Definição: «narceja-comum»

Vulnerável


      «De patas curtas e bico comprido, a narceja tem o dorso atravessado por tons acastanhados e, no período de reprodução, abre a cauda em leque, destacando-se duas secções, que ao cortar o ar, produzem um som muito característico. Voam em ziguezague, o que dificulta qualquer tentativa de as tentar apanhar em voo, o que, segundo se diz, terá feito um surgir uma nova palavra na língua inglesa: sniper (atirador de elite), uma derivação do nome da ave nessa mesma língua (snipe)» («A narceja ainda nidifica por cá?», Patrícia Carvalho, Público, 3.09.2026, p. 32). 
      Muita desta informação não está nos nossos dicionários, assim como a sua classificação em 2021 como vulnerável. Assim, proponho ➠ narceja-comum nome feminino ORNITOLOGIA (Gallinago gallinago) ave limícola da família dos Escolopacídeos, com cerca de 25 a 30 centímetros de comprimento, patas relativamente curtas, bico muito comprido e direito e plumagem castanha fortemente riscada por listas longitudinais claras na cabeça e no dorso; frequenta sobretudo zonas húmidas, onde se alimenta principalmente de invertebrados, e, quando levantada, apresenta característico voo rápido e ziguezagueante; comum em Portugal como invernante e também nidificante, embora muito rara no continente, encontra-se classificada como vulnerável na Europa; também conhecida por cabra-do-monte, garceja, narceja e narceja-eurasiática.
[Texto 23 466]

Léxico: «busca | terra-mar»

Mais duas


      É claro que faltam milhares de palavras nos dicionários, e faltarão sempre. Aqui vão mais duas. Recentemente, revi um livro em se falava do jogo do busca. Não o vejo no dicionário da Porto Editora, por exemplo. Assim, proponho ➠ busca nome masculino jogo em que se lança um objecto para que um animal vá buscá-lo e o traga de volta.
      Na quarta-feira, encontrei o ➠ terra-mar nome masculino Moçambique jogo infantil em que os participantes devem saltar para um dos dois lados de uma linha, designados terra e mar, conforme a ordem dada por um dos jogadores, sendo eliminado quem se enganar.

[Texto 23 465]

Léxico: «calcifilaxia»

Ninguém escapa


      «Ici, l’infection fongique n’est pas considérée comme une cause concurrente, mais plutôt comme un indice permettant de conclure à une maladie rénale. Les témoignages historiques rapportent que le souverain cumulait de nombreux facteurs de risque, au premier rang desquels un très probable diabète et l’obésité. “Cette infection montre que le terrain est favorable à la complication vasculaire spécifique qu’on appelle la calciphylaxie, poursuit le médecin légiste. Il ne s’agit pas ici d’opposer les deux hypothèses, ni même de remettre en cause l’idée que la gangrène aurait tué Louis XIV, mais nous proposons un diagnostic au regard des méthodes modernes d’analyse”» («Une maladie rénale à l’origine de la gangrène fatale de Louis XIV», Vincent Bordenave, Le Figaro, 3.09.2026, p. 11). 
      Apenas registas «calcifilia», Porto Editora. Assim, proponho ➠ calcifilaxia nome feminino MEDICINA doença vascular rara e grave, caracterizada pela calcificação e oclusão de pequenas artérias e arteríolas, que provoca isquemia e necrose dos tecidos, sobretudo da pele e do tecido subcutâneo.

[Texto 23 464]

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P. S.: Agora que vou ter uma tooltip no blogue, está na hora de melhorar — ou corrigir — a definição que encontramos no dicionário da Porto Editora, demasiado amarrada ao paradigma do computador com rato. Assim, proponho ➠ tooltip nome feminino INFORMÁTICA pequena caixa informativa que surge temporariamente junto de um elemento de uma interface, geralmente ao posicionar sobre ele o ponteiro do rato, apresentando uma breve descrição, explicação ou outra informação relativa a esse elemento; dica de contexto.
Geralmente por meio do ponteiro do rato, mas há hoje outros modos de interacção com as interfaces. E «caixa informativa» em vez de «janela», termo que tem em Informática um sentido específico.


Léxico: «paleoproteómica | paleoproteómico»

Temos a terminação


      «En octobre dernier, une étude publiée dans la revue Annales pharmaceutiques françaises, et réalisée en partie par les mêmes chercheurs, évoquait la découverte d’un champignon, Cyphellophora europaea, sur un fragment du cœur embaumé du roi, conservé à la basilique Saint-Denis. Grâce à des techniques de paléoprotéomique menées avec le CEA [Commissariat à l’énergie atomique et aux énergies alternatives], les chercheurs y voyaient une possible chromoblastomycose, une infection cutanée rare, à l’origine du décès» («Une maladie rénale à l’origine de la gangrène fatale de Louis XIV», Vincent Bordenave, Le Figaro, 3.09.2026, p. 11). 
      Sendo uma disciplina já perfeitamente estabelecida internacionalmente, só nos resta dicionarizar paleoproteómica nome feminino BIOQUÍMICA disciplina que estuda as proteínas e os proteomas preservados em restos biológicos antigos, sobretudo arqueológicos e paleontológicos, com vista à obtenção de informações sobre organismos, populações e ambientes do passado. 
      E, naturalmente, ➠ paleoproteómico adjectivo BIOQUÍMICA relativo à paleoproteómica ou ao estudo de proteínas e proteomas preservados em restos biológicos antigos.

[Texto 23 463]

Léxico: «lírio-roxo-nativo»

Só falta «nativo»


      «Entre outras plantas camonianas, o roteiro inclui o lírio-roxo-nativo (Iris subbiflora), a murta (Myrtus communis) ou o carvalho (Quercus), apenas para dar mais alguns exemplos» («Jorge Paiva. Apaixonou-se pelas plantas em Camões e quis mostrá-las ao vivo no jardim», Teresa Firmino, Público, 23.08.2026, p. 25).

[Texto 23 462]

Léxico: «quadradão»

Ora, temos «solteirão»


      «Isabel Díaz Ayuso intentó zanjar la polémica por la compra, por más de seis millones de euros, de un ático de lujo en Chamberí mediante una empresa pública de la Comunidad de Madrid. “El apartamento está en venta, pues chao pescao”, afirmó ayer la presidenta madrileña, que trató de restar importancia al caso antes del inicio del curso político, pese a que las explicaciones ofrecidas hasta ahora no han resultado convincentes» («Ayuso se defiende: “El apartamento está en venta, pues ‘chao pescao’”», Asier Martiarena, La Vanguardia, 25.08.2026, p. 8). 
      Só por usar esta expressão coloquial já fiquei a gostar mais de Isabel Díaz Ayuso. Comparados com ela, os nossos políticos parecem, e são, uns quadradões. É a rima forçada que lhe dá graça, à expressão, não à política espanhola (que também tem graça, tanta que há várias bonecas com a sua cara), como sucede também com expressões semelhantes noutras línguas, como no inglês: See you later, alligator. Ou francês: À demain dans le train! Ou alemão: Bis später, Peter! Ou neerlandês: Aju paraplu!

[Texto 23 461]

Uma palavra desnecessária

Que também as temos


      No jornal espanhol La Voz de Galicia do dia 29 de Agosto, li um artigo sobre as medidas que podem tornar as habitações mais resistentes aos incêndios florestais. Um infográfico que o acompanha enumera algumas das características construtivas aconselháveis: caleiras metálicas e sem folhas, cobertura e paredes ignífugas, faixa igualmente ignífuga em redor da casa e protecção exterior das janelas — «contraventanas». É precisamente nesta última palavra que começa o problema. A tentação de um falante de português será talvez traduzir contraventanas por «contrajanelas»: a formação parece tão transparente, que quase se faz sozinha. Mas logo deverá ocorrer-nos uma palavra portuguesa bem conhecida, portadas. Qual delas corresponde, afinal, às contraventanas espanholas? Em dois dicionários bilingues da Porto Editora, desta luta parece ter saído vencedora «contrajanela». No francês-português, contrefenêtre é traduzido por «contrajanela, janela dupla»; no português-francês, encontramos mesmo uma entrada autónoma «contrajanela», remetendo para contrefenêtre. Sucede que «contrajanela» é uma palavra que nunca encontrei em português e que não encontro registada nem no próprio Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora nem, até onde pude apurar, nos dicionários e glossários portugueses de arquitectura. Teremos, então, uma lacuna nos dicionários gerais? Ou será «contrajanela» um daqueles vocábulos que existem sobretudo porque um dicionário bilingue precisava deles?

[Texto 23 460]

Léxico: «desgermanizar | desgermanização»

Foi preciso


      Pelo menos a primeira encontra-se muito em obras sobre a Segunda Guerra Mundial: «Também está aqui documentada a “desgermanização-polaquização” de Stettin no pós-guerra, com as forças soviéticas e os colonos polacos a garantirem que a maioria dos alemães partia» («Uma cidade que trocou de país. E de cidadãos», Álvaro Vieira, Público, 28.07.2026, p. 33).

[Texto 23 459]

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