Definição: «robô»

Onde isso já vai


      Ontem à noite, numa rádio, ouvi uma conversa acerca dos robôs e sobre terem de pagar impostos, no futuro. Acho bem, pois então. Ou acharia, se fosse político. O que acho graça é a definição de «robô» nos nossos dicionários reflectir uma concepção já ultrapassada, muito centrada no robô industrial tradicional, destinado sobretudo à execução de tarefas repetitivas ou perigosas em substituição do ser humano. Onde isso já vai... Além disso, os robôs não se destinam necessariamente a substituir o ser humano na execução de tarefas: podem auxiliá-lo ou complementá-lo e podem ainda desempenhar funções que, pelas suas características ou pelo meio em que são realizadas, não poderiam sequer ser executadas directamente por uma pessoa. A robótica contemporânea abrange, contudo, máquinas com funções e graus de autonomia muito diversos. Sugiro, por isso, uma definição mais abrangente e consentânea com a terminologia técnica actual, designadamente com a ISO 8373:2021: «máquina programável, dotada de algum grau de autonomia, capaz de realizar tarefas através de movimentos de locomoção, manipulação ou posicionamento». 
      Assim, proponho ➠ robô 1. máquina programável, dotada de algum grau de autonomia, capaz de realizar tarefas através de movimentos de locomoção, manipulação ou posicionamento. (Quanto à etimologia, na realidade, é esta: do checo robot, «idem», termo proposto por Josef Čapek para a peça R.U.R. (1920), do seu irmão Karel Čapek, de robota, «trabalho forçado; corveia».)

[Texto 23 658]

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1 comentário:

Helder Guégués disse...

A definição do vocábulo robô, nesta acepção, foi hoje corrigida no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Ficou assim: «máquina programável, dotada de algum grau de autonomia, capaz de realizar tarefas através de movimentos de locomoção, manipulação ou posicionamento».

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