Ainda as travessas, dormentes, sulipas, chulipas
20.7.26
Quatro, não cinco
«O pequeno empreiteiro minhoto, que foi ganhando concurso aqui, concurso acolá em obras de reparação para a PJ, que depois foi deixando de ir a concurso — certamente porque, solícito, ia resolvendo os problemas que se arrastam nas sedes da polícia —, acabou a desenrascar uns serviços ao “dôtor”, deslocando-se de Barcelos a São Teotónio quando havia vagar. Umas vezes para dar um jeito no alpendre, outras para fazer do tanque uma piscina e outras ainda, parece, para pegar numas solipas que vinham das Infraestruturas de Portugal e montar uma mesa para almoçaradas» («A Judiciária, o empreiteiro, o tanque e o atrelado da droga», Pedro Adão e Silva, Público, 19.07.2026, p. 32).
Acabámos de o ver, temos quatro termos (duas variantes), não cinco. São travessa, dormente, sulipa/chulipa. Infelizmente, é confusão em que também cai a Porto Editora, que no seu Dicionário da Língua Portuguesa regista «solipa»: «espécie de sandália com base de madeira em vez de sola, chulipa». Mesmo admitindo que «solipa» pudesse designar tanto a sandália como a travessa ferroviária, a redacção do verbete continuaria a ser defeituosa, por ambígua, já que uma remissão global deixa o leitor sem saber se está perante uma variante gráfica, um homónimo ou duas palavras distintas. Claro que se percebe de onde vem o erro.
[Texto 23 310]
edit
Sem comentários:
Enviar um comentário