Voltemos ao básico
[Texto 23 546]
Voltemos ao básico
[Texto 23 546]
O pior são os verbos
«Ajudámos 23 alunos a tornar-se médicos», gaba-se — e faz bem, porque há-de ser verdade — a Alumni Medicina – Associação de Antigos Estudantes de Medicina da Universidade do Minho num anúncio no LinkedIn. Agora só espero é que esses médicos ou futuros médicos não sejam gratos a ponto de seguirem a gramática avariada do anúncio. «Ajudámos 23 alunos a tornarem-se médicos», assim devem escrever. Ora, de nada. Sede bons para com os pobres.
[Texto 23 297]
Conta-me histórias
[Texto 23 278]
Ou como se escreve por aí
[Texto 23 231]
Há sempre quem saiba
[Texto 23 230]
Por exemplo
[Texto 23 141]
Que é lá isso?
Quando, seis meses depois, Elvira Clancy vai ao velório de um habitante, agricultor e feniano, o filho do defunto, um tipo fortalhaço e brutamontes, certamente um dos melhores clientes de algum pub nas imediações, corre um cortinado junto da urna onde a nossa obituarista está em devaneios, e reclama: «A minha mãe deu-te uma gorjeta.» «Ela insistiu», defende-se Elvira. «Ela qué-la de volta. Diz que o texto estava uma porcaria.» É o que se lia nas legendas, que, juntamente com a tradução, são de Luís M. A. Freitas. Acontece, e isto é curiosíssimo, que a série já tinha passado em Setembro de 2025, com tradução e legendagem do mesmíssimo Luís M. A. Freitas, e lia-se então isto: «Ela quere-a de volta.» Isto é inédito. Algum espertalhão suposto entendido achou que estava errado e optou por uma forma correcta, sim, mas malsoante e minoritária. Vejam que lição e que proveito tiram daqui: «Usa o verbo ser e as formas verbais esté (= esteja), imos (=vamos), se rimem em vez de se redimem, rim (por riem), jouverão, trouverã-me; com pronome encontram-se as formas illas (= ir-las), quella (por quer-la, ou quere-a)» (História da Língua Portuguesa, Serafim da Silva Neto. Lisboa: Editorial Presença, 1986, p. 508).
[Texto 23 088]
Passados uns anos
«De regresso à Sala das Sessões, já depois do fim da cerimónia, para a fotografia dos constituintes, Marcelo cumprimentou várias pessoas, incluindo Jerónimo de Sousa, pousando a seu lado na imagem de grupo» («Marcelo assistiu sozinho na tribuna à sessão solene dos 50 anos da Constituição», Rádio Renascença, 2.04.2026, 12h38).
Como alguns sabem, já por aqui passou quem defendesse que era este o verbo para significar ficar imóvel numa determinada posição para ser fotografado ou para que lhe façam um retrato ou lhe modelem um busto, uma estátua, etc. Era e é uma voz isolada. O verbo certo é, sem dúvida alguma, posar. De Elvas até, sei lá, Mâncio Lima, é a opinião unânime. Vá, tirando uma pessoa, se é que ainda é viva, porque a pandemia ceifou muitas. Os que se enganam não contam.
[Texto 22 745]