Léxico: «peixum/pexum»

Ai que ainda ficamos sem palavras


      «A tia Marcellina conhecia uma que fôra peixeira, pó descalço por essas ruas, a vender carapaus, um fedor a peixum de seiscentos diabos, e agora estava uma opiniosa com um fidalgo, n’um primeiro andar, ricas cortinas de renda nas janellas» (A Ruiva, Fialho de Almeida. Porto: Ernesto Chardron, 1881, pp. 39-40). 
      Se vale a pena estarmos a guerrear-nos por causa da epiderme da língua que é a ortografia... Já dei para esse peditório. Adoptem lá a ortografia que quiserem. Bem, mas o fito deste texto é bem outro: onde está, queridos dicionaristas, o termo «peixum» (com a variante «pexum»), que não o vejo em lado nenhum? E, contudo, é conhecido e encontrável na literatura, e não só, obviamente, em Fialho de Almeida. Assim, proponho peixum (ou pexum) cheiro forte, geralmente desagradável, a peixe. 
      As variantes «peixum» e «pexum» enquadram-se num pequeno grupo de vocábulos portugueses, de que fazem parte «bodum» (var. «bedum»), «fartum» (var. «fortum», «futum»), «cheirum» e «bafum». Há mais, eu sei, mas de momento a memória recusa-se a colaborar.

[Texto 23 284]

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