13.9.10
Vírgulas fugitivas
Já aqui exalcei o olho clínico (potenciado, recentemente, e assim prosaicamente desmetaforizado, com uns implantes intra-oculares — pista preciosa para um Dr. Richard Kimble lhe descobrir a identidade, a não ser que prefiram vê-lo como um alter ego meu) do revisor antibrasileiro para as repetições. Com as lentes, também recentemente, porque me lembro de conversas em que ele afirmava o contrário, foi-lhe implantado no cérebro a necessidade de um matiz na pontuação dos complementos circunstanciais de lugar. Apareceu a seguinte frase: «Em Braga, substituiu Jorge Costa em Novembro e, nos seus primeiros três jogos, somou 7 pontos, mas depois não conseguiu garantir um lugar europeu, terminando a 12 pontos de um V. Guimarães que foi 3.º classificado.» Que não, que a acção e o lugar estão tão intimamente ligados, argumentou, preleccionou, tentou convencer, que não pode haver ali vírgula, e, assim, emendou desta maneira: «Em Braga substituiu Jorge Costa em Novembro e, nos seus primeiros três jogos somou 7 pontos, mas depois não conseguiu garantir um lugar europeu terminando a 12 pontos de um V. Guimarães que foi 3.º classificado.» Isto convence alguém? Suspeito que nem o próprio sai convencido nem os demais persuadidos.
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