Como se traduz por aí
11.10.26
Fora da realidade
«— A senhora está bem? — perguntou a mulher que estava ao lado dela. Estava a olhar para o fio de emergência. Se o puxasse, Roz não conseguiria apanhar o comboio» (Crime no Expresso de Natal, Alexandra Benedict. Tradução de Nuno Carvalho e revisão de Maria Ferro. Lisboa: Guerra & Paz, 2023, p. 22).
Tão pouco idiomático... Desde quando é que dizemos «fio de emergência»? «‘Are you okay?’ the woman next to Roz said. She was eyeing the emergency cord. If she pulled it, Roz would never catch the train.» Mesmo que fisicamente seja um cordão — cordão, não fio —, isso é secundário. O tradutor não está a fazer o inventário material da carruagem; está a traduzir uma situação que o leitor português deve reconhecer imediatamente. Logo: «— Está bem? — perguntou a mulher ao lado de Roz. Estava de olho no sinal de alarme. Se o puxasse, Roz nunca apanharia o comboio.»
[Texto 23 670]
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