«O que não falta é/são»

Elas gostam de apanhar

      Quem é que disse que não podíamos ir para trás? Para a frente é que não podemos, porque não sei que disparates os jornalistas vão escrever amanhã. Mas ia escapando um de lesa-sintaxe: «E se estiver na região e o tempo não for um problema, então mais vale levantar-se bem cedo e rumar até ao Luso, onde o que não faltam são espaços verdes e a água fresca jorra livremente nas bicas da fonte do centro da vila» («Levar o farnel na cesta e pôr a mesa ao ar livre», Catarina Reis da Fonseca, Diário de Notícias, 2.08.2012, p. 48).
      Então agora já não somos capazes de identificar o sujeito da frase, a isso chegámos ou nisso estamos?
      «— Mas claro! Na praia, o que não falta são rapazes bonitos, verdadeiros Tarzans. É ou não é? E quero saber o seguinte: quando você vê um, nessas condições, você não me compara com ele? Confessa! Sim ou não?» (Elas Gostam de Apanhar, Nelson Rodrigues. Rio de Janeiro: Agir, 2007, p. 123).
[Texto 1959]
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