho de Loulé, ontem, por volta das 07.00 da manhã. Pouco depois, já na via pública, ocorreram agressões, tendo sido disparados dois tiros de caçadeira por um indivíduo saído de uma viatura, que acabou por atingir três pessoas. Em seguida, voltou a entrar na viatura, que se colocou em fuga» («Tiroteio começou com copo entornado na discoteca», José Manuel Oliveira, Diário de Notícias, 28.08.2012, p. 17).
[Texto 2015]
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Veio para ficar

Sem comentários

      «Este formato documental está alicerçado em três componentes que se vão alternando entre si. A primeira vertente coloca atores a reviver os momentos-chave e as circunstâncias, a segunda vive das explicações em torno do episódio – o que pode ser feito com recurso a um narrador, a efeitos visuais e à colocação do apresentador no local atual onde decorreu o momento histórico – e a terceira coloca o anfitrião em interação com as personagens» («Luís Filipe Borges vai falar de história», Carla Bernardino, Diário de Notícias, 27.08.2012, p. 47).
[Texto 2014]
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Léxico: «oralizar»

Também pode ser

      «Hoje, já não é assim. “Nota-se uma grande diferença: está bastante mais agradável”, avalia o residente na Margem Sul, enquanto equaciona experimentar um dos dez quiosques de restauração que ali abriram a 9 de junho e que são um autêntico ponto de encontro de sabores de vários pontos do mundo [...]. No espaço ladeado por centros comerciais, um hotel e um empreendimento da Empresa Pública de Urbanização de Lisboa (EPUL) por concluir, são poucos os que acreditam ser necessário oralizar a diferença que todos veem» («Há uma nova vida no Martim Moniz», Inês Banha, Diário de Notícias, 27.08.2012, p. 28).
      Na acepção do artigo — exprimir oralmente, através de palavras —, é mais comum usar-se verbalizar, mas estão ambas correctas.
[Texto 2013]
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«Carros miniatura»?

Falta aí qualquer coisa

      «Paulo Mendes faz parte do grupo vencedor. Tem mais de 1600 carros miniatura em casa» («Uma brincadeira de adultos», Rita Dantas Ferreira, Notícias Magazine, 26.08.2012, p. 25).
      Assim não. «Carros em miniatura» está bem.
[Texto 2012]
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Léxico: «patilhão»

Brincadeiras

      «O patilhão conduz o carro na calha — é por isso que se chamam slotcars, porque essa calha chama-se slot em inglês» («Uma brincadeira de adultos», Rita Dantas Ferreira, Notícias Magazine, 26.08.2012, p. 24).
      É a sétima acepção do verbete no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora? «Peça móvel manejável, componente de dispositivos mecânicos e eléctricos».
[Texto 2011]
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Léxico: «mixologista»

Já tínhamos micologistas

      «Rui Marques é um criador irrequieto que encontrou no opulento e clássico palácio Valle Flor território de grande inspiração. Chamando-lhes mocktails — mock significa gozar, brincar, em inglês —, assina um conjunto de cocktails sem álcool que está a encantar os clientes do Pestana Palace, em Lisboa. Ginger Spring Freeze (8 euros), Palace Pine (12 euros) e Lisbon from the Top (35 euros) são exemplos da grande arte do barman mixologista, feitos opção saudável para a canícula do verão. A não perder» («Mocktails: frescos, criativos e sem álcool», Notícias Magazine, 26.08.2012, p. 9).

[Texto 2010]
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Léxico: «sensibilizante»

Que sensibiliza

      «O arquiteto português [Siza Vieira] lembrou que “já tinha tido um Leão de Ouro anteriormente, há não sei quantos anos, mas era devido a um projeto”, ressalvando que “este é um prémio de carreira e como tal é particularmente sensibilizante”» («“Prémio sensibilizante”», Diário de Notícias, 26.08.2012, p. 38).

[Texto 2009]
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Léxico: «pixelizar»

É a tecnologia, estúpido

      «Ainda que as estações de televisão tenham usado diferentes estratégias para tapar a nudez, tais como pixelizar a imagem, colocar estrategicamente um objeto real à frente do corpo ou uma faixa preta, Melissa Henson considera que isso não diminui o impacto que as cenas têm aos olhos dos espectadores. [...] Nancy Irwin, uma terapeuta norte-americana, explica que a nudez em televisão, ainda que pixelizada, pode ter o mesmo efeito que a explícita no cérebro humano. “Perante uma imagem pixelizada, o cérebro vai procurar preencher as partes que estão em falta, a sua atenção é atraída para esse local. Isto também explica por que motivo a fantasia pode ser bem mais estimulante do que a realidade”, destaca a especialista» («Nudez na TV sobe 407% em horário nobre», Márcia Gurgel, Diário de Notícias, 26.08.2012, p. 39).
      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora também regista o verbo pixelizar: «tornar difícil de perceber (parte de uma imagem), ampliando-a muito de forma a causar a sua distorção».

[Texto 2008]
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Ortografia: «rosa-choque»

Caramba, nem isto?

      «Tentados por estas vantagens, há até homens a querer aderir à campanha... mensmo [sic] com um cartão rosa “choque”» («Rosa ‘choque’ em Mastercard para mulheres», Diário de Notícias, 26.08.2012, p. 28).
      Até o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista: rosa-choque, «cor-de-rosa muito vivo».
[Texto 2007]
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«Colocar perguntas»

Ninguém vê o disparate

      «“Há ainda um grande tabu em torno das próteses, e muitas pessoas não sabem se devem falar ou sequer olhar”, disse [Priscilla Sutton] ao site norte-americano Huffington Post. A exposição é a oportunidade de falar e colocar perguntas, acrescentou» («Próteses que são peças de arte», Diário de Notícias, 26.08.2012, p. 38).
[Texto 2006]
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«Horas extras»

Nisto são constantes

      «O Ministério da Saúde tem mais uma proposta para apresentar na reunião de terça-feira à classe médica: só vai pagar 50% do valor das horas extras» («Ministério quer pagar 50% do valor das horas extras a médicos», Diana Mendes, Diário de Notícias, 26.08.2012, p. 15).
[Texto 2005]
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«Caravela-portuguesa»

Physalia physalis

      No Diário de Notícias, ainda não sabem, mas uma coisa é certa: ou tem hífen ou não tem. «Foi ontem levantada a proibição de entrar na água imposta na sexta-feira em três praias da Costa de Caparica, devido à presença de muitas caravelas portuguesas no mar. Esta espécie de hidromedusa é perigosa porque tem células urticantes nos tentáculos, que em contacto com a pele podem causar alergias graves» («Levantada interdição às praias da Costa de Caparica», Diário de Notícias, 26.08.2012, p. 20). «Caravelas-portuguesas são mais perigosas do que tubarões» (Patrícia Jesus, Diário de Notícias, 25.08.2012, p. 16). Os dicionários não se metem nisto. Registam «hidromedusa» (aliás, só o feminino plural, «hidromedusas») e, se se tratasse de uma sifomedusa, já desconheceriam.
[Texto 2004]
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«Flores bravas»

Qual Alcipe

      «A mistura de aromas no ar, a hortelã e a flores bravas, é uma surpresa, quando se entra no recinto da ETAR, em Alcântara. Ainda não há muitos anos, quem passasse na Av. de Ceuta, ou mais em cima, no viaduto Duarte Pacheco, sobretudo em dias quentes de Verão, era assaltado por cheiros bem diferentes» («Cheira a hortelã no telhado vivo que cobre a ETAR de Alcântara», Filomena Naves, Diário de Notícias, 26.08.2012, p. 26).
      Ainda não se habituaram à nova grafia, e volta não volta lá escorregam. No caso, escorregou o dedo para a tecla das maiúsculas. Sim, as flores bravas é coisa raríssima de ver, mas está certo. Até faz lembrar a nossa Alcipe: «As urzes, e mil outras flores bravas/Perfumam o ar, e alimentando a caça,/Tentando o paladar cruento, excitam/Estragos que a paixão mal justifica.»
[Texto 2003]
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Como se escreve nos jornais

Eles é que sabem

      «No entanto, se Cecília [sic] Giménez removeu parte da pintura original, o trabalho de restauro será quase impossível. Sem ter visto ao vivo a pintura, Luís Figueira [da empresa de restauro Junqueira 220] aponta o que pode ser uma dificuldade adicional: “Tenho visto referirem-se à pintura como um fresco. Pelas imagens que vi, com as grandes lacunas que parecia apresentar e a grande falta de adesão da pintura ao suporte, diria que parece antes uma pintura mural e não um fresco.” Um pormenor que escapa a um leigo, mas que para um restaurador faz toda a diferença: é muito mais difícil restaurar uma pintura mural do que um fresco» («‘Restauro’ é comparado a Goya e gera fenómeno», João Moço e Marina Marques, Diário de Notícias, 25.08.2012, p. 37).
      Um especialista diz-lhes que lhe parece mais uma pintura mural do que um fresco, mas eles: «Diz-se que a ficção imita a vida. Mas há casos em que é a vida a imitar a ficção. Quem se recordar do trabalho desastroso que Mr. Bean fez no filme Bean: Um Autêntico Desastre (1997) ao quadro A Mãe de Whistler, de James McNeill Whistler, quando o tentou restaurar, depressa estabelece um paralelismo com a história de Cecilia Giménez, a espanhola de 81 anos que, ingenuamente, tentou “melhorar” um fresco da Igreja do Santuário da Misericórdia em Borja, Saragoça (Espanha).»
[Texto 2002]
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Trindade e Tobago e Porto de Espanha

Nisto continuam a ser exemplares

      «A tempestade tropical Isaac já fustigou Trindade e Tobago, com ventos fortes a causarem estragos em Porto de Espanha, capital do país, destruindo algumas paredes de casas e levando telhados pelos ares. Devido às fortes chuvas, que fizeram subir os níveis dos principais rios, registaram-se grandes inundações na capital e em várias outras localidades» («Tempestade sobre Trindade e Tobago», Diário de Notícias, 25.08.2012, p. 28).
[Texto 2001]
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Como se escreve nos jornais

Chegámos a 2000

      «Quem passeia pelo Chiado, em Lisboa, pode agora encontrar um QR Code desenhado na calçada portuguesa. Os quadradinho [sic] pretos escondem muita informação para quem tem telemóveis de última geração (os chamados smartphones, com câmara e acesso à Internet)» («O primeiro código QR em calçada está no Chiado», Diário de Notícias, 25.08.2012, p. 21).
      Reparem: no título, «código QR», no corpo da notícia, «QR Code». E com maiúscula, por respeito.

[Texto 2000]
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Como se escreve nos jornais

Nem quero imaginar

      «“Qualquer dia mato-me!” – disse várias vezes Luciana Garcia, de 40 anos, a amigas, tendo dado a entender, já num quadro de depressão que sofria, a existência de problemas extraconjugais com o marido, apesar de a família transmitir uma imagem de união» («Dentista suicida teria problemas extraconjugais», José Manuel Oliveira, Diário de Notícias, 25.08.2012, p. 19).
[Texto 1999]
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E temos «cabecilha»

Por uma vez

      «Dois deles tinham a alcunha de “Conguito” e de “Foguinho”. Eram os dois supostos cabecilhas do grupo que chegou a autodenominar-se pela sigla V. I. E. P. (Very Important Enxerim People), numa brincadeira com a palavra VIP e que demonstra bem que gostavam de ter atenção e não escondiam que atuavam em grupo para se destacar» («Não trabalhavam e estariam ligados ao crime», Miguel Ferreira, Diário de Notícias, 25.08.2012, p. 17).
      Por uma feliz vez, esqueceram-se — e nós agradecemos — da palavra «líder», omnipresente nos nossos dias.
[Texto 1998]
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«Sustento/sustentabilidade»

É triste, mas é assim

      Repórter Cristiana Freitas, no Jornal da Tarde de ontem: «Os morangos não estão na terra: alimentam-se de um substrato nutritivo. É uma folha de coco que lhes dá a sustentabilidade.» Cristiana Freitas, veja bem: sustentabilidade é a característica ou qualidade do que é sustentável. É claro que não era isto que queria dizer. Sustento é o conjunto de condições materiais que permitem a subsistência; o que serve de alimentação, alimento.
      É como diz repetidamente, em forma de sentença, Montexto: «Tudo o que for aproximado será confundido.»
[Texto 1997]
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«Na senda de»

E insiste

      O autor escreveu: «Portugal emocionou-se e dividiu-se na senda de Maddie.» Todos sabemos (ou entreadivinhamos?), julgo, o que significa — mas será isso sinónimo de que está correcta, de que é uma frase modelar?
[Texto 1996]
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«Sofás creme»

Está nas gramáticas

      «O mobiliário que decorava o átrio era Luís XV, ou imitava bem, com sofás cremes e cadeiras forradas a couro branco» (O Codex 632, José Rodrigues dos Santos. Lisboa: Gradiva, 2005, p. 115).
      A maioria dos nomes das cores são, como se sabe, adjectivos, que, é óbvio, se flexionam normalmente e concordam com os nomes que qualificam. Alguns, porém, são substantivos, e nesse caso não se flexionam. Logo, sofás [de cor] creme.
[Texto 1995]
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Ortografia: «pôntico»

Está nos dicionários

      «Duas hipóteses principais têm competido entre si para explicar a origem das línguas indo-europeias. Uma delas coloca esse início há 6000 anos, nas estepes ponticas, junto ao Mar Negro, onde a Europa, a Anatólia e o Cáucaso convergem. A outra prefere o coração da Anatólia e faz remontar esse princípio há mais de 8000 mil anos. Os resultados do estudo realizado pela equipa de Remco Bouckaert, que são publicados hoje na revista Science, apoiam esta segunda hipótese» («A origem da(s) língua(s)», Filomena Naves, Diário de Notícias, 24.08.2012, p. 27).
      É pôntico que se escreve, relativo ao Ponto Euxino, que é o nome antigo do mar Negro.

[Texto 1994]
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«Paralelepípedos/calçada»

Da última vez

      «O caminho escolhido incluía a saída da Baixa, a passagem pela Sé, o Miradouro da Graça, a Feira da Ladra, o Panteão Nacional, a Casa dos Bicos e regresso à Baixa – parte do percurso azul. Todas estas ruas têm duas coisas em comum: uma grande inclinação e a calçada portuguesa. E é esta última que proporciona uma bela massagem durante todo o trajeto» («Conhecer a Cidade das Sete Colinas ao sabor da ‘massagem lisboeta’», Ana Bela Ferreira, Diário de Notícias, 20.08.2012, p. 47).
      Ai sim? A última vez que passei por aqueles lados as ruas estavam calcetadas com paralelepípedos. Ainda se fosse na oralidade, compreendia-se: «Paralelepípedo, palavra má de pronunciar, palavra enrodilhada, já o povo a ia desbotando em “paralelo”... Pois que deixassem o povo! As leis da linguagem, ao menos, era ele quem as sabia: deixassem-no legislar» (Uma Noite na Toca do Lobo, 2.ª edição. Lisboa: Editorial Verbo, 1964, p. 75).
[Texto 1993]
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«Paroquiano/diocesano»

Mais modestamente

      «O bispo de Viseu alerta os paroquianos da diocese para a inauguração de dois crematórios na região e para as regras da Igreja sobre este costume funerário. Ilídio Leandro sossega os fiéis ao lembrar que a Igreja Católica não proíbe esta prática, mas lembra que coloca alguns impedimentos ao culto do morto após a cremação» («Bispo acalma fiéis quanto à cremação», Helder Robalo, Diário de Notícias, 20.08.2012, p. 16).
      «Paroquianos da diocese»... Mas não temos o termo «diocesano»? Mas ele há coisas estranhas. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora afirma que diocesano é o «súbdito de uma diocese». Súbdito... Já paroquiano é, mais modestamente, para o mesmo dicionário, «que ou aquele que é habitante de uma paróquia».
[Texto 1992]
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O desgraçadíssimo verbo «haver»

Fala uma médica

      Fala Ana França, directora clínica do Hospital Garcia de Orta, em declarações datadas de Março deste ano relembradas no Telejornal na passada segunda-feira: «Lamento sobretudo que desta situação tenham havido tantas complicações que podem ser inerentes à própria doente, mas que teve um factor desencadeante que não era da doente.»
[Texto 1991]
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Léxico: «triquíni»

Quem diria

      «Em pleno verão, a socialite mostra que tem a sensualidade à flor da pele. A namorada de Kanye West posou para a câmara num exuberante triquíni que realça o seu bronzeado» («Kim Kardashian sensual de triquíni dourado», Diário de Notícias, 23.08.2012, p. 53).
      Não é que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista o termo?! «Vestuário feminino usado na praia ou na piscina, composto por duas peças (sutiã e slip) que estão unidas entre si por uma parte do conjunto».
[Texto 1990]
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«Tribunal da magistratura»?

Como é?...

      Ora vejam esta: «O assassino do ex-líder da extrema-direita branca Eugène Terre’Blanche foi ontem condenado a prisão perpétua no tribunal da magistratura de Ventersdorp, Noroeste da África do Sul. Chris Mahlangu, que em 2010 matou Terre’Blanche na sua residência, nos arredores de Ventersdorp, com uma barra de ferro, trabalhava na fazenda da vítima e confessou o crime, que justificou com a falta de pagamento de salários e agressões sexuais» («Perpétua por morte de Blanche», Diário de Notícias, 23.08.2012, p. 26).
      «Tribunal da magistratura»? Sim, o Diário de Notícias não é o único jornal a traduzir desta forma, porque é disso que se trata, a denominação de língua inglesa, que é Circuit Court of the North West.

[Texto 1989]
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Infinitivo

Mas relendo...

      «Avô e neta, que morreram durante um passeio pelo areal da praia do Salgado, na Nazaré, chamavam-se Lara Lewis e Brian O’Dwyer, de 5 e 66 anos, respetivamente, segundo o jornal The Guardian. Na página da Internet do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, os turistas ingleses são avisados para terem cuidado nas praias portuguesas e obedecer aos avisos dos nadadores-salvadores» («Londres diz aos turistas para terem cuidado», Joana de Belém, Diário de Notícias, 23.08.2012, p. 19).
       «São avisados para terem cuidado nas praias portuguesas e obedecer aos avisos»...
[Texto 1988]
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«Marés vivas»

É adivinhar

      Tenho estado de férias e não sei, mas pergunto a mim próprio: terá algum meio de comunicação social explicado o que são marés vivas? Duvido. «As marés vivas assinaladas um pouco por todo o País, após a passagem do furacão Gordon pelos Açores, serão usuais para esta altura do ano, na opinião dos especialistas» («Agitação marítima vista como “normal” nesta época do ano», Joana de Belém, Diário de Notícias, 23.08.2012, p. 19). 
      As marés vivas — custava assim tanto explicar ao menos uma vez? — são as que se apresentam quando a Lua e o Sol estão em conjunção ou em oposição e trabalham ambos para levantar marés coincidentes. Mais explicações deviam ser pedidas aos tais especialistas.
[Texto 1987]
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«Casa-de-banho»?

E quanto a revisão...

      Uma ortografia própria: «A explosão ocorrida em Castro Marim não tem ainda causas determinadas mas pode ter-se verificado por acumulação de gases numa divisão da casa, um quarto com casa-de-banho» («Explosão ainda por explicar mata dentista e dois filhos», José Manuel Oliveira, Diário de Notícias, 23.08.2012, p. 18).
      Nem pensar: não era assim antes, não é agora assim e praza a Deus que nunca venha a ser assim. Já chegam as outras esquisitices da ortografia.
[Texto 1986]
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Como se escreve nos jornais

Para o anedotário

      «O cadáver da dentista Luciana Garcia, já muito debilitado, como explicaram ao DN, foi encontrado “próximo da porta do quarto”, o que para os bombeiros indicia que a mãe das crianças ainda terá “tentado abri-la” após a explosão, para todos conseguirem fugir» («Explosão ainda por explicar mata dentista e dois filhos», José Manuel Oliveira, Diário de Notícias, 23.08.2012, p. 18).
      Será que há cadáveres cheios de vigor e saúde? Será que os jornalistas não podem dedicar cinco minutos a reler o que escrevem?
[Texto 1985]
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«Accommodation» e «facility»

Turismo e língua

      «Gostaria de saber a sua opinião», pergunta-me o leitor P. R., «sobre a tradução de accommodation por “acomodação” e facilities por “facilidades” ou “comodidades”. Por um lado, estou farto de ver “equipas de tradutores” como a do Booking.com (não, aquilo não é feito por tradutores automáticos, por incrível que pareça), a assassinar a língua portuguesa. Por outro, falta-me o espaço e a veia humorística que o Helder possui para reflectir adequadamente sobre o assunto.»
      Em relação a accommodation, Agenor Soares dos Santos escreveu: «Notar as diferenças entre este s. e “acomodação”, pois esta, assim como “comodidades”, em alguns casos não traduz inteiramente o cognato ing.» Com efeito, o termo inglês refere-se, simultaneamente, ao alojamento, à comida e a outros serviços em hotel ou estabelecimento semelhante («lodging, food, and services or traveling space and related services», lê-se no Merriam-Webster). Talvez não seja a pior tradução, ao contrário de «facilidades» por facilities. Demasiado fácil. Ainda assim, abstruso é, creio, traduzir, no mesmo texto, accommodation por «acomodação» e facilities por «comodidades». Se se não encontra correspondência num só termo, decerto que o recurso a uma expressão é sempre possível.
[Texto 1984]
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Léxico: «braça»

Surpresa

      Na última página da edição de hoje do Correio da Manhã: «Um homem de 44 anos morreu ontem, em Lustosa, Lousada, ao ser atingido por uma braça de um pinheiro que tinha acabado de ser cortada» («Morto por pinheiro», Correio da Manhã, 22.08.2012). 
      De todos os dicionários que consultei, só o Dicionário Houaiss regista braça nesta acepção: «qualquer ramo secundário do tronco de uma árvore ou de um grande arbusto; braço».
[Texto 1983]
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Como se fala na televisão

Para variar, com certeza

      Jornalista Rui Lagartinho, no Telejornal de 15 do corrente a propósito do êxito de vendas (o primeiro este ano, parece) As Cinquenta Sombras de Grey, de E. L. James: «O relato da iniciação sexual de uma jovem pelos caminhos do erotismo fetichista é o livro que as mulheres do hemisfério ocidental passam de mão em mão.» Hemisfério ocidental... não faz a coisa por menos. Diga lá onde é isso exactamente.

[Texto 1982]
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Como se fala na televisão

Submerso

      Repórter António Nabo, no Telejornal de 14 do corrente: «Paulo Portas era ministro da Defesa em 2004, quando foi decidida a compra dos dois submarinos. Diz desconhecer quais os documentos procurados pelo Ministério Público, mas não acredita que existam documentos desaparecidos.»

[Texto 1981]
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Léxico: «vergão»

Vergastada

      Dizia, se bem lembro, que sobre a carne pálida da escrava se via uma «lista arroxeada, a marca de uma vara ou de uma correia dura». Lista... À lesão da pele provocada por traumatismo ou pancada, sobretudo por vergastada, como parece ser o caso, dá-se o nome de vergão. Se as palavras existem, devemos procurar conhecê-las e usá-las com propriedade.

[Texto 1980]
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Ortografia: «periurbano»

Peri-, pref.

      O autor escreveu sempre, do princípio ao fim (mais de vinte vezes), «peri-urbano». Bastava ter consultado um dicionário: periurbano. Ou, pelo menos, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «relativo à zona vizinha de uma cidade; situado nessa zona». Rebelo Gonçalves, no seu Vocabulário da Língua Portuguesa, apenas regista, com o mesmo prefixo e o segundo elemento a começar pela vogal u, «periuterino».
[Texto 1979]
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«Responsável de/por»

Decida o ouvido

      «Em estúdio estava o responsável máximo pelas cadeias», escreveu o autor. Já vimos, lembram-se bem, esta questão. Vendo bem, até me soa melhor «responsável máximo de».
      «Assim, Said Benselama, aliás Bencherif, ficou mesmo para a História e a Justiça como o responsável máximo da criminosa operação» (Jaime Bunda, Agente Secreto, Pepetela. Revisão de João Pedro George. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2006, 8.ª ed., p. 332).
[Texto 1978]
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«Queijo da ilha/Ilha»

Sabe sempre bem, contudo

      José Leite de Vasconcelos escreveu «queijo da ilha»; Orlando Ribeiro, «queijo da Ilha». Por antonomásia? A ilha é São Jorge, nos Açores. Leite de Vasconcelos também escreveu que era «conhecido em Lisboa» por queijo da ilha. Aqui, «Lisboa» também estará por «continente»?
[Texto 1977]
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«Lava-tudo»?

Bem...

      Se em tira-nódoas temos uma claríssima noção de unidade semântica, lexicalizada, não se poderá dizer o mesmo de lava tudo? Mas talvez não...
[Texto 1976]
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Género de «pitão»

Erro recorrente

      «No início dos anos 1970, os habitantes de Miami, na Florida, convenceram-se de que era muito cool ter uma pitão birmanesa em casa. Só que elas crescem...» («Maior pitão da Florida com 5,35 metros», Filomena Naves, Diário de Notícias, 15.08.2012, p. 27). 
      Já vimos mais de uma vez que «pitão» (ou píton), a serpente constritora, é do género masculino. Nem é preciso ser especialista em herpetologia — basta consultar um dicionário. Rebelo Gonçalves, na página 797 do seu Vocabulário da Língua Portuguesa, regista: «pitão, s. m.: género de répteis.» Aliás, seja qual for a acepção, é sempre do género masculino.
      Mas a jornalista continua: «Hoje haverá entre dezenas de milhar e centenas de milhar naquela região — ninguém sabe muito bem.»
[Texto 1975]
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É do género masculino

Que droga

      «A jovem chegou, passo apressado, para a visita de sábado de manhã. Era mais uma oportunidade para ver o namorado, detido em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional Regional de Leiria, indiciado pelos crimes de tráfico de droga e furto. Combinado previamente ou não, facto é que a mulher de 27 anos levava uma “prenda” para o companheiro: umas gramas de heroína dissimuladas nas cuecas. [...] Eram poucas gramas, não dava para o juiz ser mais duro» («De visita ao namorado com droga nas cuecas», Rute Coelho, Diário de Notícias, 15.08.2012, p. 19).
      Rebelo Gonçalves, na página 506 do seu Vocabulário da Língua Portuguesa: «grama (â), s. m.: peso. Corrente, mas inexacto, o género feminino.»

[Texto 1974]
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Assim se exprimem

É o que temos

      «“Fazer novela.” “Ver novela.” “Produzir novela.” A gíria televisiva portuguesa acaba de ser injetada com expressões deste género: as telenovelas referidas no singular, sem artigo a precedê-las e desprovidas do prefixo “tele”. Produtores, atores, jornalistas — é um país inteiro, de repente, a falar à maneira brasileira. Eu ia dizer “a falar brasileiro”, mas travei-me a tempo: de facto, não é uma voragem sintática transatlântica, o que aqui está em causa — nem sequer os esperados primeiros sinais da definitiva brasileirização da língua portuguesa por via da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990. É só mais um sinal de facilitismo, com a conivência dos jornais. É pena» («Um universo em mudança», Joel Neto, Diário de Notícias, 15.08.2012, p. 48).
[Texto 1973]
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Como se fala na televisão

Directamente da Festa do Pontal

      Repórter Anselmo Crespo, no Jornal da Noite da SIC: «Não, Miguel Relvas não quer de todo falar com os jornalistas, sobretudo depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter sugerido esta semana que Pedro Passos Coelho deveria remodelá-lo numa eventual remodelação a fazer no futuro.» Remodelar, nesta particular acepção, é dar nova organização a, reestruturar. Estão a ver o demiurgo Passos Coelho a fazer isso a Relvas? Relvas, remodelado, só noutra encarnação.
[Texto 1972]
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Cagaréus e ceboleiros

E dos obos móis

      «Para chegar à terra de cagaréus e ceboleiros o melhor é o comboio que permite ver logo à chegada a Estação da CP, edifício que em 1916 foi decorado com os azulejos que o tornaram um dos cartões de visita de Aveiro» («A cidade dos canais e dos doces e da arquitetura e...», Miguel Marujo, Diário de Notícias, 14.08.2012, p. 50).
      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista «cagaréu» («designação dada aos pescadores da cidade portuguesa de Aveiro, especialmente aos nascidos na freguesia de Vera Cruz»), mas não regista a acepção de «ceboleiro». E devia, pois claro, porque quem fala em cagaréus não pode deixar de falar em ceboleiros. Proponho a seguinte redacção da acepção:

nome
regionalismo designação dada na cidade de Aveiro ao que se ocupava da cultura em quintais e nos campos

      Este dicionário aventa uma etimologia de cagaréu: de cagar + éu. E então, que adianta isto? Cagar ao léu? Cagaréu é o extremo da ré dos moliceiros e dos mercantéis, «naturalmente pela semelhança com as comuas de assento de tábua, havia-as, quando havia, nas aldeias marinhoas», informa Joaquim Lagoeiro na obra Português sem Mestre, Crónicas Linguísticas.
      Voltando a «ceboleiro». Vejo que a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira regista: «Ceboleiro, s. m. Alcunha que em Aveiro se dá aos moradores da freg. da Glória.»
[Texto 1971]
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Plural de «foca-monge»

Monachus monachus

      Aquele era um dos locais de observação das — «focas-monge» ou «focas-monges»? Na Infopédia, é «focas-monges» que se lê, assim como na enciclopédia Portugal Moderno: Fauna (Lisboa: Editora Pomo, 1991, p. 187). Infelizmente, os dicionários não se querem comprometer, e a maioria não dá o plural dos vocábulos registados. Está mal. Pelo menos os que suscitam mais dúvidas deviam estar lá.
[Texto 1970]
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«Esponja/espuma»

Só por escuma

      Que nome dão os meus caros leitores àquele material sintético, maleável e macio, usado no interior de colchões, almofadas, etc.? Espuma ou esponja? Toda a vida o designei e ouvi designar desta última forma, mas ultimamente vejo com frequência a primeira — que não está registada em quase nenhum dicionário, diga-se.
[Texto 1969]
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«Creche/infantário»

Creche e aparece

      «Seja creche ou infantário», escreve o autor. Pergunto eu: não são sinónimos? Pelo Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não o chegamos a saber bem. Creche, que começou por ser o estabelecimento para asilo diurno de crianças pobres e já foi um galicismo bárbaro (mas hoje já ninguém fala disso), é o «estabelecimento de educação destinado a crianças com idades compreendidas entre os 3 meses e os 3 anos de idade». Perfeito. Agora só falta ter, de preferência no mesmo dicionário, uma definição de infantário tão precisa. Mas não: «estabelecimento que se ocupa de crianças em idade pré-escolar; jardim-escola; creche». Para mim, são sinónimos, mas dizem-me aqui, sem mais argumentos, como tantas vezes, que não.
[Texto 1968]
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Plural: «tuque-tuques»

Plural e português

      Repórter Margarida Cruz no Telejornal de anteontem: «Do Oriente para as ruas de Lisboa há menos de um mês, os tuk-tuk já sabem como conquistar território luso» («Tuk-tuk em Lisboa»).
      Já que chegaram a Lisboa, não há nenhum motivo para, de pés bem assentes na terra, não aportuguesarmos a palavra: tuque-tuque. Já o plural é outra questão. Tudo leva a crer que é de origem onomatopeica. Logo, como nos substantivos compostos de palavras onomatopeicas só a última se pluraliza, fica tuque-tuques, à semelhança de reco-recos, roque-roques, tico-ticos, tique-tiques, toque-toques, etc. A propósito, também aqui a nossa sacrossanta ortografia apresenta incongruências, pois, igualmente onomatopeicas, temos zunzum, tiquetaque, frufru... Por sorte, os dicionaristas ainda não descobriram o tim-tim das taças nos brindes. É preciso tintins para aguentar tanto.
[Texto 1967]
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Léxico: «gnómon»

Boa, Anaximandro (ou Anaxímenes...)

      «“Ainda bem que foi recuperado”, congratula-se ao DN Fernando Correia de Oliveira, um dos mentores do blogue Observatório dos Relógios Históricos, que, desde 2007, tinha vindo a chamar a atenção para a descaracterização do gnómon (o “ponteiro” de um relógio de sol) da Praça do Império» («Relógio de sol volta a funcionar... desregulado», Inês Banha, Diário de Notícias, 12.08.2012, p. 20).
      Gnómon é o ponteiro (mas sem aspas, Inês), sim, mas também, por metonímia, em que se toma a parte pelo todo, o próprio relógio de sol.
      Ah, não se sabe exactamente: ou foi Anaximandro ou o seu discípulo Anaxímenes de Mileto quem inventou o gnómon.
[Texto 1966]
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Léxico: «peitada»

Boa, Zé

      José Rodrigues dos Santos no Telejornal de ontem: «O jogo do Benfica com o Fortuna Düsseldorf foi interrompido por uma peitada: quando o árbitro ia expulsar Javi García, Luisão interveio e fez um contacto com o peito.»
      Alguma imprensa falou, impropriamente, em «encosto», mas as palavras existem para serem usadas. Peitada, segundo o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é o embate de um peito com outro e o empurrão dado com o peito.
[Texto 1965]
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Ortografia: «agrissilvipastoril»

Ominoso silêncio

      «Terras improdutivas sem dono, correspondentes às fragas, taludes ou alcantis e outras áreas sem características produtivas para fins agro-silvo-pastoris, etc.» Pena é os dicionários serem omissos nestas questões. O primeiro elemento é propriamente agri-, que, em forma de prefixo, não precisa de hífen para se ligar ao elemento seguinte. O segundo elemento, por sua vez, também é mais propriamente silvi-, que também se solda com o elemento que se lhe segue. Logo, agrissilvipastoril.
[Texto 1964]
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Definição de «cadastro»

Não só os rústicos

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora define cadastro como o «registo público dos prédios rústicos de uma localidade ou região, com discriminação da sua extensão, qualidade e valor». Ora, parece-me que a definição está errada. Apelo para os leitores especialistas em Direito. O que eu leio no DL 172/95, de 18 de Julho, é que cadastro predial é «o conjunto dos dados que caracterizam e identificam os prédios existentes em território nacional». Todos, não somente os rústicos. É assim?
[Texto 1963]
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Deduções & escalrachos

Impressões

      «Dou um exemplo que ainda trago fresco na memória, acontecido comigo duas semanas depois de entrar no DN: aconteceu a 19 de maio de 1982, notícia no dia seguinte. Álvaro Cunhal tinha falado na evocação da morte de Catarina Eufémia, em Baleizão e, do discurso que me chegou, uma frase saltou-me aos olhos: “Este governo é um escalracho do regime e tem de ser arrancado.” Saborosa frase para título. (Fui primeiro ver ao dicionário o que significa a palavra, que nunca a tinha ouvido, embora deduzisse. O leitor, se não sabe, também tem de lá ir: trabalho para casa – TPC...) Lá fiz o título: “Governo é escalracho do regime e tem de ser arrancado” e, em pós-título “– disse Álvaro Cunhal em Baleizão, etc.”» («Quando Chapalimaud ‘regressou’ do Brasil só com nove letras...», Oscar Mascarenhas, Diário de Notícias, 11.08.2012, p. 47).
      Com todo o respeito, salvanor, não me parece que se possa deduzir o que significa «escalracho». Depois de se saber o que significa é que, perante aquela frase, se acha que teria sido fácil deduzir. Antes de se saber, é mais propriamente um berbicacho a pedir desempacho instante.
[Texto 1962]
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«Intersectar/interceptar»

Assim está correcto

      «O princípio é o mesmo que está por trás das escutas telefónicas. Baseia-se na triangulação, ou seja, determinar uma localização a partir da distância a que se encontra de três satélites. “O que acontece é que se desenham três circunferências que se intersetam num ponto, que é a origem.” O projeto já mereceu a atenção de uma revista da Sociedade Americana de Física, mas a equipa quer explorar outros caminhos na área do marketing viral e das redes sociais» («Investigador português descobriu algoritmo que identifica a origem de uma mensagem», A. R., Diário de Notícias, 11.08.2012, p. 20).
      Já aqui tínhamos visto esta questão. Desta vez está certo: intersectar é cortar. Intersetar na nova grafia, mas na última página do Diário de Notícias, em entrevista ao investigador (Pedro Pinto, do Instituto Politécnico de Lausana, na Suíça), lê-se «intersectam». É como calha.
[Texto 1961]
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«Descrição/discrição»

Confusões de todos os tempos

      «Caso tenha a sorte de se tornar um euromilionário, além do Gabinete de Apoio ao Alto Premiado poderá contar com a ajuda do seu banco. O Santander Totta, por exemplo, encaminha o cliente para “um gestor financeiro individualizado com capacidades e ferramentas para definir e executar estratégias de gestão de património que otimizem a relação rentabilidade/risco”. O gestor – asseguram-nos – poderá, ainda, deslocar-se a casa ou ao local de trabalho do cliente, permitindo maior conforto, descrição e confidencialidade no processo» («Sete cruzes aumentam 21 vezes hipóteses», Joana Capucho, Diário de Notícias, 10.08.2012, p. 14).
      Para fazer uma descrição, é claro que se recomenda que o gestor vá a casa do cliente. Para discrição, um hotel seria melhor. Acho eu.
[Texto 1960]
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«O que não falta é/são»

Elas gostam de apanhar

      Quem é que disse que não podíamos ir para trás? Para a frente é que não podemos, porque não sei que disparates os jornalistas vão escrever amanhã. Mas ia escapando um de lesa-sintaxe: «E se estiver na região e o tempo não for um problema, então mais vale levantar-se bem cedo e rumar até ao Luso, onde o que não faltam são espaços verdes e a água fresca jorra livremente nas bicas da fonte do centro da vila» («Levar o farnel na cesta e pôr a mesa ao ar livre», Catarina Reis da Fonseca, Diário de Notícias, 2.08.2012, p. 48).
      Então agora já não somos capazes de identificar o sujeito da frase, a isso chegámos ou nisso estamos?
      «— Mas claro! Na praia, o que não falta são rapazes bonitos, verdadeiros Tarzans. É ou não é? E quero saber o seguinte: quando você vê um, nessas condições, você não me compara com ele? Confessa! Sim ou não?» (Elas Gostam de Apanhar, Nelson Rodrigues. Rio de Janeiro: Agir, 2007, p. 123).
[Texto 1959]
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Margem Sul

Divergências de família?

      «Todas as ligações fluviais entre a Margem Sul e Lisboa voltaram a parar ontem em dois períodos parciais, de manhã e de tarde, devido a nova greve dos trabalhadores do Grupo Transtejo (que opera as ligações entre Cacilhas, Montijo, Seixal e a Trafaria e Lisboa) e da Soflusa (empresa responsável pela ligação entre o Barreiro e Lisboa)» («Barcos no Tejo voltaram a parar ontem durante três horas», Maria João Caetano, Diário de Notícias, 19.06.2012, p. 48). «Um pouco mais à frente na mesma rua, a Casa da Sorte também tem bastante afluência. Manuela Agostinho vem da margem sul, Fernão Ferro[,] e está em Lisboa porque foi a uma consulta com o marido» («Os 14 ‘jackpots’ já custaram 1,241 mil milhões em apostas», Sara Moreira e Marina Almeida, Diário de Notícias, 9.08.2012, p. 14).
[Texto 1958]
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Ses e entãos

Se, então

      «A interpretação dos resultados dos cenários deverá pois ser condicional, isto é: “se... então...”. Os “se” são as hipóteses e os “então” os resultados possíveis.» E porque não hão-de estar no plural as palavras assinaladas? «Os ses são as hipóteses e os entãos os resultados possíveis.»
      «O homem teve outros ‘mas entãos’ – e de fúria deixou cair os papéis no chão» (O Surrealismo em Portugal, Maria de Fátima Marinho. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1987, p. 47).

[Texto 1957]
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Zagrebe e Pionguiangue

Um carácter especial

      Não sei porque não é mais usada a grafia Zagrebe. Já é alguma coisa estar registada no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Porto Editora. Que também regista, pois claro, Pionguiangue, a capital da República Popular Democrática da Coreia, vulgo Coreia do Norte. Se não são susceptíveis de ser aportuguesados, prefiro então manter a grafia original mais usada, ainda que obrigue a usar caracteres (singular: carácter) especiais: Međugorje, por exemplo.
[Texto 1956]
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«Autocarros expressos»

Não percebo a dúvida

      «Junto da comunidade portuguesa mais abastada, conseguimos então um emprego para o filho mais novo numa empresa de autocarros expresso.» Expresso, o comboio ou camioneta que vai do local de partida ao de chegada sem fazer paragens, é substantivo e adjectivo. Como adjectivo, concorda com o nome que qualifica: autocarros expressos.
[Texto 1955]
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«Devido a»

Um devido indevido

      «Na década de 90, milhares de pessoas morreram no país devido à fome, como indicam várias organizações não governamentais» («Ri Sol-Ju exibe mala Dior num país com fome», Catarina Reis da Fonseca, Diário de Notícias, 9.08.2012, p. 16).
      «Que faria ele em Leiria? Leiria era ao pé de Fátima. “Continua a rondar os milagres”, pensou. Nesse ano, morreram de fome na União Soviética cinco milhões e meio de pessoas» (Café República, Álvaro Guerra. Lisboa: BIS/Leya, 2010, p. 144).
[Texto 1954]
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Plural: «wons»

Naturalmente

      «De acordo com o jornal Joong Ang Ilbo, da Coreia do Sul, este modelo da Dior está à venda em Seul por 1,8 milhões de won (1289 euros), um valor aproximado do rendimento anual de um norte-coreano» («Ri Sol-Ju exibe mala Dior num país com fome», Catarina Reis da Fonseca, Diário de Notícias, 9.08.2012, p. 16).
      Mas o Vocabulário Ortográfico Português e o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, por exemplo, indicam como plural «wons».
[Texto 1953]
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«Promenades» na Madeira

Não resistem

      «Fonte ligada ao processo explicou à agência Lusa que a perseguição começou com a denúncia, na esquadra de Machico, de que um condutor “estaria a subir e a descer escadas na promenade” local» («Condutor em fuga destrói carros da PSP», Diário de Notícias, 9.08.2012, p. 16).
      Não sabia que na Madeira também havia promenades... Claro que o jornalistas não podia perder uma oportunidade de usar uma palavra estrangeira — sobretudo se desnecessária.
[Texto 1952]
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Sobre «mandatório»

É indispensável?

      «É o procedimento mandatório, assegura o psiquiatra Daniel Sampaio» («Menino violado deve ter apoio por seis meses», Fernanda Câncio, Diário de Notícias, 9.08.2012, p. 16).
      Tem de ter sempre um pezinho no inglês. Qual a necessidade de usar a palavra «mandatório» quando temos outras que dizem o mesmo, mas em bom português? Uma aposta em como a mãe da criança não vai compreender quando ler a notícia? Não passava o exame Vieira — que devia ser mandatório obrigatório fazer em voz alta.
[Texto 1951]
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Plural: «papos-secos»

É o que se ouve

      Em parte, temos de o admitir, a jornalista tem razão: o que ouvimos é «papo-secos». Mas é assim que se fala, a mascar e a engolir fonemas. No caso, o encontro de dois ss de sílabas diferentes tinha de dar nisto.
      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora garante que «papo-seco» é popular. Amílcar Ferreira de Castro, em A Gíria dos Estudantes de Coimbra, afirma que «em Lisboa costuma chamar-se aos pães pequenos “papos-secos”. Esta designação é dada também aos janotas, pelo que pãozinho veio provàvelmente a ter o mesmo sentido» (p. 91). Até agora, quase só ouvi a palavra no Alentejo e muito pouco em Lisboa.
      «O Pedro continuava, mais mais, agora os poemas do novo livro, já em provas, poemas que estalavam, novinhos em folha, moletes, papos-secos, pães a quebrar a crosta, vivinhos da costa, polidos na teta da origem» (O Mundo à Minha Procura, vol. 3, Rúben A. Lisboa: Parceria A. M. Pereira, 1968, p. 14).

[Texto 1950]
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«Catequese» e «catequizar»

Saibam de cor

      Em parte, temos de o admitir, a jornalista tem razão: catequizar, a par de sintetizar e de sifilizar, é uma excepção, pois -izar só se usa nos verbos derivados de vocábulos sem s. Domício Proença Filho pergunta, com muita graça, se, no caso de «catequese» e «catequizar», estamos perante divergências de família. Não, responde, apenas tem que ver com caprichos da origem, grega, das palavras. Os Gregos só nos arranjam problemas. Ainda hoje.
[Texto 1949]
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Sobre o cânone literário

Vamos ver se entendem

      «Nunca será demais insistir em que os estudantes, se tiverem um bom domínio da língua portuguesa, ficam preparados para ler tudo o mais: bulas de medicamentos, manuais de instruções, relatórios técnicos, notícias de jornais... Ao invés, se a sua preparação for circunscrita a este tipo de textos, nunca eles conseguirão ler capazmente um grande escritor. E se não forem capazes de ler capazmente um grande escritor, acabarão por não ser capazes de mais nada» («Sobre o cânone literário», Vasco Graça Moura, Diário de Notícias, 8.08.2012, p. 54).
[Texto 1948]
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Ortografia: «bloco-notas»

Procura-se

      «Leonor, de seis anos, e Jenifer, de nove, são clientes habituais do escorrega, dos baloiços e da estrutura de escalada do pequeno parque infantil do Jardim Constantino. E mal veem o bloco notas correm a contar a história-do-menino-que-foi-metido-por-um-homem-na-casa-de-banho, entre sorrisos e o inevitável “vamos aparecer?”» («Menino violado ainda sem apoio psicológico», Fernanda Câncio, Diário de Notícias, 8.08.2012, p. 12).
      Com tantos hífenes mais à frente, esqueceu-se de usar um onde devia: bloco-notas. O que é curioso é que a palavra, que eu conheço desde sempre, não está registada nos dicionários. Nem o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora nem o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa o registam. Em nenhum, enfim.
      «Escreve muito rapidamente, com o pequeno bloco-notas apoiado na mão que tem o chapéu. Entre cada frase, olha a actriz que responde, e o olha, e responde, e o olha. As perguntas são breves, e sorriem, as respostas são breves, e riem» (A Guerra da Meseta, Artur Portela. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2009, p. 80).
[Texto 1947]
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Última página do «Público»

Antológica, sem dúvida

      Já ao fim da noite, avisaram-me que a última página da edição de hoje do Público é antológica. Não me enganaram, posso comprová-lo agora. Assim, temos: título ao canto superior esquerdo: «Deputada britânica escolhe a família ao lugar de deputada». Eles sabem que há um verbo qualquer com esta regência — por azar, não é este. No canto superior direito, para estabelecer o equilíbrio possível: «Euromilhões» — e é o número (50289) e o valor do prémio (600 000 euros) da Lotaria Clássica. Mas isto era pouco, pelo menos para os nossos padrões, e por isso no lead da notícia principal («Chineses exigem 2,4 mil milhões de indemnização devido à falência da Saab») podemos ler: «A General Motors está em tribunal porque autorizou a venda. O mercado chinês é aposta forte da GM, que temia a concorrência da GM». No corpo da notícia, lemos também que «a empresa holandesa Spyker colocou ontem uma acção nos tribunais». E mais: «Perante a impossibilidade de a Spyker poder construir automóveis...» Ficamos ainda a conhecer, na rubrica «Sobe e desce», «uma das bandeiras de Rui Rio — a guerra aos graffitis».
[Texto 1946]
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Sobre «assistente»

Não vos arreceeis

      ... Não digo que não, mas «assistente» também é substantivo e uma das acepções é docente adjunto do professor catedrático, encarregado das aulas práticas ou teórico-práticas. Não precisamos obrigatoriamente de dizer «professor assistente»: o contexto esclarecerá o leitor. Ou receiam que se confunda com assistente de bordo, assistente social, médico assistente?... Também há revisores da CP e da Carris... (E ultimamente, dizem, que eu nunca vi, corretores na Bolsa e nas editoras.)
[Texto 1945]
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«Camisola de cavas»

Há variantes

      «Várias testemunhas descreveram o atirador como um homem branco, 30 e tal anos, careca e vestido com uma camisola de cavas» («Ataque a templo ‘sikh’ é “terrorismo interno”», Helena Tecedeiro, Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 22).
      Até já li (não revelo o nome da autor, porque não tenho a referência bibliográfica completa) «t-shirts de manga-cava»... Mal traduzido de sleeveless shirt, é o que é. Talvez se ouça mais no singular, mas, de facto, as cavas, as aberturas no vestuário onde se pregam as mangas, são duas. Ainda mais usado é «manga (à) cava», em que, curiosamente, até se omite o termo «camisola» ou outro.
[Texto 1944]
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Descodifique-se

Assim percebem-me

      «“A principal razão é a dificuldade de aceder a créditos para aquisição de casa própria, mas com a existência de uma percentagem muito significativa de famílias que são já proprietários da casa que habitam (cerca de 74%), mesmo com facilidades de acesso ao crédito, esperava-se um abrandamento na aquisição de bens imobiliários. Não se compra nem se fazem upgrades de casas todos os dias”, explicou Luís Lima, presidente da APEMIP, em declarações ao DN/Dinheiro Vivo» («Imobiliárias estão a vender menos 110 casas por dia», Bárbara Barroso, Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 34).
      Dizer o mesmo mas em português não seria tarefa fácil, pois não?
[Texto 1943]
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«Taxa-crime»

Isto não é estranho?

      «GNR detém 35 condutores por dia com taxa-crime de álcool» (Rute Coelho, Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 16).
[Texto 1942]
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Como se escreve nos jornais

Mais caaquela que soya

      «Nas eleições municipais de 2006, apareceu claramente embriagado num desses vídeos, que se tornou um sucesso no YouTube. Questionado sobre se estava bêbado, deu uma resposta que se tornou famosa: “Não mais do que no costume”» («‘Papá’, o boémio e excêntrico ex-ministro socialista belga», S. S., Diário de Notícias, 7.08.2012, p. 41). «Pas plus que d’habitude», respondeu Michel Daerden. «Não mais do que de costume.» «Ajente que aly era nõ serja mais caaquela que soya», escreveu Pêro Vaz de Caminha na carta do achamento do Brasil.
[Texto 1941]
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«Nitrato/nitrado»

Confusões substantivas

      «O porta-voz do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos de Ferreira do Alentejo, Paulo Conde, também ele morador num monte e também ele afetado pelo fim do abastecimento, garante que a decisão da autarquia está a fazer com que algumas pessoas consumam água sem qualidade. Por temer que esteja em causa a saúde pública da população, Paulo Conde fez chegar ao delegado de saúde do concelho o resultado de análises efetuadas à água de um furo localizado nas proximidades da Aldeia de Rouquenho e que revela níveis de nitrados três vezes superiores ao limite máximo está [sic] fixado na lei em vigor» («Análises revelaram contaminação de poços», Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 15).
      Como quase sempre, podia ser, mas não é: «nitrado» é adjectivo. O jornalista queria escrever «nitratos».
[Texto 1940]
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Léxico: «abeberamento»

Outra que falta

      Esta também não se encontra nos dicionários: «A Câmara de Ferreira do Alentejo justifica o fim do abastecimento de água aos montes isolados com a necessidade de “racionalizar o serviço e garantir a equidade” de tratamento entre os munícipes. “Existem 542 montes isolados no concelho. Para os abastecer nem todos os bombeiros do Baixo Alentejo chegariam”, diz o vereador Manuel Reis. A solução foi acabar com uma prática instalada há anos. O autarca diz “não se tratar de uma questão de despesa municipal” mas de racionalização dos serviços, pois terão sido detetadas “situações de abuso relacionadas com o uso indevida [sic] de água potável para abeberamento de animais e rega”» («Falta de água está a desesperar populações que vivem isoladas no Alentejo», Luís Godinho, Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 15).

[Texto 1939]
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«Assunções»

Não passava

      «No início dos anos 80, muitos economistas começaram a questionar as assunções de John Maynard Keynes» («O conselheiro presidencial que lutou contra a inflação», Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 41).
      Lá andam eles com as assunções, e não são as Cristas nem as Esteves. Não passava o exame Vieira.

[Texto 1938]
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«Planeta Vermelho»

Há sempre quem não saiba

      «Ao mesmo tempo que desbrava caminhos em Marte, com a Curiosity para explorar o planeta vermelho, a NASA anuncia o montante que representa a aposta americana nas empresas privadas que levarão, a partir de agora, os astronautas para a Estação Espacial Internacional» («NASA investe quase 900 milhões em naves espaciais de privados», Rita Carvalho, Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 33).
      «Bem empacotado e protegido, o robô Curiosity, da NASA, aproxima-se do seu destino, a superfície de Marte, onde descerá na madrugada da próxima segunda-feira, se tudo correr bem. Objetivo: estudar pela primeira vez o subsolo do planeta (a uma profundidade de 25 cm), para se perceber, de uma vez por todas, se já houve (se haverá ainda) vida no Planeta Vermelho» («Robô ‘Curiosity’ a três dias de chegar a Marte», Diário de Notícias, 3.08.2012, p. 24).
[Texto 1937]
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«Implementação»

Chegou às lâmpadas

      «A Torre Eiffel é iluminada por 336 projetores e, à noite, 20 mil lâmpadas brilham durante cinco minutos ao início de cada hora, desde o anoitecer até à 01.00. A implementação de luzes LED vai permitir uma poupança significativa de energia» («Um futuro mais verde para a ‘dama de ferro’», Catarina Reis da Fonseca, Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 22).
      Para quê «implementação», essa coisa tão arrevesada e alambicada e desportuguesa? Simples: «O uso de luzes LED vai permitir uma poupança significativa de energia.»
[Texto 1936]
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Itálico

Itálico desnecessário

      «Os quatro painéis solares que vão ser colocados no telhado do Pavilhão Ferrié vão providenciar metade da água quente do monumento, usada principalmente nos restaurantes e nas casas de banho do primeiro andar. Além disso, quatro turbinas eólicas vão gerar cerca de oito mil kWh por ano e as turbinas hidráulicas formarão uma espécie de “minicentral elétrica”. Haverá ainda um reaproveitamento da água da chuva, que poderá ser usada nas casas de banho» («Um futuro mais verde para a ‘dama de ferro’», Catarina Reis da Fonseca, Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 22).
[Texto 1935]
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«O facto de»

Essa é que é essa

      «“A segunda razão, que tem a ver com o facto de a violência ter surgido noutros bairros num curto espaço de tempo, foi o facto de parecer que aqueles crimes não iriam ter quaisquer consequências e que a polícia não seria capaz de fazer nada”, afirma Pickles, que defende “sentenças exemplares”» («Londres ainda recupera das cicatrizes dos motins», Catarina Reis da Fonseca, Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 21).
      Não serão «factos» a mais? São só dois, diz? Mas para traduzir o que afirmou o Sr. Pickles não precisamos de nenhum. Essa é que é essa. «But, secondly, the reason it really spread was that for a brief period – about 36 hours or so – it looked like it would be a consequence-free crime and that the police were powerless to do anything.»
[Texto 1934]
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