Léxico: «substituição de gerações»
19.6.26
Dois conceitos diferentes
«Está nos livros: para que a população de um país desenvolvido se mantenha estável, é indispensável que por cada duas pessoas (um casal) nasçam dois bebés. Para sermos precisos, a taxa de fertilidade óptima para que, por exemplo, Portugal continue a ser demograficamente saudável neste século é de 2,1 filhos por mulher. Chama-se a isto renovação geracional» («A teoria da substituição que o Chega não quer ver», Pedro Candeias, editorial, Público, 14.06.2026, p. 4).
Chama? Acho que não. Esse conceito é muito mais amplo. Pelo que vejo, «renovação geracional» é uma expressão mais genérica, usada com frequência em contextos como o mercado de trabalho, os sistemas de pensões, a sucessão em empresas, organizações ou profissões, entre outros. Embora possa ser empregada em contextos demográficos, não corresponde à designação técnica habitualmente utilizada pelo INE para o conceito segundo o qual cada geração é substituída por outra de dimensão equivalente. Para esse fenómeno, o INE usa preferencialmente a expressão ➠ substituição de gerações DEMOGRAFIA renovação de uma população mediante o nascimento de um número suficiente de filhos para que cada geração seja substituída por outra de dimensão equivalente.
[Texto 23 170]
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P. S.: O leitor mais perspicaz terá reparado que a definição não menciona os famosos 2,1 filhos por mulher. A omissão é deliberada. Esse valor não faz parte da definição do conceito; é apenas uma aproximação frequentemente usada pelos demógrafos para indicar o nível de fecundidade necessário à substituição de gerações em populações com baixos níveis de mortalidade.
edit
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