20.7.26
Ora bolas
[Texto 23 307]
Ora bolas
[Texto 23 307]
Faltam dois dias
[Texto 23 208]
Isto já está
Vá lá, no Público — nos outros jornais não sei — já perceberam que é assim que se deve escrever, 1.º ciclo, 2.º ciclo, secundário, ensino superior. Mas há alguma razão para ser de outra maneira? Agora só falta convencer os restantes dez milhões de portugueses. Mas essa antevê-se como a parte mais fácil, depois de pôr jornalistas, revisores, editores, professores a escrever como deve ser. Há esperança. «No “limite” da sobrecarga e exaustão, os educadores de infância e os professores do 1.º ciclo vão estar em greve no dia 15 de Junho» («Professores do 1.º ciclo e educadores de infância em greve a 15 de Junho», Cristiana Faria Moreira, Público, 19.05.2026, p. 16).
Se estivéssemos no Brasil, porém, ainda teríamos um trabalho suplementar: convencer a galera — incluindo as pessoinhas, que me tinham por inimigo, do Não-Sei-Quê & Gramática, ora extinto — do acerto (entretanto convertido em regra graças ao uso continuado por décadas) do ponto: 1.º e não 1º, que isto são graus, porra. Cá continua, e continuará, a ver-se muitas vezes sem ponto, mas tal decorre do mero desmazelo e ignorância, não de obstinação pétrea como o pau-brasil.
[Texto 23 027]
Nós é que ficamos
«Paulo Pedroso e Francisco Assis, que são do PS, concordam com Rangel e os seus argumentos são claros. Assis insurgiu-se contra uma “retórica infantil e extremista”, enquanto Paulo Pedroso lembrou que Portugal “sempre deu grande latitude” aos EUA na utilização das Lajes, mesmo no tempo dos vários governos do PS (a diferença está no “bruá” e no “alarido” de cada Administração norte-americana no poder, sublinhou o ex-ministro)» («Rangel e a base das Lajes no meio do “bruá”», Helena Pereira, Público, 19.05.2026, p. 6).
E logo no editorial... Helena Pereira, consulte dicionários e vocabulários, não vai ficar mais cansada ao fim do dia. Nós é que ficamos quando lemos estes erros. Em português é bruaá, com dois aa, o que se explica pelo étimo, francês, que é brouhaha.
[Texto 23 020]
E não há esperança
«Estrelas em ascenção à boleia da história de amor de Kennedy Jr.» (Margarida Cerqueira, Jornal de Notícias, 18.05.2026, p. 31).
Ainda um dia (hoje?) em que não tenha nada de mais importante para fazer, Margarida Cerqueira, experimente consultar um dicionário. Verá coisas extraordinárias, que não lhe vou revelar, e coisas banais, como esta de a palavra se escrever «ascensão». De verbos terminados em «-ender», retenha, temos substantivos derivados com «-são». Logo, ascender, ascensão. Simples, não é? Partilhe, diga ao seu editor.
[Texto 23 006]
Sejamos minoria
Por vezes, o nome esconde a origem: estava escrito que um dia (que por acaso é hoje) saberiam que o nome Sorbonne (ou Sorbona, aportuguesado) para designar a célebre universidade de Paris era inicialmente o nome de um colégio (collegium) fundado em 1250 pelo teólogo Robert de Sorbon (1201-1274). Desde o século XIV este veio a ser a sede da faculdade de Teologia. Só no início do século XIX o nome se estendeu a toda a universidade.
Se puderem, se a mamã deixar, escrevam sempre Sorbona, só para contrariar a imparável vaga igualizadora: «Contra os ataques da Sorbona, Francisco I abriga os humanistas do Collége Royal, e a própria universidade é atingida pelo vírus: em 1533 o seu reitor Nicolau Cop, amigo de Calvino, pronuncia um discurso inaugural em que defende teses heterodoxas, com tal escândalo que teve de abandonar o cargo e refugiar-se em Basileia» (O Humanismo em Portugal, António José Saraiva. Lisboa: Edição do Jornal do Foro, 1954, p. 37).
[Texto 22 855]