Léxico: «pardelho(s) | cacifro»
20.9.26
Ou o leitor não pescará nada
«Estendendo a mão, tocou na face tépida da criança. O berço quedara-se enleado na ramagem de um salgueiro vergado pelo peso de uma rede ou pardelho, como lá dizem, que dali, atado nele, atravessava para a margem da Ínsua — um bosque de choupos assim chamado. As bóias arfadas pela corrente chofravam nos flancos do berço» (Maria Moisés, Camilo Castelo Branco. Lisboa: INCM, 2020, pp. 43-44).
Encontramo-lo também em Aquilino. Ser sustentada por bóias pode não ser característica verdadeiramente distintiva nem inerente ao modo habitual de armar a rede, pelo que vamos omiti-las. Assim, proponho ➠ pardelho(s) regionalismo rede de emalhar que se dispõe transversalmente num rio, de uma margem à outra, para capturar peixe.
[Texto 23 554]
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P. S.: Camilo, este mesmo de Maria Moisés, e nós com ele, ainda espera que os dicionários acolham outro acessório de pesca, o ➠ cacifro regionalismo cesto de verga, geralmente de forma circular e levado a tiracolo, em que o pescador guarda o peixe capturado, podendo mantê-lo dentro de água para conservar as capturas vivas ou frescas.
Com certeza os lexicógrafos não quererão que, para guardar o peixe capturado, os pescadores usem o «cesto de vime onde os caçadores levam o furão».
edit
2 comentários:
O vocábulo pardelho foi hoje registado no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Ficou assim: «1. coloquial pequeno pardal; 2. regionalismo [também no plural] rede de pesca artesanal que se dispõe transversalmente num rio, de uma margem à outra, para capturar peixe».
Esta acepção do vocábulo cacifro foi hoje registada no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Ficou assim: «1. regionalismo cesto, geralmente de verga e circular, próprio para guardar e transportar o peixe capturado».
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