Blá-blá-blá, blá, blá, blá
11.6.26
Porque não é o mesmo
Vejo muitas vezes, sobretudo em traduções, «blá, blá, blá», quando os dicionários só acolhem o nome «blá-blá-blá». Mas estarão os lexicógrafos a ver bem? Considere-se esta frase: «Tendo em conta a posição preeminente do camarada do partido ***, blá, blá, blá, o caso foi reclassificado como um assunto de segurança interna.» Pretende ser o resumo de uma conversa que alguém teve. Ali, não significa «conversa inútil, sem grande conteúdo» (na definição da Porto Editora), «palavreado», nem desempenha nenhuma função sintáctica nominal. O narrador está simplesmente a omitir uma parte do discurso burocrático, substituindo-a por uma imitação depreciativa do que foi dito. É claramente uma zona cinzenta da língua que ninguém quis tratar até hoje. Uma área crítica. Se fosse fácil, já estava feito. Ou não, dado o incalculável número de omissões que aqui temos comprovado e procurado sanar. Não é, contudo, por ser difícil que vamos ficar de braços cruzados. Assim, proponho ➠ blá-blá-blá nome masculino conversa ou discurso considerado vazio, enfadonho, repetitivo ou desprovido de conteúdo relevante; palavreado; 2. interjeição (geralmente grafada «blá, blá, blá») usada para representar, resumir ou omitir ironicamente um discurso, uma explicação ou uma sequência verbal considerados irrelevantes, enfadonhos ou previsíveis.
[Texto 23 126]
edit
Sem comentários:
Enviar um comentário