Léxico: «casaco-robe»

Gosto de ver


      «Calças direitas, saias rodadas, polos descontraídos, casacos-robe, vestidos retos, camisolas de gola alta — estas são algumas das peças favoritas da estação, em tricôs mais ou menos grossos, consoante a necessidade de calor extra» («No ponto», Gabriela Pinheiro, «Revista E»/Expresso, 30.01.2026, p. 77). 

      Ou seja, temos de o entesourar, assim ➜ casaco-robe casaco feminino de corte amplo e solto, inspirado no roupão (robe), geralmente sem estrutura rígida, com abertura frontal simples e, por vezes, cinto, caracterizado por linhas fluidas e uso como peça de sobreposição em contexto informal ou de meia-estação.

[Texto 22 847

Léxico: «francofonização»

Também existe, sim


      «Desde 2016, o país é assolado por dois sangrentos conflitos armados. O primeiro é uma verdadeira guerra civil nas duas regiões ocidentais anglófonas, North West (Noroeste) e South West (Sudoeste), que começou com uma série de protestos pacíficos contra a crescente francofonização dos sistemas judicial e educativo» («Camarões: denunciar a corrupção, encorajar a esperança», Margarida Santos Lopes, Além-Mar, Maio de 2026, p. 23).

[Texto 22 846]

Léxico: «pilão»

Ratas e pilões


      Estou aqui a ver uma edição especial de um relógio comemorativo do Instituto dos Pupilos do Exército, e leio na descrição que é possível gravar no mostrador o nome do pilão. A formulação é reveladora: o termo surge ali com plena naturalidade, como designação identitária de quem frequenta ou frequentou a instituição, sinal claro de que estamos perante um uso consolidado, e, contudo, ainda ausente dos dicionários, onde já encontramos, por sugestão minha, os ratas do Colégio Militar. Assim, proponho ➜ pilão gíria aluno ou antigo aluno do Instituto dos Pupilos do Exército (IPE), estabelecimento de ensino militar não superior.

[Texto 22 845]

Léxico: «missa votiva»

Talvez evite outros disparates


      Como é que a Porto Editora não regista «missa votiva», como? São estas ausências que explicarão, em parte, que os jornalistas, como uma aqui, se espalhem escrevendo «missa vocativa». Assim, e antes que mais gente mande semelhantes bojardas, proponho ➜ missa votiva RELIGIÃO (catolicismo) missa celebrada, nos termos das normas litúrgicas, em honra de um mistério do Senhor, da Virgem Maria, dos Anjos, de um santo ou por uma intenção particular, não correspondendo ao ofício próprio do dia no calendário litúrgico.

[Texto 22 844]

Léxico: «etnozoologia | etnozoológico»

Aos pares é mais depressa


      «As espécies vegetais medicinais utilizadas na medicina tradicional são inventariadas e avaliadas de acordo com padrões fármaco-epidemiológicos e atestadas quanto à segurança. Com a adopção da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (2007), o tratado da Unesco passa a contemplar os conhecimentos, saberes-fazeres, competências, práticas e representações desenvolvidas e perpetuadas pelas comunidades em interacção com o seu meio natural, incluindo os conhecimentos ecológicos tradicionais, os saberes autóctones, a etnobiologia, a etnobotânica, a etnozoologia, as farmacopeias e as medicinas tradicionais» («Dependentes de plantas», Carlos Reis, Além-Mar, Maio de 2026, pp. 41-42).

[Texto 22 843]

Léxico: «clarone»

Dou-te música


      «“Ele me pediu uma peça para clarone, que, em Portugal, aliás, é clarinete baixo, que se chama Azulejaria. Eu quis trabalhar com a ideia dos azulejos portugueses, com toda a história e a importância cultural que eles têm. Em Curitiba, onde eu moro, o artista Poty Lazzarotto (1924-1998) fez vários painéis com azulejos. Então, fiz uma espécie de trajetória musical da viagem do azulejo de Portugal para o Brasil”, conta ele, que também é um pesquisador da música brasileira do período colonial. “Essa peça fará sua estreia mundial em Paredes”» («Harry Crowl faz recital no Porto inspirado na azulejaria portuguesa», Elizabete Antunes, Público, 18.04.2026, 10h07). 

      Pois, não o acolhes, Porto Editora, apenas o prometes, pelo que ➜ clarone MÚSICA Brasil instrumento de sopro da família das madeiras, correspondente ao clarinete baixo do português europeu, de tubo mais comprido do que o do clarinete soprano, geralmente com campânula recurvada e tudel metálico, de registo grave e timbre escuro, usado em orquestra, bandas e música de câmara.

[Texto 22 842]

Como se escreve por aí

Desta linda maneira


      «Um estúdio e uma escola que também conta com um museu e uma loja. Fernando Daniel acaba de inaugurar Nagana, um megaprojeto em Ovar dedicado à música, à gravação e ao ensino. O projeto abrange uma área de 1000 metros quadrados e assume-se já como um dos maiores e mais relevantes espaços do género a norte do País. O investimento é exclusivo do cantor e ronda os 2 milhões de euros. “Investi aqui quase todo o dinheiro que ganhei em oito anos na minha carreira. Abdiquei de muita coisa em prole deste projeto, em termos pessoais e profissionais, mas sinto que precisava de um espaço como este porque é isto que acredito que vou fazer para o resto da minha vida”, diz ao CM» («“Investi o que ganhei em oito anos de carreira”», Miguel Azevedo, Correio da Manhã, 18.04.2026, p. 35). 

      Ah, que desgosto, Miguel Azevedo. Já percebemos que faltou a esta aula. E agora já é tarde. Ou não, não sei, depende do brio.

[Texto 22 841]

Léxico: «hepatoprotecção | hepatoprotector»

É o que se diz


      Já me esquecia, Porto Editora: o alcaçuz também apresenta propriedades hepatoprotectoras, o que quer dizer que em afecções relacionadas com o fígado, como na hepatite, pode ajudar a reduzir os danos causados. 

[Texto 22 840]

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