Pois, muita areia
Eu só queria notas de 500 euros (pois, também não posso contentar-me com notas de 10 ou 20) como as vezes que já li, em traduções do inglês americano, referências a casas, degraus ou qualquer outro elemento arquitectónico de arenito. O brownstone transforma-se invariavelmente em «arenito castanho», quando não «arenito amarelo», como se a cor da pedra fosse mais importante do que o edifício inteiro. E, no entanto, nem é castanho nem amarelo: o brownstone original tem uma tonalidade indefinida, entre o avermelhado e o terroso (reddish-brown, como dizem os dicionários) e o que importa, verdadeiramente, não é a cor, mas o tipo de edifício que esse termo designa. Brownstone não é a pedra nem a cor: é o nome dado a um tipo de prédio urbano nova-iorquino, típico do século XIX, com fachadas revestidas de arenito (sempre aparece!) e uma escadaria frontal, o stoop, que conduz ao andar principal, elevado em relação à rua. Traduzir isso por «degraus de arenito castanho» é não perceber nem a arquitectura, nem a língua, nem o efeito pretendido na narrativa. Mas retomo o início e reformulo-o: não era notas que eu queria, mas anos com saúde. Enquanto fui imortal, não pensava assim, mas agora a história é outra.
[Texto 22 337]
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P. S.: Lá te esqueceste, Porto Editora, de dicionarizar «grafémico» e «grafofonémico», que aqui propus no passado dia 29. Só neste blogue andam vai para quinze anos. Já merecem ascender ao Olimpo.