Definição: «kamikaze»

Pensemos noutros casos


      «Uma das suas [de George Orwell, quando, entre 1941 e 1943, trabalhou para o Serviço Oriental da BBC] tarefas era justamente ler e analisar a propaganda do Eixo, nomeadamente do regime japonês. Acredito que o autor possa ter bebido aí bastante material para o seu romance. Quando refere a doutrina da ‘Adoração da Morte’ na Lestásia, por exemplo, é difícil não nos lembrarmos dos kamikazes, pilotos de aviões ou de submarinos rudimentares que davam a vida para atingir um alvo inimigo» («Orwell nipónico», José Cabrita Saraiva, «Versa»/Nascer do Sol, 25.09.2026, p. 42). 
      Nome, logo, com marca do plural: kamikazes. Aqui não há dúvidas. Algumas editoras até podem deixar passar outras coisas, mas, como adjectivo, nunca deixam passar o adjectivo kamikaze com marca de plural. E que faz a Porto Editora? Apesar de marcar kamikaze como palavra estrangeira, classifica-o como «adjectivo de 2 géneros», admitindo, por conseguinte, a flexão em número. Curiosamente, e só para citar dois entre muitos outros exemplos, não deixa de considerar invariáveis adjectivos estrangeiros como standard e vintage. No primeiro caso, a distinção é particularmente elucidativa: standards é plural do nome, ao passo que o adjectivo standard é expressamente classificado como invariável. Parece, pois, que é essa mesma distinção que falta fazer em kamikaze: kamikazes como plural do nome; kamikaze, invariável, como adjectivo.

[Texto 23 593]

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