Como se traduz por aí
17.9.26
Vamos experimentar
«Agora, como vou levar a Veronica lá para baixo? Embora seja mais alta do que eu, é muito magra. Testo as águas, agarrando-a pelos tornozelos e arrastando-a pelo chão, e a verdade é que é mais fácil do que esperava. Tenho algum receio de magoar as costas, ainda assim» (O Divórcio, Freida McFadden. Tradução de Carla Ribeiro e revisão de Mariana Félix. Odivelas: Alma dos Livros, 2026, p. 214). Valha-me Deus... É uma expressão idiomática corrente, está dicionarizada. Por todos, veja-se no Collins English Dictionary, que tanto regista test the water como test the waters: fazer uma abordagem exploratória, sondar, experimentar primeiro para ver qual será o resultado ou a reacção.
A tradutora revela certa preferência pelo verbo «testar», tão português como uma sanduíche, ainda quando não é — claramente — o adequado: «O portão do jardim das traseiras está fechado, mas, quando o testo, não está trancado» (p. 177). [«The gate to the backyard is closed, but when I try it, it’s not locked.»] A minha avó diria assim, e eu, seu neto, não diria melhor: «O portão do jardim das traseiras está fechado, mas, quando tento abri-lo, vejo que não está trancado.»
A tradutora revela certa preferência pelo verbo «testar», tão português como uma sanduíche, ainda quando não é — claramente — o adequado: «O portão do jardim das traseiras está fechado, mas, quando o testo, não está trancado» (p. 177). [«The gate to the backyard is closed, but when I try it, it’s not locked.»] A minha avó diria assim, e eu, seu neto, não diria melhor: «O portão do jardim das traseiras está fechado, mas, quando tento abri-lo, vejo que não está trancado.»
[Texto 23 540]
edit
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