Léxico: «ventela»

Mete rainhas e poetas


      «Mas vendo Camila com o altivo queixo colhendo a brisa de humilde ventoinha, lembrei-me de uns versos de “O novíssimo testamento e outros poemas”, de Jorge Sousa Braga. É o poema “Ventelas”, breve como uma ventoinha, portátil, pois. “No verão com cascas de eucalipto / e sumo de amoras construías / uma ventela colorida. Com os / outros miúdos corrias depois / pela tarde fora. Continuas a correr / em sonhos agora com uma ventela / na mão / mas a tarde já não é tarde / e o verão não é mais verão.” Terá a rainha Camila resistido ao calor dos verões da sua adolescência balançando uma ventela diante do azul-turquesa da Cornualha?» («Ventelas e outros artefactos», Fernando Alves, TSF,  14.07.2026, 8h51). 
      Por qualquer motivo que não interessa agora indagar, permanece fora dos dicionários, mas não fora da nossa memória, porque eu, embora de um meio urbano, também as fiz quando era criança. Assim, proponho ➠ ventela pequena ventoinha de brincar, geralmente feita de material leve e fixada a uma haste, que roda pela acção do vento ou do movimento; cata-vento.

[Texto 23 286]

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