Têm nome específico

Que são quatro


      «Só numa semana, até chegarmos ao atrelado, ficámos a saber que Luís Neves contratou um empreiteiro que faz obras em edifícios da PJ para obras particulares; que esse empreiteiro vive a 550 quilómetros e tem um longo historial de falências; que não há comprovativo dos únicos cinco mil euros que alegadamente pagou após dois anos de obras; que não tinha contrato, nem orçamento; que chamou tanque a uma piscina que nunca licenciou; que as obras não são apenas num monte, mas em dois; que incumpriu o dever de exclusividade enquanto director da PJ e não declarou a empresa da mulher; que as contas dessa empresa têm contabilidade criativa e que uns barrotes das Infra-Estruturas de Portugal acabaram no seu monte transformados em mesa e bancos» («Crime? Mas como, se o monte é tão pindérico?», João Miguel Tavares, Público, 19.07.2026, p. 48).
      Barrotes? Noutros jornais, são «vigas de comboios», «traves», «madeira», «placas de madeira»... Têm pelo menos quatro nomes: travessas, dormentes, sulipas, chulipas.

[Texto 23 309]

Como se pontua por aí

São melhores a fazer almôndegas


      «Nem tudo o que parece caro, é», anuncia aí pelos múpis a IKEA. Ai, IKEA, valha-me Deus, essa pontuação... Åh, IKEA, gode Gud, den där interpunktionen... Oh mulher, então tu não sabes que não se pode separar com vírgula o sujeito do predicado se a frase estiver na ordem directa e não houver complementos pelo meio? Men snälla du, vet du inte att man inte får sätta ett komma mellan subjekt och predikat när meningen står i rak ordföljd och inget skiljer dem åt? Não despeças ninguém. Aprende gramática. Sparka ingen. Lär dig grammatik.

[Texto 23 303]

Como se reedita por aí

Eu não agradeço


      Então, vamos lá a ver: se na lista dos nomes femininos admitidos ainda hoje, Julho de 2026, encontramos Lauriana, por que motivo nas edições modernas da obra A Ruiva, de Fialho de Almeida, o transmutam para Laureana?

[Texto 23 282]


Como se escreve por aí

Descontraia, relaxe


      «Se era normal o choro dos congressistas sociais-democratas em transe pelo Chega ter votado contra depois da “negociação”, já totalmente absurda foi a intervenção da ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho» («Em Sangalhos, um PSD em frangalhos», Ana Sá Lopes, Público, 22.06.2026, p. 40). Descontraia, Ana Sá Lopes, não fique tensa: «em transe por o Chega». Assim é que é. Miguel Relvas diria o mesmo de mim: devem ver as minhas críticas como uma assessoria gratuita.

[Texto 23 192]

Como se escreve por aí

Valha-nos Deus...


      Ao que isto chegou, esta forma de escrever: «Justiça coloca à solta cabecilha do PCC e a mulher» (Magali Pinto, Correio da Manhã, 28.05.2026, p. 14).

[Texto 23 132]

Chega de inglês

Assim está bem

      «Putin, que está a ser pressionado para entregar Edward Snowden, lembrou que o seu país não tem acordo de extradição com os EUA e disse que “quanto mais cedo” o delator escolher o seu destino, melhor» («Putin afasta expulsão mas quer Snowden fora do país», Susana Salvador, Diário de Notícias, 26.06.2013, p. 24).
      Assim está bem, e não, como preferem (!) no Público, ou pelo menos escreveram uma vez, whistleblower. Até parece mentira como se escreve assim em jornais portugueses.
[Texto 3023]

Galochas para morrer

Calçado para a morte

     «Do Reino Unido vêm também as galochas Hunter. Criadas em 1856 por Lee Norris, um empresário do ramo da borracha que prosperou com a venda destas galochas aos soldados que morriam nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial» («Ferramentas de trabalho que se tornaram marcas de luxo», Joana Emídio Marques, Diário de Notícias, 24.06.2013, p. 48).
      Apenas os que prometessem morrer nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial é que podiam comprar estas galochas, é isso?
[Texto 3021]

Outra na moda: «icónico»

Mas há alternativas

     «Só o logótipo [da Hèrmes] evoca essas origens humildes da marca que mais tarde criou objetos icónicos como as malas Birkin e Kelly» («Ferramentas de trabalho que se tornaram marcas de luxo», Joana Emídio Marques, Diário de Notícias, 24.06.2013, p. 48).
      «Esta fatalidade [morte do piloto dinamarquês Allan Simonsen [1978-2013)] veio ensombrar a 81.ª edição desta prova emblemática» («Perder a vida em Le Mans na sua corrida favorita», Diário de Notícias, 24.06.2013, p. 43).
[Texto 3020]

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