«Grafito» e «grafiteiro»

Ora, paciência

      «Contactaram os DEDICATED, um grupo de grafiteiros, que aceitaram a empreitada. A licença ainda não foi aprovada pela Câmara, mas há mais de duas semanas que o grafiteiro Youth trabalha na tela» («Está a nascer um grafito com 170 m2 em Gonçalo Cristóvão», Tiago Rodrigues Alves, Jornal de Notícias, 15.11.2013, p. 23).
       Imagino que eles, os grafiteiros, não gostem mesmo nada, mas isso, naturalmente, é o que menos importa.
[Texto 3522]

E o singular é?...

O mundo às avessas

      «“Sefiró” — remonta a Sefer Jezirah e significava “algarismo”. Na cabala, é o nome dado às emanações de Deus. Os sefirós são 10 e a cada um corresponde um nome divino» (O Livro das Maravilhas, Carlos Vale Ferraz. Lisboa: Editorial Notícias, 1999, p. 238).
      É a segunda vez, tanto quanto me lembro, que vejo esta palavra assim aportuguesada; habitualmente, é sefirot ou sephiroth — plural de sefira ou sephira — que se vê. Para o autor, porém, o singular é «sefiró». Se aportuguesamos, é claro que num vocábulo desta natureza o plural se faz por simples acrescentamento do s. Mas formar o singular com base no plural?
[Texto 3494]

«Coolie/cúli/cule»

Não surpreende nada

      Na mesma tradução, ora se lê coolie ora o seu aportuguesamento cúli. Nem este nem a variante cule estão registados no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Se consultarmos o Dicionário de Inglês-Português da mesma editora, vemos que coolie é o nome depreciativo que se dá ao «trabalhador assalariado (indiano ou chinês)». É como se no verbete football escrevessem «jogo entre dois grupos de onze jogadores, em campo rectangular, geralmente relvado, em que cada grupo procura meter uma bola na baliza do adversário, sem lhe tocar com os membros superiores». Não surpreende, assim, que alguns, demasiados, tradutores deixem a palavra em inglês.

[Texto 3454]

Biblioteca Bodleiana e Museu Britânico

Por Oxford e Londres

      Sabe-se lá há quanto tempo se diz e escreve Biblioteca Bodleiana, mas, por vezes, é quase um favor que nos prestam aceitarem que se emende Bodleian Library. Como sempre se terá dito e escrito em português Museu Britânico, mas é custosa concessão prescindirem de British Museum.
[Texto 3444]

Sobre «maçon»

E toucinho fumado

      Não me surpreende muito que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não registe o vocábulo «maçon». (No entanto, regista «bacon», o toucinho de que quase todos os tradutores gostam.) Já sabem porquê. Mas não registar «maçom»? No plural, «maçons», são iguais, e nem sequer sabemos se é francês, se é português. Apenas acolhe «mação», pouco usado decerto porque parece o masculino de «maçã», não é? «Pedreiro-livre», então.
[Texto 3432]

Preferem «tournée»

Mais artístico talvez

      «Aos 66 anos, Elton dividiu seu tempo nos últimos meses entre a turnê de comemoração dos 40 anos de seu maior hit, “Rocket Man”, a recuperação de uma extração de apêndice, os cuidados com os filhos que ele e seu companheiro adotaram e a gravação deste “The Diving Board”» («Elton John grava canções desleixadas em álbum que não faz justiça a seu talento», Thales de Menezes, Folha de S. Paulo, 16.10.2013, p. E5).
      Este aportuguesamento — turné, aliás — ainda não entrou nos nossos hábitos. Ainda achamos (acham os jornalistas) que tournée diz mais. É mais artístico.
[Texto 3406]

Sobre «tuitar»

Quase certo

      «“Hoje revi, no @canalarte1, o filme de Luchino Visconti ‘Rocco e seus irmãos’. O cinema italiano produziu obras-primas. Valeu a pena rever”, tuitou no domingo. O porta-voz da Presidência, Thomas Traumann, disse que todos os tuítes publicados na conta oficial são de Dilma» («Presidente tuíta até durante entrevista ao vivo a rádios», Tai Nalon, Folha de S. Paulo, 15.10.2013, p. A5).
      Apesar de até já estar dicionarizado, nem sempre os autores (ou nas editoras) aceitam este aportuguesamento, mais do que natural, legítimo e compreensível. Está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que, todavia, não regista o substantivo. Só que, cara Tai Nalon, nem no substantivo nem no verbo, incluindo as formas conjugadas, é necessário o acento no i.
[Texto 3393]

«Bangaló»

E fez bem

      No Amok, Alice Ogando usou bungalow; Cabral do Nascimento usou o termo aportuguesado: «Ainda há dez anos era pouco frequentado, depois da debandada da clientela inglesa, mas há pouco tempo tornou-se ponto de reunião de banhistas ilustres e elegantes, e já o rodeiam inúmeros bangalós» (Terna É a Noite, F. Scott Fitzgerald. Tradução de Cabral do Nascimento. Lisboa: Portugália Editora, 1966, 2.ª ed., p. 9)

[Texto 3392]

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