«Distrito financeiro»?

Sempre do mesmo sítio

      «A polícia crê que terá sido a mesma pessoa — um homem branco com idade entre os 35 e 45 anos — que, após os disparos na recepção do Libération, se dirigiu para o distrito financeiro de Paris, em La Défense, e atirou contra a fachada de uma das duas torres do banco Societé Générale [sic]. Este indivíduo é também suspeito de, na sexta-feira, ter entrado na recepção da televisão BMF e, depois de tirar dois cartuchos da sua arma, deitando-os para o chão, ter ameaçado: “Para a próxima, não vou errar”» («Polícia conhece o rosto do atirador de Paris», João Ruela Ribeiro, Público, 20.11.2013, p. 31).
      «Distrito financeiro»? Hum... Não temos esta acepção em português. E mesmo alguns dicionários de língua francesa atestam que se trata de anglicismo.
[Texto 3554]

Tradução: «selfie»

Ora toma

      «Os auto-retratos existem quase desde sempre mas nunca estiveram tanto na moda como agora. Isto por causa da evolução da tecnologia, ou seja, do boom dos smartphones e, claro, das redes sociais. Afinal quem é que nunca tirou uma fotografia sua e partilhou no Facebook ou no Instagram? Ou quem é que nunca criticou quem tivesse feito isto? É que de uma maneira ou de outra, a moda veio para ficar e tem um nome: selfie, a palavra inglesa do ano 2013. [...] O próximo passo é incluí-la no Dicionário de Inglês de Oxford. Para já, tem apenas uma entrada no site OxfordDictionaries.com, com o significado formal: “uma fotografia que uma pessoa tira a si mesma, geralmente com um smartphone ou uma webcam e que depois descarrega numa rede social na Internet”» («De Rembrandt a Bieber, o auto-retrato agora é uma selfie e está na moda», Cláudia Carvalho, Público, 20.11.2013, p. 36).
      Nós somos muito, mas muito mais rápidos: já está no Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora: «coloquial autofotografia».
[Texto 3553]

Léxico: «meio-bilhete»

No título, a tal doença

      «Historicamente, sempre houve o meio-bilhete de criança no caminho-de-ferro em Portugal. O desconto de 50% para idosos é posterior ao 25 de Abril, inicialmente apenas para quem adquirisse um “cartão dourado” que custava 60 escudos (30 cêntimos). O processo foi simplificado e basta agora que o passageiro se identifique como tendo mais de 60 anos» («CP vendeu 6,5 milhões de “meios-bilhetes” a crianças e a idosos», Carlos Cipriano, Público, 18.11.2013, p. 10).
[Texto 3552]

Os nomes da libélula

Para mim, era só tira-olhos

      «Mandíbulas dilacerantes e asas enormes fizeram com que estes animais de voos graciosos fossem temidos pelo homem. Reflexo disso é o conjunto de outros nomes comuns atribuídos às libélulas: tira-olhos, cavalinho-das-bruxas, dragões-voadores ou balanças-do-diabo» («Voando com as libélulas de Portugal», Vera Novais, Público, 18.11.2013, p. 26).

[Texto 3551]

Tradução: «stacking»

É só isso?

      «Cada uma destas imagens de pormenor é composta pelo empilhamento digital de várias fotografias (um dos casos chega às 150) tiradas com diferentes profundidades de campo, para permitir focar o maior número de detalhes possível em cada plano. “É a primeira vez que esta técnica de stacking é utilizada num guia de Entomologia [ciência que estuda os insectos]”, sublinha Ernestino Maravalhas, autor destas fotografias» («Voando com as libélulas de Portugal», Vera Novais, Público, 18.11.2013, p. 26).
      Sabem que se traduz por «empilhamento», mas resistirem a usar o termo inglês é que é muito mais difícil.
[Texto 3550]

Léxico: «pentalogia»

E por aí fora

      «Da sua vastíssima bibliografia, que lhe valeu, em 2007, o Prémio Nobel da Literatura, podem destacar-se ainda O Verão Antes das Trevas (1973), a pentalogia de ficção científica Canopus em Argos (1979-1983) ou A Boa Terrorista (1985), relato perpassado de ironia da vida de uma militante de esquerda, no qual Lessing mostra como a fronteira entre as convicções ideológicas e a prática terrorista pode tornar-se perigosamente delgada» («Morreu Doris Lessing, uma ficcionista de intelecto feroz e coração afectuoso», Luís Miguel Queirós, Público, 18.11.2013, p. 28).
      É para trilogia e tetralogia não se sentiram sozinhas que se inventou esta pentalogia. O modelo é o mesmo.
[Texto 3549]

Léxico: «verde-tropa»

Vamos tratar disso

      «O atirador não disse uma palavra: chegou à entrada da redacção do diário francês Libération, disparou contra um assistente de fotografia e saiu. A polícia procurava por meia Paris o homem, descrito como usando uma gabardina verde-tropa e de boné, e tendo um aspecto parecido com o de um caçador» («Caça ao homem em Paris para encontrar o “atirador louco”», Maria João Guimarães, Público, 19.11.2013, p. 24).
      Ainda não está nos dicionários, onde não faltam outros verdes compostos. Já o tinha visto, contudo, na literatura e todos o ouvimos. «O Pedro despenteado. E o Pedro com gel no cabelo. De jeans. De calças de combate. Com uma T-shirt azul. Com uma T-shirt verde-tropa. Um Pedro sério, com uma ruga vertical entre as sobrancelhas e um ar ameaçador e triste ao mesmo» (Os Factos da Vida, Ana Saldanha. Lisboa: Editorial Caminho, 2007, p. 173).
[Texto 3548]

«Publicações»?

Pelo menos é português

      «Sobre estes temas [William S. Fyfe (1927-2013)] escreveu mais de 800 publicações na literatura internacional. Humanista insigne, cultivou ativamente a relevância social da ciência que praticou. Mas houve trabalhos noutras áreas, como as implicações do consumo humano de energia no ambiente» («O pai da geoquímica moderna era um “amigo de Portugal”», Diário de Notícias, 19.11.2013, p. 43).
      Serão estas «publicações» os tais papers de que já temos tratado? Não serão antes «comunicações»? Aqui, que talvez seja a fonte do jornalista, leio: «Bill’s research activities are well-documented in five books, more than 800 scientific papers, etc.»
[Texto 3547]

Arquivo do blogue