2.5.11
Em maus lençóis
E José Rodrigues dos Santos disse, no mesmo Telejornal, que o corpo de Bin Laden foi «despejado ao mar». É um grande escritor, conhecedor, como se vê, dos clássicos, que usaram a expressão despejar o inimigo para significar ir dando cabo deles. E também podia ter dito simplesmente que os Americanos se despejaram, o que significa desembaraçar-se de alguma coisa que estorva, incomoda. Mas isto agora não interessa.
Para lá de Badajoz, os mais prudentes dão como incerta a etimologia do vocábulo «savana». Nós recebemo-lo do espanhol, sim, mas onde o foi buscar esta língua? Talvez, aventam alguns, a uma língua das Caraíbas. Há algo mais a dizer sobre «savana». Até falantes do espanhol confundem sabana, a nossa «savana», com sábana, o nosso «lençol» (proveniente do latim, e que no português antigo também se usava), pelo que não é muito surpreendente que Cândido de Figueiredo, no seu dicionário, tenha caído neste erro: «Assim se escreve e se lê geralmente, mas a pronúncia exacta é sávana.» E, em coerência com o aviso, dá-o como proveniente do espanhol sábana, «lençol». Mas isto foi no século XIX. Não afirmou Sá Nogueira que o Novo Dicionário, o melhor até então, era fraco nas etimologias?
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