Outra confusão

Mais uma


      «[A arqueóloga] Conceição Lopes destaca outro pormenor que diz já ser fruto da importância que o fórum romano assumiu: “Os moços são naturais de Beja.” Outra jovem, que será arqueóloga num futuro próximo, extrai pacientemente todas as ervas e arbustos, por mais pequenos que sejam, do piso que resta de um tanque de água que tinha 4,5 metros de largura e 90 centímetros de profundidade, construído em cimento romano (opus caementicium) no final do século I a.C. e que contorna o templo romano, um edifício com 30 metros de comprimento e 19,40m de largura. A estrutura é em tudo semelhante aos que existem em Évora, da província espanhola de Ecija (Sevilha) e de Barcino (Barcelona)» («Escavações regressaram ao Fórum Romano de Beja após interregno de nove anos», Carlos Dias, Público, 5.08.2026, p. 15). 
      Está errado: o opus caementicium é o betão romano. O jornalista não sabe a diferença entre cimento e betão. Devia ter investigado e/ou perguntado. Agora, mais gente desaprendeu. O opus caementicium era o material compósito constituído por uma argamassa ligante (cal, água e areia ou pozolana) e por agregados, fragmentos de pedra, tijolo ou cerâmica. Portanto, corresponde funcional e estruturalmente a um betão. O cimento é apenas um ligante; não inclui os agregados. Não são apenas os jornalistas, também demasiados tradutores confundem cimento com betão, como confundem fita isoladora com fita-cola, telhado com tecto, azulejo com mosaico, ombreira com padieira, relva com erva e um largo e triste etc.

[Texto 23 555]

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