Léxico: «colorização | colorizado»

Pelo menos os hífenes


      E não é que encontrei estes dois excertos no mesmo dia? Das tais conjunções. «Comprou a biblioteca da MGM, arrebatando milhares de filmes clássicos como quem adquire um continente em segunda mão, e lançou a operação de colorização de cinema antigo, uma espécie de reescrita tecnológica da memória que lhe valeu acusações de vandalismo cultural por parte de realizadores e críticos. Para Turner, porém, tratava-se apenas de atualizar o passado para o consumo presente – uma lógica perfeitamente coerente com o seu instinto de acelerador de tudo» («Ted Turner. Os predadores da última hora», Diogo Vaz Pinto, Nascer do Sol, 8.05.2026, p. 37). «A sua vida condensava-se-lhe colorisada n’uma recordação deliciosa, sem compreender no deleite a saciedade, a inanição, o desprezo de si mesma por fim» («A Ruiva», in Contos, Fialho de Almeida. Porto e Braga: Ernesto Chardron Editor, 1881, p. 37). 
      A tua definição, Porto Editora, padece de três males: ser dado como brasileirismo, que não é; apresentar uma redundância, pois «filme» e «película» podem ser aqui entendidos como sinónimos; e ostentar uma gralha, a falta de hífenes em «preto-e-branco». Tudo visto, proponho  colorização CINEMA técnica que consiste em aplicar cor a um filme originalmente a preto-e-branco. 
      Quanto a colorizado, deve ser registado como adjectivo.

[Texto 23 327]

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