Como se escreve por aí

A maldição do itálico


      «Sempre achei que foi o destino que me fez esquecer a carteira naquele dia no Starbucks e que ele me pagasse o café» (O Divórcio, Freida McFadden. Tradução de Carla Ribeiro e revisão de Mariana Félix. Odivelas: Alma dos Livros, 2026, p. 24). «Li na Internet que saquetas de chá podem ajudar, por isso pus uma em cada olho, mas não ajudou e espalhei chá por todo o lado» (p. 32). «Olho para o Mastercard na minha mão, confusa» (p. 59). «Ao fim da noite, estávamos ambos sempre um pouco ébrios, razão pela qual apanhávamos um Uber em ambos os sentidos, e, na viagem de regresso, dávamos uns amassos no banco de trás como adolescentes» (p. 65). «Seja como for, ainda não são bem horas de sair para a reunião, por isso pego no telemóvel e pesquiso no Google pelo nome “Veronica Chesson”» (p. 134). «A minha melhor amiga está sentada num pufe junto à minha cama» (p. 240). 
      Já agora, porque não?, também os nomes da tradutora e da revisora em itálico, tão nomes próprios como Uber, Starbucks, Mastercard, etc. O itálico não nasceu para isso, coitado. Não é como revisor que abomino isto, é como leitor.

[Texto 23 608]

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