Definição: «aspartame»
14.9.26
Grande equívoco
«Autorizado em diversos alimentos e bebidas sem açúcar ou com teor energético reduzido, como refrigerantes e iogurtes, este adoçante decompõe-se após a ingestão em duas substâncias: o aspartame e o acessulfame K, recordou a EFSA, cuja sede é em Parma, Itália» («Aspartame não apresenta riscos para a saúde, segundo agência da UE», RTP Notícias, 11.09.2026, 7h28).
Há aqui, em relação ao aspartame, um grande equívoco, e como os dicionários também caem nele, vejo-me obrigado a dizer alguma coisa. O aspartame não se distingue por ter, em si mesmo, um teor calórico excepcionalmente baixo, mas pelo seu elevadíssimo poder adoçante: é cerca de 200 vezes mais doce do que a sacarose, pelo que basta empregar quantidades muito pequenas, tornando reduzidíssimo o seu contributo energético nos alimentos. É, pois, enganador afirmar, como faz o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que o aspartame é utilizado como edulcorante «por ter baixo teor calórico e alto poder adoçante»: é precisamente o elevado poder adoçante que permite utilizá-lo em quantidades tão pequenas que o aporte calórico se torna desprezável. Também a caracterização inicial como simples «composto cristalino» é manifestamente insuficiente. Ser cristalino é uma propriedade física comum a inúmeras substâncias e não identifica a natureza química do aspartame. Este é, mais precisamente, o éster metílico de um dipéptido formado por ácido aspártico e fenilalanina. «Cristalino» pode naturalmente figurar na definição como característica da substância — apresenta-se como um pó cristalino branco —, mas não deve substituir a sua caracterização química.
Assim, proponho ➠ aspartame éster metílico do dipéptido aspartil-fenilalanina (C₁₄H₁₈N₂O₅), de elevado poder adoçante, cerca de 200 vezes superior ao da sacarose, utilizado como edulcorante artificial na indústria alimentar.
[Texto 23 516]
edit
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