Léxico: «babuge»

Toma esta variante


      Porto Editora, acolhe no teu vasto seio a variante «babuge», que acabei de encontrar em Fialho de Almeida. Ou ainda no Brasil pensam que a palavra é deles.

[Texto 23 305]

Definição: «zulu»

«Língua dos Zulus»...


      Porto Editora, já que falei, a propósito de «ubuntu», do zulu, temos de redigir uma definição à altura. Afinal, há muito que a linguística dispõe de informação suficiente para uma definição bastante mais útil, sem deixar de ser concisa. Assim, proponho ➠ zulu LINGUÍSTICA língua banta do grupo ngúni, falada principalmente pelos Zulus na África do Sul, onde é uma das doze línguas oficiais, e também por comunidades de falantes no Lesoto, em Essuatíni, no Zimbabué e em Moçambique.

[Texto 23 304]

Como se pontua por aí

São melhores a fazer almôndegas


      «Nem tudo o que parece caro, é», anuncia aí pelos múpis a IKEA. Ai, IKEA, valha-me Deus, essa pontuação... Åh, IKEA, gode Gud, den där interpunktionen... Oh mulher, então tu não sabes que não se pode separar com vírgula o sujeito do predicado se a frase estiver na ordem directa e não houver complementos pelo meio? Men snälla du, vet du inte att man inte får sätta ett komma mellan subjekt och predikat när meningen står i rak ordföljd och inget skiljer dem åt? Não despeças ninguém. Aprende gramática. Sparka ingen. Lär dig grammatik.

[Texto 23 303]

Definição: «ubuntu»

Vá um tiquinho de zulu


      «A humanidade não se realiza no indivíduo isolado, mas na relação e no cuidado mútuo – como propõe a filosofia africana do ubuntu, referida pela teóloga congolesa Leocadie Lushombo na sessão de apresentação do documento, em Roma, que convocou também outras sabedorias do Sul do mundo» («Magnífica Humanidade que criou os algoritmos, mas se deve proteger deles», António Marujo, Além-Mar, Julho de 2026, p. 42).
      De quando em quando, e porque revejo e traduzo muitos textos de cariz religioso, encontro o termo, que os nossos dicionários não acolhem. Assim, proponho ➠ ubuntu FILOSOFIA filosofia ética de origem africana, particularmente associada às culturas bantas da África Austral, que entende a pessoa como inseparável da comunidade e defende que a humanidade de cada indivíduo se realiza por meio das relações de solidariedade, respeito, cuidado mútuo e responsabilidade para com os outros; humanismo comunitário africano. 
      Quanto à etimologia, vem do zulu ubuntu, «humanidade; qualidade de ser humano», formado por ubu- (prefixo formador de substantivos abstractos) + -ntu, «pessoa; ser humano», cognato noutras línguas bantas.

[Texto 23 302]

Definição: «ampersand»

Olha que não


      Porto Editora, hoje em dia o & é considerado um logograma, não, mais genericamente, um sinal gráfico. E o seu uso não se restringe a nomes comerciais, longe disso. Assim, proponho ➠ ampersand TIPOGRAFIA logograma (&) que representa a conjunção e, usado sobretudo em nomes comerciais, títulos e outras designações. 
      Quanto à etimologia, deve dizer-se que vem do inglês ampersand, alteração da expressão and per se and («e, por si só, significa “e”»), nome dado ao logograma originado na ligadura das letras da palavra latina et, «e».

[Texto 23 301]

Definição: «saldanhista»

Tentemos


      «Os cabralistas querem dinheiro, os patuleias querem dinheiro, agora dizem que os saldanhistas vão sair com a procissão porque querem dinheiro, e quem não for uma das três cousas há de pagar para todos os três partidos. Eu não sei com quem tenho a honra de falar, mas sou franco; o que eu digo é que Deus traga o sr. D. Miguel I a ver se Portugal se endireita de vez» (Maria Moisés, Camilo Castelo Branco. Lisboa: INCM, 2020, p. 70). 
      Não existir o termo «saldanhismo» como há, por exemplo, «cabralismo» explica alguma coisa, mas a canhestrice infelicidade na definição no dicionário da Porto Editora parece-me patente: «pessoa ou designativo da pessoa que seguia a política do Duque de Saldanha, estadista português, 1790-1876». Seguia a política... Tentemos assim ➠ saldanhista adjectivo de 2 géneros POLÍTICA relativo ao Duque de Saldanha, estadista e militar português (1790–1876), ou aos seus apoiantes | nome de 2 géneros POLÍTICA apoiante do Duque de Saldanha, estadista e militar português (1790-1876).

[Texto 23 300]

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P. S.: Já temos gibraltarenho no dicionário. Obrigado, Porto Editora. Apuraria, contudo, a localização: «relativo ou pertencente a Gibraltar (território britânico ultramarino situado na extremidade meridional da Península Ibérica, à entrada do Mediterrâneo)».


Léxico: «caralho-do-mar | pila-do-mar»

Pudicícia que não leva ao céu


      «No Algarve, entre a comunidade piscatória, os pepinos-do-mar são conhecidos pelo nome popular que deriva da sua forma fálica. O tamanho médio da espécie Holothuria arguinensis oscila entre 15 a 20 centímetros, mas na ilha da Culatra, na ria Formosa, já foi encontrado um exemplar com 65 centímetros» («Universidade do Algarve está a criar pepinos-do-mar em terra», Idálio Revez, Público, 9.12.2014, 8h31). 
      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora deveria registar as designações populares a que o jornalista alude, que são «caralho-do-mar» e «pila-do-mar», documentadas entre pescadores algarvios para designar determinados pepinos-do-mar. A lexicografia não deve omitir vocábulos por pudor; deve antes registá-los e caracterizá-los mediante as marcas de uso apropriadas (vulgarismo, popular, regional, etc.).

[Texto 23 299]

Léxico: «camedórea-elegante»

Ora, foi só traduzir


      «Palmeira de folhas delicadas, a camedórea-elegante (Chamaedorea elegans) é fácil de manter» («Como cuidar da camedórea-elegante», Folha de S. Paulo, 13.07.2026, p. A32).

[Texto 23 298]

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