Definição: «tecolameco»

Mais concretamente


      «Era uma vez uma vila alto-alentejana famosa pelo Grão-Priorado da Ordem de Malta, por um doce conventual chamado tecolameco, pela hospitalidade das gentes locais e pela sua Feira de Artesanato e Gastronomia» («Grande ordem para festivalar», Sílvia Pereira, Público, 23.08.2026, p. 20). 
      Para a Porto Editora, que o apresenta como regionalismo — mas sê-lo-á apenas porque é um doce regional? —, diz que é o «doce tradicional, típico da região do Alentejo, originário da doçaria conventual portuguesa, feito com amêndoas, ovos e açúcar, geralmente servido como sobremesa». O Alentejo é grande, um terço de Portugal. Assim, proponho tecolameco doce conventual tradicional do Crato, no Alto Alentejo, de consistência densa, preparado à base de amêndoa moída, açúcar, gemas e ovos, geralmente aromatizado com canela e cozido no forno.

[Texto 23 445]

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Definição: «guarda-linha»

Para não sermos meros espectadores


      «Os comboios-expresso que iam em direção ao Sul, para Merano, para Trieste, para Itália nunca paravam na sua minúscula estação. Os comboios-expresso passavam a uma velocidade vertiginosa por Fallmerayer, que, duas vezes por dia, aparecia na plataforma a cumprimentá-los com o seu boné vermelho reluzente; esses comboios degradavam o chefe de estação quase à categoria de guarda-linha» (O Chefe de Estação Fallmerayer, Joseph Roth. Tradução do alemão e introdução cronológica de Álvaro Gonçalves. Porto: Assírio & Alvim, 2018, p. 31). 
      Revisão parece que não teve, e isso nota-se e muito. Na verdade, é «comboios expressos» — os tais que na definição do dicionário da Porto Editora, como já aqui vimos, vão «do local de partida ao de chegada sem fazer paragens». Era bom, era. É antes assim: «6. (comboio, camioneta) que efectua um percurso com poucas paragens intermédias». Quanto à definição de «guarda-linha» («pessoa que vigia as linhas férreas»), também só se ganhava que fosse revista. Algo como isto ➠ guarda-linha FERROVIA trabalhador ferroviário encarregado de vigiar e inspeccionar determinado troço de uma linha férrea, verificando o estado da via, detectando e sinalizando eventuais perigos e zelando pela segurança da circulação dos comboios. 
      Quanto ao boné do chefe Fallmerayer, «reluzente» faz-me pensar logo em certos materiais, como metal e plástico, de que habitualmente não são feitos. Seja como for, na tradução, a frase é equívoca, até se pode interpretar que cumprimentava os comboios tirando o chapéu. Assim, mais claro seria desta forma: «Os expressos passavam desenfreadamente por Fallmerayer, que, duas vezes por dia, saía para a plataforma, de boné vermelho-vivo, a saudar; quase rebaixavam o chefe de estação a guarda-linha.» Calma, ainda aqui ficamos a ver os comboios passarem (como certos guarda-linhas). «Os rostos dos passageiros nas grandes janelas desvaneciam-se numa massa branca-cinzentada» (O Chefe de Estação Fallmerayer, Joseph Roth. Tradução do alemão e introdução cronológica de Álvaro Gonçalves. Porto: Assírio & Alvim, 2018, p. 31). Nein, nein, nein! Die Regel lautet so: nos adjectivos compostos formados por dois adjectivos, só o segundo elemento varia em género e número, mantendo-se o primeiro invariável na forma masculina do singular;  assim, diz-se «massa branco-acinzentada», «massas branco-acinzentadas», «camisa verde-clara» e «camisas verde-claras». Gern geschehen!

[Texto 23 444]

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Léxico: «puchkiniano | oneguiniano | estrofe oneguiniana»

Pois se os encontramos em português


      «Un travail qui s’accompagnerait d’une manière de théorie de la traduction à la fois rigoriste et maniaquement iconoclaste – presque provocatrice dans le choix des mots, de la métrique (la fameuse “strophe Onéguine”), à l’opposé de toutes les traductions existantes ou à venir ayant fait le choix d’une transcription mélodieuse de la musique pouchkinienne» («Pouchkine sonne le glas de l’amitié entre Nabokov et Wilson», Olivier Lamm, Libération, 13.08.2026, p. III). 
      Ora, também o temos, pois claro, ➠ puchkiniano adjectivo relativo ou pertencente ao poeta russo Aleksandr Púchkin (1799-1837), à sua obra ou ao seu estilo. 
      Como temos, vejo-o em vários estudos literários publicados no Brasil, ➠ onieguiano ou oneguiniano adjectivo relativo ou pertencente ao romance em verso Evguiêni Oniéguin, de Aleksandr Púchkin, ou característico da sua forma poética. 
      E assim desembocarmos na ➠ estrofe onieguiana LITERATURA forma estrófica criada por Aleksandr Púchkin para o romance em verso Eugénio Onéguin, constituída por catorze versos em tetrâmetro iâmbico, com alternância regular de rimas femininas e masculinas e esquema rimático abab ccdd effe gg, correspondente, sucessivamente, a rimas cruzadas, emparelhadas, interpoladas e a um dístico final.

[Texto 23 443]

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