Como se escreve nos jornais

Só uma gralha, sim, mas

      «É obrigatório ir ao Paulo do Lobo. Mas a primeira paragem, essa, tem de ser em cima da ponte para tirar a Leica do saco e fazer o retrato da ponte férrea. Outrora passagem para a margem esquerda do Guadiana, está desde há muitos anos desativada. Só que imortalizada pelo projeto musical Rio Grande. “Parece que estava escrito (como a vida nos engana), o sonho era mais bonito, para lá do Guadiana”, canta Jorge Palma» («Serpa: a ponte do Rio Grande», Filomena Araújo, Diário de Notícias, 2.08.2012, p. 49).
      Sim, é uma mera gralha, a que eu prometi não ligar — excepto quando forem, como é manifestamente o caso, sintoma de um mal maior: o desleixo. Nunca se escreveu desta forma displicente no Diário de Notícias. Não há, hoje em dia, nenhum jornal com tantas gralhas. Os leitores merecem melhor.

[Texto 1909]
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