Definição: «ficção científica»

Desde 1926


      Li um interessante artigo numa revista italiana sobre a fantascienza, palavra criada por Giorgio Monicelli em 1952 para designar aquilo a que chamamos ficção científica. Tanto quanto sei, trata-se de um caso único: enquanto quase todas as outras línguas adoptaram, com pequenas adaptações, a expressão inglesa science fiction, o italiano criou um termo próprio. A leitura levou-me — acho que conseguiram adivinhar — a reler a definição de «ficção científica» no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «género cujo enredo é baseado em conhecimentos científicos actuais, lidando essencialmente com o impacto da ciência, real ou imaginada, sobre a sociedade ou as pessoas». Parece-me uma definição demasiado restritiva. Desde logo, porque exige que a ficção científica se baseie em «conhecimentos científicos actuais», quando muitas das obras mais apreciadas do género assentam precisamente em ciência hipotética ou especulativa. Depois, porque reduz a ficção científica ao impacto da ciência sobre as pessoas e a sociedade, deixando de fora narrativas centradas na exploração, na descoberta ou na aventura. Finalmente, não explicita um dos traços distintivos do género: a especulação racional, que o diferencia da fantasia. 
      Proponho, por isso, a seguinte redacção: ficção científica LITERATURA, CINEMA, TELEVISÃO género de ficção baseado na extrapolação racional de conhecimentos científicos ou tecnológicos, reais ou imaginários, ou na formulação de hipóteses apresentadas como cientificamente plausíveis, explorando as suas consequências para os indivíduos, a sociedade ou o Universo.

[Texto 23 281]

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