Tradução: «hedge fund»

Nem a mulher sabe


      «O meu marido gere um fundo de cobertura na cidade, e trabalha mais do que todas as outras pessoas que conheço, mas respeito o facto de que, ainda que às vezes tenha de perder o nosso jantar em família, todas as noites está em casa a horas de deitar o Teddy» (O Divórcio, Freida McFadden. Tradução de Carla Ribeiro e revisão de Mariana Félix. Odivelas: Alma dos Livros, 2026, p. 14). 
      No original é hedge fund. O original não pretende obrigar o leitor americano a conhecer terminologia financeira especializada: hedge fund é uma expressão suficientemente corrente para ele perceber de imediato que o marido gere um fundo de investimento, associado ao mundo da alta finança. «Fundo de cobertura» não produz no leitor português efeito equivalente: parece técnico e, sobretudo, não é semanticamente transparente. Embora aposte que a expressão inglesa anda por aí em traduções literárias, não é isso que aconselho, como é óbvio, mas uma solução melhor e mais transparente: fundo especulativo. É muitíssimo usada em português (assim como, mas muito menos, «fundo de investimento especulativo») e imediatamente compreensível. (Pelos vistos, nem a mulher sabe ao certo o que o marido faz: primeiro gere um fundo especulativo (hedge fund); algumas páginas depois, na 27 e na 95, já é banqueiro de investimento (investment banker), e algures pelo meio ainda é mero gestor. E não, Jeremy não mudou entretanto de emprego.)

[Texto 23 517]

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