Definição e etimologia: «volante»

Nem por milagre

 

      «A Ferrari lançou o seu primeiro carro totalmente elétrico e o novíssimo “Luce” já foi testado por um passageiro muito especial: o Papa. [...] Desta vez, no entanto, a Ferrari não ofereceu um automóvel, mas doou um volante do novo Luce (que significa “luz”, em italiano) ao Sumo Pontífice» («O primeiro Ferrari elétrico em imagens e vídeo. Ferrari acende “Luce” mas perde valor em bolsa», João Pedro Quesado, Rádio Renascença, 26.05.2026, 13h51). 

      Oferecerem só o volante... que forretas. Bem, mas o carro também não tem grande graça, além de que o papamóvel é muito mais exclusivo. Volante... Os consulentes, os leitores, que consultem os dicionários para saber qual a etimologia também não levam grande coisa. Nem que se deitassem a adivinhar. Para começar, aquela que é agora a primeira acepção, «peça em forma de roda que comanda a direcção do automóvel» (no caso do dicionário da Porto Editora, que já precisa de ser redefinida, pois os volantes têm várias formas), é historicamente a segunda. A segunda do dicionário da Porto Editora, «MECÂNICA peça rotativa de grande massa relativa que regula o movimento de um maquinismo», foi a primeira a surgir nesta área automóvel. Na realidade, dá-se-lhe habitualmente o nome de «roda volante», que é, em mecânica, uma roda pesada que gira continuamente para armazenar energia cinética e regular o movimento de uma máquina, mais frequentemente designada «volante de inércia». Ora, estes sinónimos deviam fazer parte da definição. 

      Assim, também a nota etimológica devia ser mais completa, algo como ➠ do latim volans, volantis, «que voa; que se move rapidamente», particípio presente de volāre, «voar»; inicialmente aplicado, em mecânica, a peças rotativas («rodas volantes»), de onde derivou o actual sentido de «peça circular usada para comandar a direcção dos automóveis».

[Texto 23 082]

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