Definição: «mónada»
25.9.26
Dois terços evolaram-se
«Ninguém melhor do que a burguesia foi capaz de forjar uma história à altura das suas aspirações: uma história de grandes feitos e eventos. E, no entanto, como nos ensinou uma certa historiografia, talvez seja nos pequenos acontecimentos que cada época chega a revelar qualquer coisa de si mesma. Estes acontecimentos são simultaneamente fragmentos (ou estilhaços) e mónadas que parecem reflectir e guardar a totalidade de um universo histórico sempre inapreensível» («A praia: último destino da social-democracia», Pedro Levi Bismarck, «Ípsilon»/Público, 14.08.2026, p. 29).
A Porto Editora parece ter perdido pelo caminho cerca de dois terços do verbete «mónada», incluindo a acepção química — «átomo ou radical univalente» —, que já Cândido de Figueiredo registava há mais de um século e que hoje continua no Houaiss. Sendo assim, e tendo em consideração o que outros dicionários também registam, proponho ➠ mónada 1. FILOSOFIA entidade metafísica concebida como unidade simples e indivisível; 2. FILOSOFIA na filosofia antiga, especialmente na tradição pitagórica, unidade indivisível considerada princípio dos números e, em certas doutrinas, de toda a realidade; 3. FILOSOFIA na filosofia de Giordano Bruno, unidade metafísica indivisível, constitutiva de todas as coisas; 4. FILOSOFIA na filosofia de Leibniz, substância simples, inextensa e indivisível, dotada de percepção e actividade próprias, que constitui elemento fundamental da realidade e reflecte, segundo a sua perspectiva particular, a totalidade do Universo; 5. BIOLOGIA organismo unicelular diminuto e simples, especialmente um organismo flagelado; 6. BIOLOGIA, HISTÓRIA organismo primitivo ou unidade orgânica elementar hipotética; 7. GENÉTICA cromátide individual resultante da separação das cromátides de uma díade durante a meiose; 8. QUÍMICA átomo, ião ou radical de valência um. (Quanto à etimologia, vem do latim tardio monăde-, do grego monás, monádos, «unidade», de mónos, «só; único».)
[Texto 23 590]
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