Como se traduz por aí

Palavra cancelada


      «A pessoa que se preparava para cometer o crime olhou de relance para Meg» (Crime no Expresso de Natal, Alexandra Benedict. Tradução de Nuno Carvalho e revisão de Maria Ferro. Lisboa: Guerra & Paz, 2023, p. 75). 
      Agora imaginem em escassas linhas quatro vezes «a pessoa que se preparava para cometer o crime», quando no original está sempre e só, até à última página, «the killer». E reaparece: na página 91, são mais quatro ocorrências. Na página 154, porém, com a alteração das circunstâncias — o crime já ocorrera — passa a ser «a pessoa que só pensava no crime». Na página 192, já é «a pessoa que planeara o crime». Finalmente, na página 196, é «a pessoa que cometeu o crime». Ou, para os amigos da concisão: «o assassino». Na página 197, há uma depuração radical, passa a ser só «a pessoa» e «a outra pessoa». Na página 202, é «a pessoa que planeou o crime». Na página 205, é «quem cometeu os crimes». É só um — quer dizer, um feixe — dos incontáveis erros nesta obra. Isto é normal?

[Texto 23 676]

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