«Grande Maçã»

Vá, agora agradeçam-lhe

      «Foi na Grande Maçã que [Madalena da Suécia] conheceu o corretor de bolsa, tendo o romance começado no início de 2011» («O príncipe plebeu que salvou a princesa sueca», Raquel Costa, Diário de Notícias, 19.05.2013, p. 53).
      Grande Maçã, muito bem. Mas agora reparem como já não se pode ser somente «corretor», mas «corretor de bolsa». Tudo graças ao Acordo Ortográfico de 1990.
[Texto 2858]

«Planeta Vermelho»

Há sempre quem não saiba

      «Ao mesmo tempo que desbrava caminhos em Marte, com a Curiosity para explorar o planeta vermelho, a NASA anuncia o montante que representa a aposta americana nas empresas privadas que levarão, a partir de agora, os astronautas para a Estação Espacial Internacional» («NASA investe quase 900 milhões em naves espaciais de privados», Rita Carvalho, Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 33).
      «Bem empacotado e protegido, o robô Curiosity, da NASA, aproxima-se do seu destino, a superfície de Marte, onde descerá na madrugada da próxima segunda-feira, se tudo correr bem. Objetivo: estudar pela primeira vez o subsolo do planeta (a uma profundidade de 25 cm), para se perceber, de uma vez por todas, se já houve (se haverá ainda) vida no Planeta Vermelho» («Robô ‘Curiosity’ a três dias de chegar a Marte», Diário de Notícias, 3.08.2012, p. 24).
[Texto 1937]

«Cidade dos Estudantes»

Mais um esforço

      «Se viver ou estiver de passagem pela cidade dos estudantes[,] não deixe de aproveitar para levar a clássica cesta de vime, recheada de fruta, água e comidinhas leves, até ao Parque Verde. Um almoço à sombra de uma árvore junto ao Mondego é uma boa maneira de aproveitar a cidade de Coimbra. E se estiver na região e o tempo não for um problema, então mais vale levantar-se bem cedo e rumar até ao Luso, onde o que não faltam são espaços verdes e a água fresca jorra livremente nas bicas da fonte do centro da vila» («Levar o farnel na cesta e pôr a mesa ao ar livre», Catarina Reis da Fonseca, Diário de Notícias, 2.08.2012, p. 48).
      Cara Catarina Reis da Fonseca, trata-se de um prosónimo, está em vez de um topónimo, por isso escreve-se com maiúsculas iniciais. Não tem de quê.
[Texto 1907]

Grande Maçã

Quem os viu


      Ena, até já sabem grafar prosónimos: «De acordo com documentos apresentados ontem naquele tribunal, Renato Seabra viajou para a Grande Maçã na companhia da vítima Carlos Castro no dia 29 de Dezembro do ano passado. Ambos ficaram hospedados no Hotel Intercontinental na Rua 44 West» («Renato Seabra entrou algemado e clamou inocência», Ricardo Durães, Diário de Notícias, 2.02.2011, p. 50).

[Post 4397]

Cidade Maravilhosa

Fica agora a saber


      «O exército que invadiu o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, foi acompanhado na subida ao morro por um igualmente numeroso batalhão de repórteres seniores demasiado habituados à violência da cidade maravilhosa. Tem sido, no entanto, um grupo de “jornalistas” menores de idade que, a partir do interior da favela, tem conseguido parte dos exclusivos informativos que revela ao Mundo pelo Twitter» («Adolescentes do Complexo do Alemão vencem batalha das notícias no Twitter», Alfredo Leite, Jornal de Notícias, 29.10.2010, p. 3).
      Não, desta vez não é sobre os «repórteres seniores». Alfredo Leite não saberá, mas na redacção alguém deveria saber que os prosónimos se escrevem com maiúscula inicial.

[Post 4143]

«Terras de Sua Majestade»

Na jugular, é certeiro


      E outro jornalista escreveu que não sei quem se sentia «nervosa mas confiante, é assim que a espanhola se sente em terras de Sua Majestade». Mas este é mais um prosónimo, pelo que se grafará Terras de Sua Majestade. Podia, vamos lá ver, ter sido pior: podia ter escrito, como leio tantas vezes, *magestade. Ou tudo em minúsculas, como Fernanda Câncio se liberta da escrita disciplinada do Diário de Notícias. O sangue da jugular é a língua a esvair-se.

[Post 3326]

Grafia dos prosónimos II

Leiam o que escrevem


      «Em 1831 o autor francês Alexis de Tocqueville escreveu um famosíssimo livro sobre a América: Da Democracia na América. De visita ao novo mundo, foi ele o primeiro a registar as pulsões particulares que comandavam os americanos» («A América e a Europa», Pedro Lomba, Público, 25.1.2010, p. 32).
      Pois é, mas o próprio Livro de Estilo do Público, na secção relativa ao uso de maiúsculas e minúsculas, no ponto 5, recomenda e bem que se empregue a maiúscula inicial nos «nomes geográficos: Alto Alentejo, Ásia Menor, Extremo Oriente, Brasil, Novo Mundo, Outra Banda, Pirenéus». Já não sabem as regras que se impuseram? Quanto ao cronista, não lhe ficava mal aprender.

[Post 3062]

Prosónimos e «defeso»

At one stroke

      Bem sei que o revisor antibrasileiro estava escaldado por, na véspera, um jornalista ter escrito Capital da Mobília, mas, ainda assim, devia ter reflectido mais quando lhe apareceu Cidade do Lis e ele emendou para cidade do Lis: «O médio, autor do segundo golo, chegou a ser anunciado no defeso, como reforço vitoriano, mas acabou por rumar à cidade do Lis.» (Ah, sim, cada vez que leio, e é todos os dias, «defeso» no âmbito do futebol não deixo de dar uma gargalhada. Para os dicionários e para milhões de falantes, «defeso» ainda é só a época do ano em que é proibido caçar ou pescar.) Os pobres jornalistas vão ficar perplexos: eu a doutriná-los pacientemente na grafia correcta dos prosónimos, este tratante a destratar assim a língua de uma penada inepta.

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