«Prujedicar»!
23.6.13
O exagerado Alberto
«“O comportamento do investimento é muito preocupante sendo no entanto que o investimento no primeiro trimestre deste ano é adversamente influenciado pelas condições meteorológicas nos primeiros três meses do ano que ‘prujedicaram’ a actividade da construção.”
O conteúdo desta afirmação recente do ministro das Finanças causou farta indignação e galhofa. Infelizmente, a forma passou incólume. Nem falo da sintaxe atabalhoada e das redundâncias. Mas o recurso ao misterioso verbo “prujedicar” mexe comigo. O verbo está longe de ser uma especificidade de Vítor Gaspar: pelo menos no radioso universo televisivo a coisa tornou-se, ignoro desde quando ou porquê, omnipresente. O clima “prujedica”, as políticas “prujedicam”, as greves “prujedicam”, a austeridade “prujedica”. Tudo isto perante a indiferença geral e, o que é um bocadinho pior, a participação geral no disparate. Governantes, oposicionistas, romancistas, jornalistas, académicos e personalidades diversas convergem no acto de “prujedicar” o léxico sem piedade» («Ordem, mentiras e progresso», Alberto Gonçalves, Diário de Notícias, 23.06.2013, p. 55).
[Texto 3011]
edit
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