Definição: «interoperabilidade»

Quase desmente o conceito


      «Para proceder à certificação de uma linha férrea, a IP tem de recorrer a entidades privadas que atestem a interoperabilidade da infra-estrutura (que nela possam circular vários tipos de comboios, portugueses ou estrangeiros) e a sua segurança. Isso implica analisar não só as várias componentes, como o carril, as travessas, a sinalização, mas também todo o sistema, para ver se está assegurada a interoperabilidade. Para a segurança, é necessário um relatório de uma entidade que faça a análise de risco» («Obra de 460 milhões está parada à espera de certificação», Carlos Cipriano, Público, 30.06.2026, p. 24). 
      Está no dicionário da Porto Editora, mas tem de ser revisto: «1. qualida de interoperável; condição do que pode funcionar em conjunto com outro(s); 2. INFORMÁTICA característica que possibilita a ligação e o funcionamento em conjunto de vários computadores». Tem vários problemas, e o menor deles até é a gralha. O conceito de interoperabilidade é transversal a inúmeros domínios: informática, telecomunicações, saúde, caminhos-de-ferro, defesa, administração pública, etc. Não é cada área que tem uma interoperabilidade diferente; é a mesma propriedade, aplicada a objectos diferentes (sistemas, equipamentos, redes, organizações, aplicações...). A definição tem pelo menos duas fragilidades, que são a circularidade da definição e reduzir a interoperabilidade ao funcionamento em conjunto, quando também implica comunicar, trocar dados e utilizar mutuamente essa informação, preservando a funcionalidade.
      Tudo visto, proponho, numa só acepção, ➠ interoperabilidade capacidade de sistemas, dispositivos, aplicações, redes ou outros elementos distintos comunicarem entre si, trocarem informação e utilizarem-na de forma a funcionarem conjuntamente.

[Texto 23 232]

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